Arquivo da Categoria ‘Livros’

Máquina – Parte 11

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Segue a décima primeira parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui.
Recapitulando (com spoilers para quem não leu): Ana não é a mãe real de Eva e é destruída em fase decisiva para construção do Novo Simulador. Eva sobre danos no mesmo acidente, mas aparentemente volta de um coma curto. O Financiador chega de surpresa e permite que Eva participe mais próximo da equipe.

Eva deitou-se na maca indicada por Carter e esperou um pouco apreensiva o que viria a seguir.
-Bem, como eu lhe expliquei anteriormente você deverá sentir como se perdesse os sentidos. Ficará tudo nebuloso e escuro. A seguir verá uma luz forte e depois de algum tempo poderá ver pelas câmeras do robô.
Ela ainda fez uma cara incrédula, mas deu de ombros.
Carter continuou:
-Neste momento estamos testando apenas a interface visual. Você terá a visão do robô. Mas sou eu que vou controlá-lo. Você ouvirá minha voz explicando o que deverá fazer a seguir.
-Entendi. Só uma pergunta, eu vou sentir alguma coisa?
-Quando eu faço isso costumo sentir um pouco de náusea. Mas não temos ideia se isso será do mesmo modo para você.
Ela preparou-se para a ativação, enquanto Carter continuava a acionar os comandos.
Ela não conseguia controlar a ansiedade. No instante seguinte sua vista escureceu e aconteceu como ele havia dito: uma tontura e sentiu-se desmaiando.
Não demorou muito seus olhos voltaram a funcionar. Porém a visão era turva e de um ponto de vista estranho, como se ela fosse um tanto mais baixa. Uma voz metálica pareceu falar diretamente de sua mente:
-Eva, está me ouvindo?
Ela logo percebeu que era Carter:
-Sua voz soa tão estranho, parece um sintetizador de voz dos mais antigos.
-É uma voz padrão para gerar uma baixa taxa de dados. Eu estou digitando isso, não falando. Você está vendo alguma coisa agora?
-Estou sim. Parece que estou em um armazém. E… não sei se consigo explicar…
-O que foi Eva?
-Eu pareço estar muito baixa!
-É que já está vendo pelos olhos do Robô. Ele tem olhos em um nível mais próximo do chão. Além de usar uma lente olhos de peixe.
-É isso, tudo está distorcido. Como se eu olhasse por uma lente.
-Perfeito, Eva. Tudo certo até agora. Algum desconforto?
-Não mesmo. Não estou sentindo nada errado.
-Então vou indicar como pilotar o robô. Primeiro indique que quer se mover colocando as duas mãos com as palmas para cima. Isso avisa o sistema que o robô deverá acionar as rodas. Para ele se mover é bem simples, levantando uma das mãos, a direita ou a esquerda, o robô gira para o lado inverso. Levantando as duas mãos ao mesmo tempo o robô anda para frente, sem girar. Quanto mais alto você levanta mais rápido ele vai. As duas palmas para baixo aciona o freio.
-Acho que entendi.
-Agora vou colocar minha imagem em seu campo de visão e você poderá ver meus movimentos ao mesmo tempo que vê o robô.
Uma pequena tela apareceu diante dela como que flutuando a alguns metros. Na tela ela pode identificar a imagem das costas de Carter. Ele estava com os braços estendidos a frente do corpo.
-Vou começar – Carter indicou.
Ele moveu as palmas das mãos para cima e ela ouviu o som metálico de motores elétricos sendo acionados.
- As palmas para cima ligam os motores. – Eva repetiu. Não queria esquecer os movimentos depois,.
Carter então começou a controlar o robô movendo os braços para cima e para baixo. Eva via o ambiente em sua volta se movendo, como se ela estivesse sentada em um carrinho de compras sendo levada para um lado e para outro.
O robô deslizou para o outro canto do armazém e aproximou-se de uma caixa fechada. Carter posicionou o robô diante de marcadores na caixa.
-As duas mãos com as palmas para baixo desligam os motores. – Eva repetiu.
-Isso. Agora vamos ter que abrir a caixa. Para isso precisamos controlar os braços mecânicos do robô. Para indicar que queremos isso juntamos as palmas das mãos, assim.
Ele juntou as palmas das mãos e imediatamente os braços do robô entraram no campo de visão de Eva.
