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IA, auto-ajuda e auto-estima

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Esta é a terceira parte do concurso “Eu, Robo?”.
A primeira parte e a segunda estão aqui e aqui.

O bate papo sobre Inteligência Artificial está ficando interessantíssimo. Se você também está a fim de participar, é só ler as ideias dos outros leitores e formular e publicar as suas nos comentários dos artigos, ou em seu blog.

A você que já participou, muitíssimo obrigado. Graças a você a conversa está ficando riquíssima. Lembro que prêmio está de pé, e já tenho dois candidatos bem colocados.

Eu comecei a conversa, pois estou em fase de laboratório e pesquisa para escrever meu segundo romance. O primeiro, Vermelho Vivo, foi sobre uma viagem a Marte, e este novo é exatamente sobre IA.

Hoje quero propor outra abordagem sobre a discussão sobre IA. Supondo que um grande computador fosse construído, e este ganhasse consciência (esta é a premissa do livro que estou escrevendo):

  • Como seria a auto imagem de uma máquina assim?

Eu fico imaginando que a primeira destas máquinas seria um grande supercomputador ocupando um datacenter inteiro, ou mesmo vários deles interligados. Agora imagine o que a máquina iria pensar sobre si mesmo.

  • Como ela iria se comparar com as pessoas?

Parece estranho, mas se a máquina pensasse realmente, teríamos uma personalidade, com seus dilemas, baixa auto-estima, questões filosóficas e afins.

Acho que seria algo bem interessante de lidar.

  • Teríamos que arrumar algum analista para cuidar das neuroses da máquina?
  • <ironia>Seria legal a máquina ler livros de auto-ajuda? </ironia>

Deixem suas idéias sobre o comportamento e neuroses que uma IA poderia adquirir diante de sua condição diferente dos humanos.

Acho que esta abordagem será interessante para o Luís Fernando comentar… Vai lá xará!

Mais um Blog Especial

E esta série sobre IA está rendendo boas descobertas. Descobri mais um blog especial! O blog é Sinapse Oculta do Luis Fernando, pesquisador em Neurociências e estudante e praticante de Psicanálise no Núcleo Távola de Ribeirão Preto. O blog tem ênfase em psicanálise e ajudou muito a quebrar meu pequeno preconceito de Freud. Os textos dele são objetivos e claros, e altamente recomendados para quem tem interesse na área.

Quanto ao pequeno preconceito ao Freud, me defendo dizendo que meu pai é psicólogo de uma escola que não vê o Freud da mesma maneira que o Luis Fernando!

Meus hábitos de leitor

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sou um leitor apaixonado de livros, blogs e bulas de remédios. A minha vontade de ler mais e também de escrever me faz acompanhar alguns blogs sobre literatura. Dois deles eu gosto mais: Livroseafins.com Sudden Death release do Alessandro Martins e Lendo.org do André Gazola. Ambos publicaram recentemente um post sobre seus hábitos de leitores. Os dois tem hábitos parecidos, mas como os meus são bem diferentes, aqui vão eles:

