Arquivo da Categoria ‘Diversão e Arte’

Máquina – parte 1

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Boa Noite!

Depois de falhar em meu propósito de publicar um texto por semana, vou me redimir publicando dois artigos hoje e um na próxima semana. (não vai falhar porque estará agendado!)

Hoje publico aqui, em primeira mão, os primeiros rascunhos de meu segundo livro. Chamará apenas, Máquina. Já papeamos sobre ele em uma sequência ótima de conversas que tivemos a algum tempo sobre inteligência artificial.

Pois bem. Estes artigos já tem mais de 2 anos! Porque não toquei mais no assunto? Porque o blogue tem estado abandonado tanto tempo? Porque o livro tem ficado abandonado tanto tempo?

Tenho mais explicado sobre isso nos últimos meses que publicado algo interessante. Então vai a explicação rápida: minha pós graduação mais minha pequena nova cria tem tirado meus pequenos momentos em que podia publicar aqui e escrever. Minha pequena continua em maior prioridade, mas a pós está praticamente terminada: enviei hoje a monografia pelo correio.

Vamos lá então com a primeira parte de “Máquina”:

Seu pensamento estava ainda turvo pelas curvas da viagem quando o apito do trem acordou-a para a realidade.
Em poucos minutos estava na beira dos trilhos em frente a uma pequena estação de metal enferrujado. Ao seu redor tudo indicava abandono: o mato crescia entre as pedras do calçamento que se estendia por poucos metros até sumir por trás dos arbustos. A mochila que carregava nas costas era pesada o suficiente para que seus olhos vasculhassem a direção de seu destino. A locomotiva já tinha os barulhos ofuscados pela brisa.

Tinha o corpo ossudo de seu pai com algumas curvas da mãe. Não era considerada bonita. Apenas ajeitada. Na média, como se diz. Mas os olhos, estes sim, sobressaíam. Eram azulados. Ou esmeralda escuro. Melhor: nenhuma cor podia defini-los com precisão. Eram preciosos. Estes olhos preciosos nunca foram devidamente elogiados. Os vinte poucos anos da dona foram vividos isolados, tanto quanto isso fosse possível. Talvez além do possível. Em toda sua vida conviveu apenas com seus pais, e mais um casal de professores que lhe deram a maior parte da educação. Quatro pessoas passaram diante de seus olhos em vinte anos. Em contraste a viagem que estava quase em seu fim fora um turbilhão de sensações. Em dois dias vira tantos tipos diferentes, sotaques e línguas que perdera a noção de seu lugar. Já não se achava em lugar algum. Pensava sobre isso e ponderava sobre o verdadeiro motivo de se achar perdida, quando um velho senhor lhe tocou os ombros:

-Não é sem tempo! Estávamos lhe aguardando ansiosamente!

Ele já lhe tirava a mochila das costas enquanto ela ainda tentava reconhecê-lo. Forçou os olhos para tentar ler entre as rugas. Sem dúvida era seu amigo professor, mas algo estava fora do lugar.

-Como o senhor envelheceu em tão pouco tempo?!

Depois que disse as palavras ruborizou-se imediatamente ao perceber o tamanho de sua gafe.

-Desculpe-me… – resmungou.

-Não se preocupe menina, realmente você precisará de mais explicações. Mas por enquanto venha comigo, vamos até seu novo lar.

Ela acompanhou o velho sem discutir. Mas seu pensamento continuou o que ele lhe disse: “o seu novo lar…”. Como se tivesse um antigo lar. Quando foi a última vez que teve um? Muitos anos… Sim, depois de anos ela não se sentia parte de lugar algum. Os olhos marejaram. A falta de seus pais lhe apertou o peito e ela se esforçou por tentar afugentar estas ideias. Como sempre.

De tão distraída com os pensamentos, não percebeu como foi parar dentro de uma saleta mal iluminada. Um ventilador de teto estava quebrado e empoeirado e as paredes encardidas. Uma cadeira antiga foi-lhe oferecida, e em uma mesa torta uma xícara de café quente.

-Beba. Isso vai lhe aquecer.

-Obrigada.