-As mãos do robô agora imitam os movimentos de sua mão… e observe que você sente a pressão nos dedos quando toca em algo.
Enquanto falava ele acionou um botão na caixa e esta começou a abrir automaticamente. No momento que ele tocou a caixa ela sentiu a pressão na ponto de seu dedo, como se ela tivesse realizado o movimento.
Dentro da caixa um dispositivo bem complexo, com vários fios e conectores do tamanho de um bola de basquete esperava para ser ativado.
-Veja, Eva. Este é uma das interfaces. Basta transportá-lo para o campo de conexão e encaixá-lo em um dos slots de conexão.
-Qualquer um deles?
-Sim. Em qualquer um deles. Antes de darmos início ao crescimento do novo simulador uma sala de conexão foi criada e preparada para se ligar ao núcleo inicial.
-Onde fica esta sala?
Carter sorriu, embora do ponto de vista dela, não pudesse ver.
-Fica abaixo da sala de controle. Vamos levar esta caixa até lá.
Ele acionou os braços mecânicos e segurou a interface a sua frente. Depois levantou acima de sua cabeça, para poder se movimentar pelos corredores sem a peça obstruir sua visão. No momento que levou as mão ao alto um pequeno sinal sonoro fez-se ouvir.
-Este sinal indica que os braços estão travados. Quanto atinjo os pontos máximos do movimento e mantenho por dois segundos, eles travam automaticamente. Isso permite que eu acione novamente as rodas.
-Então você não precisa ficar o caminho todo com os braços pra cima?
-Isso iria cansar a beça, não é?
Ela ficou pensando sobre os movimentos enquanto Carter começou a mover novamente o robô pelo armazém. Logo o robô cruzava os corredores.
-As linhas verdes no chão. São indicação do caminho para a sala de controle?
-Bem observado, Eva. Verde indica o caminho entre a sala de controle e o armazém. Vermelho é a rota de fuga. Assim por diante.
-Carter. E as outras cores? Este corredor está bem colorido. Quando entrei a primeira vez aqui foi uma das questões que eu gostaria mais de perguntar.
-No seu devido tempo, Eva. Por enquanto, a verde e a vermelha é o suficiente, para instalação das interfaces e para fugir em caso de problema.
-Você quer dizer, para salvar o robô, em caso de problema…
-Só temos quatro robôs a sua disposição. Sem eles você não terá nenhum acesso ao mundo real. Dois deles são específicos para manutenção dos outros. São menores e tem muitas ferramentas úteis.
-Então eu poderia consertá-los.
-Exato. E para garantir que sempre terá ao menos um disponível, são dois robôs de cada. Dois para trabalhos pesados e dois para manter os quatro em ordem. Uma área inteira do armazém possui peças sobressalentes para mantê-los por décadas.
-Haverá tempo para eu treinar a manutenção dos robôs?
-Não será necessário. Temos roteiros inteiros preparados para cada tipo de manutenção.
-E quando acabar uma peça? – Eva insistiu.
-Temos também roteiros para construção de cada peça. E material e ferramental completo para isso. Se um dia for necessário.
-Parece que vocês pensaram em tudo!
-Tudo depende de cada detalhe que pensarmos, Eva.
Enquanto discutiam eles entraram na sala de controle. Que naquele momento estava vazia. O robô foi posicionado em um canto sobre um sinalização verde no canto da sala. Assim que Carter desligou os motores o chão sobre o robô começou a descer. Era um elevador. Eva se sobressaltou assustada.
-Está tudo bem, não se assuste.
O elevador levou-o para o piso abaixo da sala de controle.
-Veja, esta sala possui em sua paredes estas portas.
A sala estava bem iluminada. Eva observou que cada parede do pequeno cubículo possuía quatro portas com botões.
-Dezesseis slots de conexão. Não dá pra conectar muita gente ao novo simulador. – observou Eva.
-Não é necessário. Usaremos apenas cinco interfaces: a minha, a de Luis, Claudius e do financiador.
-Não seriam quatro então?
Ele apertou o botão na primeira porta no canto da parede e ela se abriu. Encaixou então a interface no slot e afastou-se. A porta fechou em seguida deixando a sala como estava antes de chegarem.
-Errado, você está esquecendo de você, Eva.
Naquele instante ela sentiu uma pontada na cabeça e sua vista escureceu tão rápido quanto ela parecia rodopiar até sumir em um abismo sombrio.