  1. Eu me sinto culpado quando não termino de ler um livro. Acho que só deixei um único livro sem ir até o fim;
  2. Não gosto de emprestar livros. Se for para passar a leitura para frente eu doo;
  3. Tenho poucos livros na minha estante. Não costumo guardá-los muito tempo depois de terminar de ler;
  4. Estou tentando guardar os livros com mais cuidado, para uso de minhas filhas;
  5. Dou e doo livros raramente;
  6. Não costumo ler mais de um livro ao mesmo tempo;
  7. Gosto de ler o livro do início ao fim, acredito que o autor teve alguma motivação para colocar os capítulos em determinada ordem;
  8. Só compro livro que vou ler;
  9. Raramente compro livros, leio muitos e-books;
  10. Não gosto de comer enquanto leio. Costumo ler na cama, enquanto minha esposa se arruma para dormir;
  11. Não gosto de ler em lugares barulhentos, embora eu consiga. Prefiro um local quieto com uma boa luz;
  12. Ler em veículos que deixa nauseado, não dá;
  13. Me deixa doido quando tentam ler por cima de meus ombros;
  14. Gosto de ler, mas não gosto de carregar livros. Por isso os ebooks;
  15. Nunca tem livros em meu carro, meus livros ficam no criado-mudo;
  16. Leio com prazer infantil livros infantis, como o Alessandro. Gosto ainda mais de ler para minhas filhas e fazer a voz dos personagens!
  17. Adoro ler revistas e jornais. Porém faço somente quando encontro à mão em sala de esperas. Para o minha atualização uso  feeds, blogs, portais e outros meios.
  18. Livros em papel sempre me incomodaram pelo peso principalmente. Eu gosto de grandes livros com histórias longas e cheia de detalhes. Cansava-me rápido com o peso dos grandes volumes. Agora uso um netbook em meu colo e leio sem problemas longos livros. Aliás todos agora tem o mesmo peso!
  19. Não consigo ler em voz alta, quando estou sozinho. Adoro ler para minhas filhas.
  20. Fico possesso quando perco a página que eu parei. Sempre tomo muito cuidado para não perder o marcador;
  21. Este é idêntico ao Alessandro: “Às vezes, quando estou distraído ou com sono, percebo que passei os olhos por uma página inteira sem ter entendido bulhufas”
  22. Nunca li uma peça de teatro. Será que falei uma heresia? Morte e vida seferina está na estante e é uma das minhas próximas leituras;
  23. Entrei na biblioteca da minha cidade a alguns meses. Fui visitar o sebo. Aliás, adoro sebos, os livros que eu comprei são todos de sebos. Livros novos, só quando me dão de presente;
  24. Detesto quando me contam o final de um livro. O autor tem um trabalho enorme para criar as tensões e preparar o momento culminante de um livro, e vem um nó cego e nos faz saber antes o que vai acontecer?
  25. Eu até leio resenhas sobre livros, mas acho que o Alessandro está certo, isso sempre me atrapalha. Acho que vou parar com isso. Os textos das orelhas eu leio somente depois que terminei a leitura do livro.
  26. Não consigo fazer anotações em livros. Minha leitura é muito rápida e não gosto de nada que quebre a magia do envolvimento e minhas visões mentais. Parar para anotar algo parece absurdo, é o mesmo que estar vendo uma tourada e pedir para o touro esperar um segundo para que você anote a forma que o autor descreveu a vestimenta do matador. Não consigo;
  27. O único defeito físico em um livro que me aborrece é quanto faltam páginas!
  28. Não tenho preconceitos sobre literatura de massa e  best-seller;

Compare com os hábitos de leitura de Andréos hábitos de leitura do Alessandro e perceba como é possível ser apaixonado por leitura de várias maneiras diferentes!

Só mais uma historinha: meu primeiro grande livro foi Vinhas da Ira, de John Steinbeck. Um enorme livro de mais de trezentas páginas que foi consumido vorazmente por um pré adolescente de 10 anos em quatro dias de férias. Meu pai me estimulou a lê-lo dizendo que tinha um final péssimo, embora o miolo fosse excelente. Fiquei tão curioso pelo final que não consegui parar de ler. Eu concordo totalmente com a descrição que ele fez do livro. Alguém que já o leu, discorda?

Livro: Vermelho Vivo, Capítulo 10

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Estou prosseguindo com a publicação de mais um dos capítulos de meu livro Vermelho Vivo.
Para conhecer o tema do livro, e começar a leitura do início, clique aqui.

Para quem está ansioso pela demora dos capítulos, tenho uma ótima notícia: já terminei de escrever o livro inteiro. Ele será publicado e estará a venda neste blog nas próximas semanas. Está em fase de revisão e acabamento. Portanto, se não quiser esperar a publicação de cada capítulo, ou quer ter a obra em sua estante, prepare-se!

Para ler o livro desde o início comece em:
Leia os primeiros capítulos e compre o livro – prestigie o autor

Só para registrar quantos estão acompanhando e gostando do livro aqui no site, vou sortear um e-book da versão completa do livro entre aqueles que deixarem uma mensagem nos comentários deste capítulo. Para concorrer e conhecer primeiro de todos o desenlace desta história basta deixar uma mensagem nos comentários. Não esqueça de colocar um e-mail válido para que eu possa enviar o e-book.

