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O Cometa

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Fechar um ciclo de 21 anos de forma positiva é algo fora do comum.
Bom, se estou falando em 21 anos, a história que vou contar é longa. Melhor se sentarem. Mas tenho certeza que foi a melhor que eu escrevi neste site até hoje, em minha humilde opinião. Pelo menos este é o relato mais pessoal.

Em 1986 eu tinha apenas 12 anos de idade, estava na sexta série e nas aulas de ciências descobria como muita coisa funcionava.
Nesta época várias lembranças me vem a mente: Atari com o Enduro e Hero, Michael Jackson com Thriler e Billy Jean, Queen tocando no Rock in Rio e muitas outras.

Mas uma coisa diferente aconteceu naquele ano. Uma febre tomou conta de todo mundo: o cometa Halley. Pelo menos dos nerds como eu. Foram tantas notícias, programas e um estardalhaço enorme, que isso capturou minha imaginação de uma forma que não dá para explicar. Ainda me lembro dos desenhos do cometa esquematizado e logotipos que apareciam em todo tipo de propaganda. Venderam-se telescópios, binóculos e muitas traquitanas para vê-lo.

Eu sou de família grande, 5 irmãos. Filho do meio, não mais velho, nem caçula. Já li muito sobre o filho sanduíche, mais problemático e coisas assim. Mas eu já tinha escolhido a minha forma de me destacar nesta “multidão” de cinco, eu seria o intelectual. Um óculos fundo de garrafa que ganhei aos 6 anos, deve ter me ajudado nesta opção não é?

Então boas notas e cara enfiada nos livros era a medida de meu temperamento. Nada de esportes competitivos, afinal medo de quebrar o óculos. Gostava de basquete, mas só lançamentos livres, e de 3 pontos.

Família grande também limita um pouco a grana. E eu não tinha coragem de pedir nada extravagante como um telescópio ou binóculo para eles. Até hoje o preço não é para qualquer um.

De qualquer forma, com alguns amigos da rua tentamos durante meses localizar o Cometa Halley. Sem sucesso.

A frustração foi muito grande. E o principal motivo foi a falta de informação. Sem internet, e nem uma biblioteca decente por perto, tínhamos um único livrinho falando sobre astronomia. E nenhuma orientação de ninguém. Nada de mapas de estrelas em computadores.

E o cometa para o público em geral foi mesmo um fracasso. Afinal foi apenas uma pequena estrela com fumaça ao redor. E não aquela bola de luz com uma grande calda ocupando o espaço de uma lua cheia. Ou metade do céu na imaginação de minha cabeça infantil.

Mal conseguíamos reconhecer as constelações. Órion (com as Três Marias) e Cruzeiro do Sul e nada mais. E isso dificultou muito localizar a estrela enfumaçada.

Mas mesmo sendo um fracasso aquilo ficou marcado para mim. E decidi que de alguma maneira eu iria ser um cientista. Ou algo parecido.

Lembro de uma noite onde entramos no Observatório e ficamos a noite inteira esperando as nuvens irem embora. Mas esta é outra história, vale um artigo inteiro.

Droga, estou divagando. Voltando ao assunto: o Cometa.

Depois do Halley tentei até estudar a respeito, mas sem material foi impossível. Descobri os computadores no mesmo ano do cometa, e essa foi a minha ciência a parti dali.

Logo estava no colegial e depois na faculdade. E a vida foi atropelando aquele velho sonho da visão de uma coisa extraordinária e fugaz.

Esqueci quase totalmente estas coisas até que em meados do ano de 2001, um amigo me ofereceu um telescópio de segunda mão, ou de terceira.

Neste momento a internet já era uma realidade. E foi uma surpresa extremamente agradável quando comecei a procurar informações sobre telescópios e astronomia. Descobri que todas as informações que não tínhamos acesso em 86 estavam ali ao alcance do Google.

Consegui o telescópio e tive que encomendar as oculares que faltavam. Tive que colocar para funcionar, tive muito o que aprender. O estado do telescópio era de dar dó.

Consegui ver muitas coisas com ele: os planetas, nebulosas, a Galáxia de Andrômeda, Manchas solares (por projeção, quase destruí uma ocular), etc.

Mas cometas não vi nenhum.

A três anos minha vida virou de ponta cabeça e começou um novo momento. Meu casamento foi para o espaço e o telescópio ficou esquecido num canto durante vários anos.

E no início deste ano uma nova relação que transformou para melhor minha vida, ganhou um lar. E logo no primeiro mês juntos ficamos sabendo de um cometa fantástico com um brilho acima de tudo que já viu esta geração.