E a trama está armada. Estava com grandes dúvidas sobre o andamento deste livro, sobre o desenrolar do mesmo. Tinha um projeto para final, mas o roteiro até lá estava um pouco obscuro. Enquanto revisada este capítulo e iniciava o seguinte parei um pouco para rever tudo que escrevi e preparar um roteiro descente para a história. Felizmente agora já posso seguir com tranquilidade uma vez que as maiores, e piores decisões já estão tomadas…

Máquina – Parte 10

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Segue a décima parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui.

A mensagem do Financiador chegou no dia seguinte, logo depois dos últimos testes. Ele queria uma inédita conversa com os pesquisadores. Claudius e Luis estavam na sala de controle acompanhando o crescimento assustador do Novo Simulador e debatiam o motivo de tal conversa:
-Provavelmente os relatórios que chegaram a ele o deixaram nervoso. O que acha Luis?
-Já passamos muitos problemas sem que ele convocasse qualquer reunião. Ele deve estar possesso.
-Temos boas novas para ele não é? Então relaxa. Como está o crescimento?
-O Novo Simulador continua crescendo a taxas improváveis. Aquele ritmo que diminuiu após o crescimento rápido inicial reverteu-se e agora está acelerando cada vez mais. É impossível fazer qualquer estimativa. Não sei se isso é uma boa notícia.
-É uma ótima notícia para o Financiador. O que ele espera ouvir é que consigamos montar uma grande simulação, com níveis de detalhes cada vez mais precisos.
-Claudius. Você parece sentir prazer em enganá-lo assim.
-Ele é quem quer ser enganado, Don Juan.
-Não me chame assim. Não aqui.
Um silêncio constrangedor tomou conta da sala.
Depois de algum tempo Claudius retomou:
-Precisamos avisar que o projeto Gênesis está em dia. As novas interfaces devem ser instaladas o quanto antes. Precisamos carregar o sistema operacional e os dados do simulador antigo.
-Então poderemos nos ligar ao Novo Simulador e desligarmos este aqui. Assim teremos energia suficiente para o passo final.
-Temos que deixar o Financiador informado de todos os detalhes até este ponto. O firewall está funcionando corretamente?
-Os relatórios estão indo completos agora. – replicou Luis – Mas assim que iniciarmos a transferência de Eva, eles serão bloqueados. Estou cuidando para que os dados sejam gravados em área protegida.
Claudius coçou a têmpora.
-Espero que o firewall funcione.
Neste instante o homem com terno preto bem cortado, sapatos lustrados, e óculos escuros entra na saleta:
-Um firewall, Claudius? Precisamos mesmo disso?
Sua voz era possante e ríspida. Facilmente a autoridade era reforçada por ela. Seu porte alto e elegância também o deixavam mais temível.
Claudius olhou para Luis antes de começar a gaguejar:
-Nós, nós vamos precisar sim, senhor Financiador.
Retirando os óculos e abrindo bem os grandes olhos azul-claros, o Financiador aproximou-se e encarou os dois pesquisadores tentando ler seus olhos assustados.
-Precisamos garantir a segurança na porta de entrada. É seu desejo ligar-se a grande rede pública. – pensou rápido Luis.
-Isso já estava no projeto a tempos, rapaz. O firewall pode não funcionar?
-Não existe esta possibilidade – disse de maneira enfática Luis.- Claudius é muito centralizador, o senhor sabe. Quer só garantir que a parte que não lhe cabe no projeto funcione corretamente.
-Não estou aqui por isso. Me preocupa os últimos relatórios. Qual a profundidade dos danos no meu cérebro eletrônico?
-Eva… digo, seu cérebro está bem senhor. Houve um pequeno dano em algumas células mas nada incomum. Como se ela caísse do cavalo e batesse a cabeça no chão.
-Muitos morreram ou ficaram retardados ao cair de um cavalo. Você tem certeza que tudo está bem?
O Financiador tinha um olhar duro e sua voz parecia cortar o ar e a coragem dos pesquisadores.
-Veja por si mesmo. – E Claudius abriu espaço para que ele observasse de perto seu terminal. – Aqui está Eva e Carter. Ele está fazendo um conjunto de testes de inteligência com ela e também percepção sensorial e coordenação motora. Ela está se saindo tão bem como sempre.
-Vocês foram muito imprudentes. Aquela queda de energia quase destruiu todo o projeto. Isso não pode se repetir.
-E não se repetirá. A última grande demanda de energia já foi realizada. O Novo Simulador está consumindo e produzindo energia por si só. É um sistema estável e logo não vai mais utilizar a energia que usamos para iniciar o processo de replicação. Quando liberar toda esta energia poderemos ligar as interfaces e nos conectar ao novo simulador.