Concepção Artística do pouso da sonda Phoenix em Marte. (2008) Crédito: NASA Mars Collecton

Concepção Artística do pouso da sonda Phoenix em Marte. (2008) Crédito: NASA Mars Collecton

Capítulo 10 – O Pouso da Phoenix

No centro de controle no JPL, acompanhávamos atentamente o momento do pouso da sonda. Dezenas de técnicos seguiam cada uma das fases do pouso de seus terminais, enquanto eu, Anna, Gavin, Reynaud e Won estávamos de pé no fundo da sala.

A sala de controle tinha o formato de uma rampa descendente e na parede da frente um grande telão apresentava várias informações e gráficos. Várias fileiras de mesas com telas de computadores estavam ocupadas por técnicos e engenheiros, cada um com suas atribuições e sua face tensa e concentrada. A decoração era toda em um azul berrante com alguns
logotipos espalhados.

Nós olhávamos tudo por cima dos ombros dos engenheiros enquanto ouvíamos as informações de um dos técnicos, responsável pela integração dos dados. Ele narrava cada uma das atividades com um entusiasmo crescente conforme os passos eram realizados.

-Ativação dos retrofoguetes, detectado;

Esta era a primeira ação: os retrofoguetes ativos provocavam a frenagem da nave que estava em órbita de Marte. A nave perderia altura e o atrito com a pequena atmosfera geraria um círculo vicioso.

-Cinco minutos para contato;

-Velocidade diminuindo em cinquenta por cento;

-Eliminação das amarrações, detectado;

-Ativar segundo nível de retrofoguetes, detectado;

A cada ação uma comemoração ainda tímida se ouvia. Gavin com os punhos serrados socava o ar impaciente. Anna permanecia sentada com a mão direita apoiando o queixo, com um olhar desdenhoso e em completo tédio. Achei aquilo estranhíssimo, porém meu nervosismo era tanto, que na hora nem pensei muito a respeito.

-Cinquenta metros e diminuindo;

-Paraquedas acionados, abertura detectada;

Esta ação arrancou palmas e alguns gritos mais efusivos;

-Um minuto para o contato;

-Trinta metros;

-Eliminação da capa de proteção, detectado;

-Acionar laser para medida de aproximação, detectado;

-Quinze metros;

-Remover proteção de trem de pouso, detectado;

-Dez metros;

-Acionar trem de pouso…

Um grande silvo agudo, seguido de apitos intermitentes como de um monitor cardíaco tomou conta da sala. Um sinal laranja piscou no telão em nossa frente. Todos levantaram os olhos para o telão. Gavin virou-se para um dos engenheiros que não tirou os olhos de seu monitor.

-Problemas com o trem de pouso, detectados;

-Cinco metros;

-Quatro metros;

Doutor Gavin, começou a gesticular enquanto berrava tentando ser ouvido pelo rádio. Eu toquei seu ombro para descobrir o que havia. Num gesto ele me afastou sem nem mesmo me olhar.

-Novo acionamento do trem de pouso…

-Problemas com o trem, detectados;

-Três metros;

-Dois;

-Dois e meio;

-Dois;

-Um e meio;

-Contato;

Todos fizeram um silêncio tenebroso. Somente o som do apito cortava a sala. Aguardamos os segundos seguintes até a definição. Eu levei minhas mãos ao rosto, torcendo pelo melhor. O sinal do rádio do responsável pela integração foi acionado e a resposta veio rápida:

-Sinais da sonda perdidos;

No mesmo instante o apito parou e o sinal laranja na tela mudou para vermelho. Uma exclamação de espanto e decepção ecoou pela sala.

Gavin arrancou o rádio e lançou no chão em um acesso de raiva.

-Perdemos todos os sinais de rádio;

-Sonda destruída no pouso. – e o técnico desligou seu rádio definitivamente.

Eu permaneci de pé por vários segundos. Um milhar de pensamentos desordenados tomou conta de meu cérebro. O chão sumiu embaixo de mim e eu senti minhas pernas tremendo. Sentei-me e não consegui ver nada ao meu redor.
Não sei quanto tempo fiquei ali desligado de tudo. Porém assim que me recobrei, olhei para os lados e tentei entender o que havia acontecido. Três anos do meu trabalho foram destruídos em uma fração de segundo. Nossas esperanças de termos nossas respostas imediatamente, foram frustradas.