O cometa McNaught deu as caras lá pelo meu aniversário, justamente quando o tempo ruim tomou conta de minha região por várias e várias semanas seguidas. Foi-se janeiro e fevereiro quase todo.

O primeiro dia de céus limpos foi depois do melhor do cometa. E não consegui encontrá-lo.

Imagina a decepção: eu estava de férias, com todo o tempo livre e um cometa brilhante estava por trás das nuvens!

Este cometa me fez tirar de novo o telescópio da poeira. Ou a poeira do telescópio…

E com o projeto deste site que está visitando, retomei o uso do telescópio com muito mais freqüência.

E em meados de agosto tentei tirar minhas primeira astrofotos. Com resultados pífios em minha opinião.

A história começa a tomar rumo em torno de 23/24 de outubro de 2007. Um cometa de pouco brilho e magnitude normalmente invisível para meu telescópio, começou a se comportar diferente. Acompanhei a notícia no Cosmofórum, no Apod, e em outros sites.

Um “outburst” e o brilho dele foi estimado em 2.5, 3.0, 3.5 de magnitude. Perfeitamente visível com o binóculo, ou o telescópio. Na verdade a olho nu!

Porém nuvens e chuva adiaram o momento mágico.

Foram 15 dias de espera para céus abertos. Já estava parecendo que perderia de novo a oportunidade, como com o McNaught.

Dia 7 de novembro voltando da escola, minha amada repara que as estrelas estão no céu.

Chego em casa apressado e tento montar rápido o telescópio, binóculo e tudo mais… Penso ter visto alguma coisa em Perseu, e de repente nuvens… antes de confirmar. Tive 20 minutos de céu aberto… depois nuvens cobrindo tudo. Adiado novamente.

Dia 10 de novembro uma da madrugada, fechou-se o ciclo que começou em março de 89.

Íamos para cama e eu resolvi olhar pela “janela lateral do quarto de dormir”. É voltado para o norte, é claro.

E eis que vejo duas ou três estrelas brilhando naquela direção. Sem acender a luz, pego o binóculo e começo a procurar. E finalmente tenho um cometa ali, projetado em minha retina!

Minha amada, e minha filha do coração também viram.

Não sei se perceberam o quanto aquele momento foi esperado e curtido. Mas acho que depois de lerem este relato, vão ver o quanto foi especial. E como fui feliz por ter elas ao meu lado.

Como não consegui fotos, aí vai uma concepção artística do que vi.


Alfa Perseu, também chamada Mirphak, cercado de outras estrelas em Perseu, e o cometa 17P/Holmes, no canto inferior direito. Esta é a visão aproximada do que vi em meu binóculo. Uma pequena mancha branca no canto da ocular.

Quero revê-lo ainda, se o tempo permitir. E perceber o seu movimento em relação às estrelas.
Nem que seja para dizer adeus.

Box da Primeira, Segunda e Terceira temporada de Lost, dvd players e celulares.

Hubble em Imagens: Brindes Especiais.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

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Este artigo faz parte da Série Hubble em Imagens.
Mais Imagens em:

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Está chegando ao fim a série de imagens mais fantásticas já produzidas pelo Hubble. E para comemorar preparei algumas surpresas. Brindes especiais cortesia do site oficial do Hubble:

Telas de fundo

Enfeite a tela de seu computador com as imagens mais fantásticas já produzidas pelo Hubble. Imagens já do tamanho de sua tela: 800×600, 1024×768 ou 1280×1024. Clique na imagem correspondente e escolha como tela de fundo.

Marte
Marte 800×600
Marte 1024×768
Marte 1280×1024
Galáxia NGC 4676 The Mice
Galaxia800×600
Galaxia 1024×768
Galaxia 1280×1024
Nebulosa Helix
Helix Nebula 800×600
Helix Nebula 1024×768
Helix Nebula 1280×1024
Nebulosa Águia
Nebulosa Águia 800×600
Nebulosa Águia 1024×768
Nebulosa Águia 1280×1024
Maquete Hubble

Gostaria de ter uma maquete do Hubble para enfeitar seu quarto ou escritório?

Esta é uma maquete completa do Hubble feita totalmente em papel recortado dobrado e colado. Lembra daqueles modelos que vinham na caixa de Sucrilos?

Basta imprimir os arquivos em papel de gramatura alta, recomendado maior que 180g/m2, e usar cola, estilete e/ou tesoura. As instruções estão em inglês, porém são ricas em figuras o que dá para realizar a montagem:

Maquete Hubble Parte Externa.

Manual Hubble Parte Externa

Maquete Hubble Parte Interna.