-As novas interfaces acabaram de chegar, eu mesmo monitorei a entrega.
O Financiador voltou a encará-los. E desta vez ainda mais incisivamente:
-O que estão me escondendo? – disse diretamente.
Luis sentiu um arrepio lhe percorrendo a espinha. Claudius abaixou a cabeça e começou a falar:
-O Senhor é mesmo perspicaz. Não lhe contamos tudo.
-E o que está esperando para contar?
Luis fez um olhar quase desesperado e Claudius continuou:
-Nós precisaremos de mais tempo. Os robôs simulados, Ana e todos os ajudantes aqui foram destruídos.
Luis suspirou aliviado. Achou que o segredo de Eva seria revelado.
-Não temos tempo Claudius. Minha imagem simulada é esta, mas minha verdadeira aparência já está velho demais para sair da cama. A doença está avançando em mim e logo não terei forças para mais nada.
-Eu sei, Financiador. E estamos fazendo o possível.
Então a feição de Claudius mudou em um quase sorriso:
-Tive uma ideia! Podemos usar os serviços de Eva enquanto sua transferência não for realizada.
-Se ela puder ajudar, use-a. Logo ela não existirá mesmo. Mas nada de atrasos. E mais uma coisa: não me escondam nada. Eu sou responsável por cada parafuso deste projeto existir. Se eu desistir vocês não terão um centavo para seus novos brinquedos.
-Desculpe-me novamente senhor. – repetiu Claudius.
E então o Financiador saiu.
Luis foi ainda até a porta para ver se o Financiador tinha ido embora realmente. Não vendo ninguém no corredor voltou para Claudius:
-Você se saiu bem.
-Ainda bem que pensei rápido. Tinha que lhe contar alguma coisa, ele sabia que estávamos escondendo algo. Espero que ele engula esta. E não volte aqui tão cedo.
-Ele me mete medo. Credo. Parecia que ia nos bater, sei lá…
-Será que sua verdadeira imagem ia te deixar assim tão assustado?
Os dois ainda conversavam quando Eva e Carter entraram na Sala de Controle.
-Estavam falando de quem? – Eva perguntou curiosa.
-O Financiador, veio saber sobre o incidente de ontem. – respondeu Luis.
-Mas ele nunca falou com os pesquisadores antes!
-Mas sem a equipe completa aqui no simulador, teríamos que mudar os planos, e ele veio combinar como faríamos. – rapidamente respondeu Claudius. – Ele propôs que você seja mais ativa, que também nos ajude nas próximas fases. Quando todos estavam ligados ao simulador você poderia ser só um expectadora.
-Mas com somente três pares de mãos a coisa mudou. – ela concluiu. – Estou a disposição, cavalheiros. O que posso fazer para ser útil?
Os três doutores olharam-se e começaram a discutir:
-Podemos colocá-la para monitorar o crescimento do Novo Simulador. – pensou Luis.
-Ou, para ligar as interfaces. O Financiador nos informou que elas já estão disponíveis. – retrucou Claudius.
Ela sorriu e sugeriu:
-E eu trabalhasse na preparação da transferência de minha memória para o novo simulador?
Carter sorriu:
-Justamente o que não é possível. Você vai estar desacordada durante esta preparação!
-O melhor é ela ligar as interfaces. Assim ela também poderá interagir um pouco fora da simulação. – concluiu por fim, Luis. – Isso será importante caso ela tenha que fazer algo lá fora.
-E como eu poderia sair da simulação? – disse Eva assombrada.
-Você não pode sair. Mas, você pode usar um robô!
Luis chamou-a para perto e já acionou um comando no teclado. Uma imagem apresentou a área de armazenamento do Instituto. Dentro do armazém uma caixa do tamanho de um baú grande foi focalizada pela câmera.
-Veja ali, naquela caixa está o seu robô.
Eva sorriu, antecipando o que iria acontecer. Então Luis teclou um novo comando e a caixa começou a abrir ao som de motores elétricos. A caixa moveu-se e mudou de forma. Rodas ficaram visíveis e braços mecânicos. Um poste metálico telescópio foi subindo e de sua ponta dois pequenos fios com fibras óticas se moviam rápido de um lado para outro feito olhos.
-Venha controlar esta maravilha: – Luis disse empolgado. Mas Claudius interrompeu-o tomando a frente:
-Não Luis, quem vai treiná-la será Carter. Você ainda tem que terminar aquele trabalho de videoconferência. Quando ela terminar de instalar a primeira interface nós teremos que testar se seu trabalho ficou de acordo.
Contrariado, Luis voltou para seu teclado enquanto Eva seguiu com Carter para outra sala. Porém antes de sair, ela perguntou:
-Você vai preparar uma videoconferência para que eu possa falar com minha mãe?
Luis um pouco constrangido teve que mentir:
-Eu. Sim querida. Vamos ver se é possível que isso ocorra quando terminar seu trabalho.
Os olhos de Eva brilharam e ela saiu sorridente para sua nova missão.