Anna continuava impassível. A mão direita apoiando o queixo e o olhar entediado. Levantei-me indo em sua direção:

-O que há com você Anna? Não percebe o que acaba de acontecer? – eu disse em um acesso de fúria.

-Você é que não percebe Schumann. Você é que não percebe… – disse em um tom calmo e com autoridade. E ela deixou a sala sem nem mesmo olhar para trás. Andando devagar, como que me provocando.

Mister Won percebeu meu abatimento e me chamou para fora, enquanto todos na sala discutiam e recebiam ordens de Gavin para rever a telemetria e tentar descobrir o que havia acontecido.

Eu segui Won desanimado. E nem percebi que ele também estava tranquilo e seguro. No corredor ele começou a falar. Só depois dele dizer várias palavras eu comecei a realmente a ouvi-lo:

-… e não esperávamos nada diferente disso. Acha que quatro meses é o suficiente para um projeto desta complexidade? Pior: fizeram as escolhas erradas.

-Do que você está falando? Quem esperava este resultado?

-Eu esperava por isso. Anna também. Ela já participou do lançamento e pouso de outras sondas antes. Ela sabe que o pouso em Marte é traiçoeiro. Esta era uma sonda barata e de alto risco. Você ainda não tem experiência nesta área. Vai acostumar com as perdas.

-Espere aí, Won. E quanto a nós? Nosso pouso lá terá tantos riscos assim? Também poderemos nos espatifar no solo de Marte?

Won me olhou totalmente incrédulo.

-Carl. Você não entende mesmo não é? Nosso voo para Marte é quase um suicídio! Temos pouca chance de voltarmos com vida. Não acredito que você não tinha esta noção. -Ele falava e balançava a cabeça negativamente.

Eu senti minhas pernas novamente falharem. Ele percebeu e me apoiou e levou até um bebedouro onde me deu um pouco d’água.

-Não queria te assustar Carl. Mas, você sabe, ainda está em tempo de desistir. Você pode…

Desistir, este pensamento cruzou minha cabeça naquele instante. No entanto eu respondi:

-Não vou desistir. –e uma onda de coragem, ou idiotice, tomou conta de mim e me senti forte para enfrentar o medo que me paralisou. – Estaremos juntos em Marte, Won. Nem que seja para espatifarmos naquele monte de poeira vermelha.

Ele sorriu confiante:

-Só espero que este problema não atrase demais nossa missão.

Ficamos na Califórnia somente poucos dias após o acidente. O tempo suficiente para sabermos a causa: um dos sistemas de acionamento do trem de pouso falhou, causando o travamento dos outros. O impacto da sonda diretamente sobre o solo, apesar da pouca velocidade, deve ter causado o desligamento do equipamento.

A reação fria de Anna durante o pouso deixou-me totalmente irritado com ela. Eu não conseguia nem olhar para ela sem que uma raiva enorme me dominasse e fizesse afastar-me o mais rápido possível.

Uma raiva crescente tomava conta de mim, e piorava a cada vez que via ela e Won sorridentes pelos corredores do Laboratório.

Por fim, voltamos para Houston, para prosseguir com os treinamentos. O Diretor Gavin ficou de determinar o que faríamos a respeito: se lançaríamos uma nova sonda, ou nos arriscaríamos a uma viagem ao planeta Marte sem os dados conclusivos. Provavelmente a meta de irmos até a fim da década, ou não seria alcançada, ou teríamos que desistir de uma sonda.


Todos os direitos desta obra pertencem a Luís Eduardo Lima. email: contato_at_tecnoclasta.com

Para os leitores no site, isso é tudo. Se chegou até esta parte da história e quiser saber o desenlace, compre o livro e prestigie o autor.

Saiba mais e COMPRE O LIVRO Livro Vermelho Vivo

Livro: Vermelho Vivo, Capítulo 9

quinta-feira, 20 de novembro de 2008
.!.