Manual Hubble Parte Interna

Se este for um modelo muito complicado para você, temos um aqui um tanto mais simples:

Modelo Mais Simples Manual do Modelo mais Simples

Espero que tenham gostado desta série, e se quiserem mais conteúdo sobre o Hubble, procure em inglês no site oficial:

http://hubblesite.org/

Hubble em Imagens. 5ª Parte: Aglomerados Estelares

terça-feira, 6 de novembro de 2007

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Este artigo faz parte da Série Hubble em Imagens.
Mais Imagens em:


Os Aglomerados Estelares, são uma espécie de “mini galáxia”, formada por milhares ou milhões de estrelas agrupadas em um centro de gravidade.

Existe dois tipos de Aglomerados Estelares ou Clusters: os Abertos e os Globulares.

Globular Clusters (Aglomerados Globulares) são aglomerados de formação mais antiga e com estrelas mais antigas. Formado por milhares ou milhões de estrelas, estão presentes em grande quantidade em nossa galáxia. Tem a forma esférica e uma visão difusa em um telescópio pequeno.

Open Clusters, por sua vez, são aglomerados estelares de formação bem mais nova e são formadas por centenas de estrelas. A força da gravidade estaria começando a modificar a posição das estrelas e com o tempo a gravidade aumenta conforme a massa vai acumulando em um centro gravitacional. As estrelas se posicionam de forma desordenada no aglomerado.

M15 – Globular Cluster típico

Aglomerado Tucanae

Detalhe de Tucanae

Outro Cluster Globular M4

Aglomerado Duplo na Grande Nuvem de Magalhães

R136: Um Cluster de estrelas massivas em Nebula 30 Doradus

Outro Cluster, Mayall II, este na vizinhança de M31 a Galáxia de Ândromeda.

Omega Centauri: abaixo detalhe de um Globular Cluster que já vi em meu telescópio. A aparência no meu telescópio é mais próximo da foto anterior. É visível mesmo sem telescópio, desde que o céu esteja bem escuro. Neste caso parece uma fraca estrela um pouco nebulosa.

Star Cluster R136 in Nebula 30 Doradus – Aglomerado Aberto

Pleiades: Aglomerado Aberto perfeitamente visível sem telescópio em Touro.

Encerramos assim a série Hubble em Imagens. Estamos preparando uma surpresa para quem seguiu esta série. Não perde por esperar.

Todas as fotos são creditadas a Nasa e outros, com uso livre mediante crédito. Veja detalhes em http://hubblesite.org/copyright/

Hubble em Imagens. 4ª Parte: “Nebulosas = Vida?”

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

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Este artigo faz parte da Série Hubble em Imagens.
Mais Imagens em:


Esta é a quarta parte das imagens mais fabulosas já obtidas pelo Hubble. Como são dezenas e dezenas de imagens, estou publicando em blocos. Vamos ver hoje uma série de Nebulosas de Emissão e Reflexão.

As nebulosas de Emissão são formadas por nuvens de partículas ionizadas (plasma), que em altíssima temperatura emitem luz de várias cores diferentes.
Já as nebulosas de Reflexão são nuvens de poeira que ainda não chegaram ao ponto de ionizarem mas já são visíveis pois refletem a luz de estrelas próximas ou mesmo de uma nebulosa de emissão vizinha.

Ambas são relacionadas com a formação de novas estrelas. Quando as partículas se agrupam e aquecem conforme a gravidade vai aumentando e mais matéria é acumulada, uma determinada temperatura é atingida e é iniciado a reação em cadeia da fusão nuclear. Em outras palavras a estrela “acende”.

Em uma galáxia vizinha estrelas na infância: em infravermelho é possível ver as estrelas já formadas

Mais detalhes de estrelas muito brilhantes na infância

Estrelas jovens esculpem ondas de gás na Pequena Nuvem de Magalhães

Grande Núvem de Magalhães

Uma das mas conhecidas imagens geradas pelo Hubble, pilares de gás em na Nebulosa da Águia(M16): área de formação de estrelas

“Ovos” estelares emergem da nuvem de moléculas: close nos “glóbulos evaporando” em M16.

Nebulosa Cone NGC 2264: outro pilar de formação de estrelas

Nebulosa de Reflexão NGC 1999: a luz da estrela refletindo na poeira:

A Nebulosa Bolha (NGC 7635):

Detalhe da região de formação de estrelas na Nebulosa Carina:

Nebulosa Trifídia: berço de estrelas “iluminado” pela radiação de uma estrela vizinha

Visão geral da Nebulosa Orion

Detalhe da estrutura da Nebulosa Orion

Enfim Nebulosa Cabeça de Cavalo na constelação de Orion

Detalhe da “Cabeça do Cavalo”:

Fonte:

Todas as fotos são creditadas a Nasa e outros, com uso livre mediante crédito. Veja detalhes em http://hubblesite.org/copyright/