Depois de um mês e nove dias sem publicar um capítulo do livro “Máquina”, eis aqui o novo capítulo. Estava entretido com os novos programas do Android e problemas particulares. Espero que adiante os próximos capítulos ainda esta semana.

Máquina – Parte 9

sábado, 1 de outubro de 2011

Segue a nona parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui.

-E então, quem vai começar a dizer o que aconteceu?

Eva não estava para amizade, um olhar tenso rapidamente destruiu o sorriso de Luis.

-Nós tivemos uma sobrecarga. Mas no momento tudo está sobre controle.

Ela continuou olhando fixadamente e sem muita pausa já remendou outra pergunta:

-Onde estão os outros? Minha mãe, os pesquisadores?

Neste momento Luis abaixou os olhos sem pensar em nenhuma outra ação. Mas Claudius adiantou-se controlando a situação:

-Nós tivemos uma falha nas interfaces entre nós e o Simulador e entre você e o Simulador. Tivemos que fazer algumas escolhas.

-Como assim? – com um olhar preocupado por sua mãe, Eva já não transmitia a mesma confiança.

-O nível de energia baixou a níveis alarmantes e tivemos que desativar a interface da maior parte de equipe. Ficamos só o pessoal imprescindível. Eu, Carter e Luis.

-E minha mãe?

Carter entendeu imediatamente a jogada de Claudius e começou a trabalhar:

-Infelizmente a interface dela não pode ser reativada. Estas interfaces são individualizadas e a dela foi totalmente danificada no processo de desativação. Ela não poderá retornar ao Simulador. Eu sinto muito…

-Em quanto tempo ela ficará fora?

Os três se entreolharam e desta vez Luis tomou a palavra:

-Sinto muito mesmo. Não haverá tempo para revê-la.

O rosto de Eva desfigurou-se em uma mistura de asco e ódio. Em fúria ela arrancou o teclado em sua frente e o lançou sem direção. Caiu em lágrimas.

Luis aproximou-se dela e tentou consolá-la.

-Não é bem assim. Poderemos colocá-la em videoconferência com ela. O que não será possível é que ela esteja com você aqui.

Isso foi suficiente para ela se conter.

-Venha comigo, você deve estar cansada.

Carter aproximou-se e a conduziu para fora da Central de Controle. Não sem antes lançar um olhar reprovando o que Luis acabara de dizer.

Quando os dois encontravam-se fora da sala, Luis correu, pegou o teclado do chão reinstalou no terminal usado por Eva a alguns segundos. Começou a digitar.

-Vejamos o resultado do teste completo…

Claudius aproximou-se para ler e não gostou do que viu.

-Aqui, – disse apontando na tela – parte dos neurônios foram comprometidos. Maldição. Descubra que área do cérebro foi afetada.

Luis nem precisou da ordem de Claudius. Nem havia visto o ponto de falha já estava teclando os comandos de detalhamento.

-Parte do Lobo Frontal. Uma pequena parte. Isso é péssimo.

-Teremos que discutir as consequências disso com Carter. Ele é o especialista em Cérebros.

Luis tinha a face triste e já saia cabisbaixo, quando Claudius o segurou:

-Você tem trabalho extra. Precisa acertar as imagens e a voz de Ana para a vídeo conferência. Quero isso pronto o mais rápido possível. Eu mesmo farei o papel dela. Não tinha que ter falado que isso era possível, nosso tempo está curto demais para perdermos com estas bobagens.

-Não acho que seja bobagem. Ana é o maior vínculo de Eva com a humanidade. Se ela estiver presente neste momento decisivo, poderá ajudá-la a encontrar seu caminho.