Mais um capítulo do Livro Vermelho Vivo, de minha autoria.
Para ler o livro desde o início comece em:
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Presidente Nixon visita JSC com equipe da Apollo 13. (1970). Crédito: NASA Johnson Space Center

Presidente Nixon visita JSC com equipe da Apollo 13. (1970). Crédito: NASA Johnson Space Center

Capítulo 9 – Lançando o desafio

Finalmente começamos o treinamento para nos tornar astronautas. A bateria de testes físicos iniciais foi algo bem mais simples que eu imaginava. Exames clínicos comuns, um teste ergométrico em esteira, e uma tomografia completa. Todos gozávamos de perfeita saúde.

Pelo menos, saúde física. Quanto à saúde psicológica, bem, essa era outra história. Mas teríamos tempo para lidar com isso.

A primeira semana em Houston foi de grande animação e agitação. Conhecemos o local onde viveríamos os próximos dias, nossos novos instrutores e toda a infra-estrutura de treinamento.

O Presidente chegou no fim de semana seguinte e foi preparada uma coletiva de imprensa onde ele iria divulgar os termos da missão e nos apresentar. Seu discurso foi realmente inspirador, embora não todo verdadeiro. Era um dia de Sol e estávamos em um palco armado próximo a um dos lagos. As câmeras de todas as emissoras estavam lá presentes:

-Senhoras e senhores cidadãos deste país. Todos os presentes sabem que nós estamos nos preparando para uma nova conquista espacial. Desde o grande desafio de Kennedy para levarmos o homem à Lua, não tivemos momentos tão especiais. Momentos especiais e desafiadores.

-Eu era apenas um garotinho quando Armstrong disse aquelas palavras grandiosas: “Um pequeno passo para um Homem e Um grande passo para Humanidade”. Mas hoje é preciso um passo ainda maior. Chegou a hora de irmos mais longe. Conquistarmos e fincar nossos pés em um novo destino.

-A motivação para a conquista da Lua, pode até ter sido uma guerra fria, e uma corrida sem sentido. Porém, hoje somos todos aliados. Estão conosco representantes de todas as nações com tecnologia espacial.

-Estes mais de 50 anos sem visitarmos nossa companheira mais próxima, não representaram de forma alguma um atraso. Foi como uma inspiração antes do mergulho em águas mais profundas.

-Precisávamos dominar novas técnicas. Viver sem a gravidade é ainda um desafio. Mas estamos aprendendo.
-No próximo mês realizaremos uma nova visita a Lua. Seis de nossos melhores homens e mulheres irão pisar novamente naquele terreno poeirento.

-Mas desta vez isso será apenas um passo. Após ele iremos mais longe. Daremos o passo seguinte: Nós iremos a outro planeta.

-Estamos aqui, reunidos neste dia ensolarado, nesta tarde, para anunciar que a humanidade terá representantes pisando em Marte antes do fim da década! Nós o faremos.

Todos de pé ovacionavam o Presidente com uma calorosa salva de palmas. Ele fez um sinal para que parassem e prosseguiu:

-Queria lembrar a descoberta de Encélado. Esta pequena lua de Saturno, antes desconhecida de quase todos, tornou-se um lugar especial. Continuamos estudando todos os dados das sondas gêmeas. E novas informações podem aparecer ainda.

-Marte pode se tornar ainda mais especial. Com o que temos hoje de tecnologia, não podemos ainda ir visitar Encélado com nosso pessoal. Mas Marte está ali, próximo, possível. É o pássaro na mão.

-Gostaria de apresentá-lhes as pessoas que irão realizar este feito grandioso. Cada uma delas tem uma participação importantíssima na missão.

Levantamos os seis, e o Presidente nos apresentou:

-Estes são os representantes das nações amigas, que estão partilhando conosco deste momento mágico:

-Mister Liwei Won, engenheiro espacial, responsável por navegação, engenharia e pela participação chinesa no projeto;

-Doutora Claire Sophie, astronauta e engenheira, representando a agência europeia;

-Doutora Anna Ivanova, bioengenheira, participante da nação russa, irá realizar os experimentos mais importantes junto com o representante americano:

-Doutor Carl Schumann, biólogo, responsável pelos equipamentos e experimentos para a detecção de vida em Marte.