Dois grandes goles rolaram-lhe a garganta antes que voltasse a observar o seu velho amigo. Ele aparentava trinta anos mais velho do que a sua última visita. Desta vez tentou ser mais polida:

-O que lhe aconteceu? É evidente que não pode ter envelhecido tanto em pouco mais de dois meses…

-Querida. Você tem razão. Eu não poderia ter envelhecido tanto neste pequeno entretempo.

-Então me explique, o que houve com sua aparência?

-Esta é minha aparência. O que viu a dois meses é falso. Quer dizer, não é real.

Ela aproximou-se mais e olhou-o bem dentro dos olhos.

-O que quer dizer com falso? Você estava maquiado?

-Ana. Vou precisar lembrá-la sobre nossas aulas de filosofia. Lembra-se de Platão?

-Sim, claro. - Sua lembrança era nítida, uma vez que a fascinação que a filosofia lhe causara fora enorme.

-Sua visão que o mundo sensível era uma cópia do mundo das ideias e de como a realidade é verdadeira somente no mundo da ideias…

Ele falou mais sobre Platão e seus pensamentos sobre a realidade. No entanto ela não encontrou nenhuma relação entre isso e a condição de seu amigo. Já não seguia mais o raciocínio quando ele perguntou:

-O que acha que aconteceria se comprovássemos que ele tinha razão?

-Razão?Novamente ficou sem entender.

-Nós separamos completamente o mundo das ideias e o mundo dos sentidos. E você… bom você é a pioneira.

-Pioneira em que?

-Você é a primeira da nova espécie humana.

“Ele está louco!” ela pensou. A cada palavra que ele pronunciava ela entendia menos.

-Vou lhe contar uma história. Você logo vai entender.

continua…

A segunda parte está agendada para primeiro de junho. Até lá.

Hell’s Angels

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Chamada de Hell's Angels de Howard Hoghes

Chamada de Hell's Angels de Howard Hoghes

Assisti este filme surpreendente de 1930 dirigido por Howard Hughes. E mesmo com mais de 70 anos o filme ainda funciona.

Conheci o filme ao assisti outro: O Aviador de Martin Scorsese. Este segundo filme foi decisivo em minha história de uma maneira incrível, que talvez um dia eu conte por aqui. A primeira parte de Aviador conta a forma doida como Hughes filma o Hell’s Angels. Agora que consegui ver o filme de Hughes, dá pra entender a loucura do cara.

Segundo IMDb, 3 pilotos morreram durante a filmagem. Pudera: imagine 20, 30 aviões da primeira guerra mundial de verdade em uma batalha aérea ziguezagueando feito moscas. E tudo filmado por dezenas de câmeras! O resultado é aterrador!

Em um momento um avião ataca um armazém de armas que simplesmente explode fantasticamente, com pedaços enormes pulando em direção a câmera (que está no avião, aliás!) e o fogo faz os armazéns ao lado explodirem em cadeia. Isso sob o olhar inimigo em uma esquadrilha muito acima. Quando o comandante da esquadrilha percebe o ataque, manobra em uma descida rumo a avião dos protagonistas.

O suspense da batalha é constante.

Uma cena excelente de um zepellin, deixa até Spielberg no chinelo!

Compare para ver:

Trechos da Cena da batalha

O filme é claramente datado. Toda a melodramática história dos dois irmãos não convence. No entanto as batalhas aéreas valem cada minuto do filme.

Mais do papai babão!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Eu sou mesmo um romântico incorrigível.

Veja isso, o bebê não é a cara do papai:

Este é o segundo ultrasom do meu bebê, e ele está muito bem. Foi hoje pela manhã que ouvi a batida de seu coração pela primeira vez. Tô me sentindo!!

Obrigado novamente a todos que nos felicitaram pessoalmente, ou aqui no blog. Estamos muito felizes.

Pousos do Ônibus Espacial: idéia recorrente

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tinha visto este vídeo pelas internets da vida e pensei em separar para o blog. Perdi e nem pensei mais nisso. Mas quando me deparei com um Dejavu fui atrás:

Pouso do Ônibus Espacial em Avenida Movimentada:


http://www.youtube.com/watch?v=nWVc_jmuf7w

Pouso do Ônibus Espacial em um Canal:


http://www.youtube.com/watch?v=YvSSoascqVw

É, ou não é uma bela maneira de Detonar Tecnologia?