-Espero que ajude mesmo. Já perdemos tempo demais com a simulação da personalidade dela. Deveríamos ter feito as videoconferências deste o início.

-Claudius, você sabe que a simulação é muito mais convincente não é? Agora que ela tem a certeza que a mãe está viva, fica mais fácil para ela criar o vínculo, mesmo que seja por videoconferência.

-Está certo. Enquanto você prepara isso, deixe-me ver a quanto anda o novo simulador.

Claudius acionou novamente o telão, tomando o cuidado para ajustar a escala de brilho do detector de células inorgânicas. O telão rapidamente estava tomado pela cor branca intensa. Ele ajustou a escala de ampliação e logo era possível ver uma grande mancha branca semi arredondada no meio do telão. Ele ativou então uma régua de escala e uma linha milimetrada atravessou bem o centro da mancha.

-Já está com 3 quilômetros de extensão. O dobro do previsto para este tempo. Vejamos a densidade…

Nestas tecladas tentava obter a quantidade de células por metro quadrado. E quase caiu da cadeira quando o número quase estourou a escala:

-Um trilhão de células por metro quadrado e aumentando! Além de atingir um volume enorme ainda está mais de mil vezes mais denso do que tínhamos projetado. Uma conta rápida e já acho que está pronto para Eva.

-Não posso acreditar nisso, Claudius, tínhamos previsto quase um mês até que o novo Simulador tivesse poder de processar o pensamento dela.

-Então aperte os cintos que vou mandar calcular o poder de processamento desta gracinha.

Ele acionou por fim o comando na tela e quando ia cruzar os braços para esperar a resposta o número pulou na tela:

-Dez vezes, dez! E já está subindo… onze… É incrível!

-Dez vezes o que?

-Dez, não, onze vezes a Eva. Esta máquina já é capaz de simular onze Evas. E continua crescendo.

-Impressionante. Então já podemos começar a prepará-la para a grande mudança.

-Sim. Podemos preparar as novas interfaces deste simulador. E o grande armazém de dados dela já está pronto para ser transferido. Isso significa que temos que tomar a grande decisão que adiamos até agora…

-Devemos escolher até quando iremos copiar…

Luis coçou o queixo pensando sobre isso. E não tinha uma resposta certa.

-Acho que poderíamos ir até hoje. A noite quando ela for dormir desligamos o registro do armazém e começamos a transferência.

-Ou esperamos o plano de Carter de prepará-la antes. – Claudius também estava confuso.

-Se ele prepará-la antes e algo der errado na transferência podemos tentar de novo sem perder o treinamento.

-Se algo der errado na transferência não perdemos tempo em treiná-la de qualquer maneira. – Claudius já mais convencido.

-Temos pressa e esta parece ser uma boa ideia. Transferimos ela para o novo simulador e depois seguimos o treinamento.

Claudius pareceu concordar com isso. Embora ele fosse o mais crítico sobre a transferência.

-Se a transferência não funcionar partimos para o plano B. O que eu queria fazer desde o início.

-Não pode ser tão insensível a ponto de abandoná-la para a destruição embora ela esteja tão próxima da imortalidade.

Claudius sorriu malandramente e não poupou Luis da mais pura verdade:

-Ela está mesmo próximo disso, mas em compensação, você está a um passo da morte. Não existe como mudar isso Luis. Deixe-a ir.

Luis quase reagiu nervoso e chegou a ensaiar uma resposta grosseira, porém ele sabia que Claudius estava certo. Mesmo que ela tivesse todo o futuro pela frente, não seria junto dele.

Mais uma parte encerrada. Estou pensando em lançar uma promoção sobre o livro. Fiquem atentos.

 

Divagações sobre o livro Máquina

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Máquina

Olá pessoal,

Já escrevi mais dois capítulos do livro Máquina, e estou com mais dois capítulos prontos na minha cabeça. O que estão achando da publicação por aqui?

Estou pensando em deixar de publicá-lo no blog. Será que muita gente vai ficar brava?

Meu irmão comentou que imprimiu uns capítulos e distribuiu no ônibus. Se você leu por causa de meu irmão, um abraço. Ele também fez umas suposições furadas sobre o enredo e eu vou deixar pra ele uma mensagem. Quer dizer vou publicar abaixo um spoiler.

SPOILER (use o mouse para marcar e ver o que é:)

A mãe não vai morrer… rsrsrsrs

E quarta publico o próximo capítulo.

E um abraço meu irmão, bom saber que visita este blog de vez em quando.