Não consegui me conter diante da apresentação. Minha emoção foi muito grande. Finalmente senti o peso da responsabilidade em minhas costas. Por sorte, eu não iria dizer nada, pois com certeza, gaguejaria.

-Por fim, quero apresentar dois de nossos melhores astronautas, respectivamente Comandante e Piloto da nave:

-Capitão Jayson Palmer e John Albert.

-Devo informar que ambos também estão escalados para o primeiro voo para Lua do projeto Constelation, que será realizado daqui alguns meses.

Neste momento o público aplaudiu ainda mais e os flashes das câmeras não paravam de ofuscar nossos olhos.

Bem ao meu lado, o Capitão Palmer sussurrou sorrindo muito:

-O discurso do Kennedy foi muito melhor que esta porcaria. Não conseguiu sequer uma frase de efeito?! – bateu no meu ombro e continuou acenando com entusiasmo para os fotógrafos.

O Presidente nos cumprimentou um a um posando para fotos e saiu de lá sem demora em seu helicóptero presidencial.

Fiz mentalmente as contas, e percebi que o Presidente nos deu apenas quatro anos para visitarmos Marte.

Aquele momento, naquela mesa, seria a última vez que nos encontraríamos até a fase final do treinamento. Palmer, John Albert e Claire não iriam participar do treinamento básico conosco, uma vez que já o tinham realizado. Eu, Anna e Mister Won permanecemos em Houston, enquanto os outros se preparavam para o seu voo até a Lua. Nos despedimos e cada um seguiu seu rumo.

Nosso treinamento básico foi realizado junto com uma turma normal do processo de formação da NASA. Evidentemente éramos motivo de curiosidade nos primeiros dias. Mas logo todos se acostumaram conosco.

O curso iniciou com muito estudo teórico, onde aprendíamos ciência, matemática, e muito sobre a tecnologia espacial. Estudamos os efeitos da falta de gravidade no organismo e o que deveríamos fazer para combater estes problemas.

Basicamente estudávamos em salas de aulas comuns durante grande parte do dia, e no fim da tarde realizávamos uma série de exercícios físicos para estarmos preparados para a viagem.

Não conseguimos manter contato direto entre nós três, devido à intensa carga de treinamento. Na verdade, eu mal consegui trocar duas ou três palavras com Anna durante estes seis meses. Eu a observava de longe e via o quanto ainda guardava seu luto. Uma tristeza sem fim tomava conta de seu semblante durante o tempo todo.

O Dr. Peter Martin continuava ligando para saber as novidades. Era reconfortante ouvir sua voz amiga e poder discutir o andamento do treinamento e expor minhas dúvidas e preocupações.

Iniciamos também o tratamento com um psicoterapeuta. Eu achei muito difícil falar sobre mim e minhas neuroses. Eu nunca havia feito terapia e para mim parecia algo totalmente inútil.

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Os seis meses passaram voando e terminamos esta fase do treinamento com ótimo rendimento e prontos para voltar à Califórnia e colocar a sonda Phoenix 2 para funcionar.

Durante o último mês antes de retornarmos, ficou claro que se para mim a terapia foi inútil, para Anna foi muito diferente: ela foi livrando-se da dor e da mágoa, e pareceu outra pessoa no retorno ao JPL.

Porém ela permanecia resistente à minha aproximação. E ficou claro que era algo pessoal, já que ela e Mister Won tornaram-se bons amigos. Muitas vezes no ginásio de esportes observei os dois conversando e sorrindo, enquanto se exercitavam na esteira. Confesso que não fiquei nada contente com isso. Meu coração parecia queimar-se ao vê-los juntos.

Ainda teríamos muito tempo de treinamento pela frente. Mas os seis meses de viagem da Phoenix até Marte já tinham passado e teríamos que analisar os seus resultados.

Voltamos ao JPL, em Pasadena, Califórnia para os momentos mais decisivos para o projeto até aquele ponto. Nossa sonda seria posta à prova e poderíamos ver o resultado de nosso trabalho.


Todos os direitos desta obra pertencem a Luís Eduardo Lima. email: contato_at_tecnoclasta.com

Continua…
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