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	<title>Tecnoclasta &#187; Diversão e Arte</title>
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	<description>Astronomia, Astronáutica e Detonando Tecnologia.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 23:27:12 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Documentário sobre Arthur C. Clarke no YouTube</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 15:58:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronáutica]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Arthur C. Clarke é um dos meus escritores preferidos de Ficção Científica. Em sua obra destaca-se a série Odisséia (2001, 2010, 2061, 3001) que li com muito entusiasmo a alguns anos. Recomendadíssimo. Em minhas paradas na internet me deparei com um documentário de uma hora sobre este grande escritor, divirtam-se: Arthur Clarke, da ficção ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<div id="attachment_4449" class="wp-caption alignnone" style="width: 653px"><a href="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2012/02/Arthurcclarke.jpg"><img class="size-full wp-image-4449 " title="Arthur C. Clarke" src="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2012/02/Arthurcclarke.jpg" alt="Arthur C. Clarke" width="643" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Arthur C. Clarke de &quot;2001 uma Odisseia no Espaço&quot;</p></div>
<p>Arthur C. Clarke é um dos meus escritores preferidos de Ficção Científica. Em sua obra destaca-se a série Odisséia (2001, 2010, 2061, 3001) que li com muito entusiasmo a alguns anos. Recomendadíssimo.</p>
<p>Em minhas paradas na internet me deparei com um documentário de uma hora sobre este grande escritor, divirtam-se:</p>
<blockquote><p>Arthur Clarke, da ficção ao espaço sideral<br />
Escrito por Márcio R. Mendes, J. Ildefonso P. de Souza e Pepe Chaves</p>
<p>Documentário em duas partes sobre vida e obra do escritor britânico Arthur C. Clarke, abordando sua influência e colaboração ao desenvolvendo de novas tecnologias. A primeira parte traça um perfil desse escritor britânico; aborda &#8220;2001, uma odisseia no espaço&#8221;, sua mais consagrada criação, além de outras obras.</p>
<p>A segunda parte desse documentário destaca &#8220;as três leis de Clarke&#8221;, apresenta considerações sobre o projeto do Elevador Espacial e traz um pronunciamento de Arthur Clarke gravado no final de 2007 pela TVE Asia-Pacific, com tradução ao português.</p>
<p>Programa INFOZINE nr. 02 &#8211; 30/10/2011-TV Fanzine &#8211; BH/MG</p>
<p>ASSISTA ÀS DUAS PARTES:<br />
Parte 1: <a title="http://www.youtube.com/watch?v=L3ufHmo3H1g" dir="ltr" href="http://www.youtube.com/watch?v=L3ufHmo3H1g" rel="nofollow" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=L3ufHmo3H1g</a><br />
Parte 2: <a title="http://www.youtube.com/watch?v=Qtj3RBQkT8U" dir="ltr" href="http://www.youtube.com/watch?v=Qtj3RBQkT8U" rel="nofollow" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=Qtj3RBQkT8U</a></p>
<p>Produção e direção: Pepe Chaves<br />
© Copyright 2004-2011, Pepe Arte Viva Ltda.</p>
</blockquote>
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		<title>Lançamento: Ebook Vermelho Vivo Grátis só hoje! </title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 14:45:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Vermelho Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Bom dia! Hoje é o grande dia do lançamento do livro Vermelho Vivo em formato ebook na Amazon. E para você que ainda está acompanhando este blog por aqui, aproveite, porque hoje o ebook está de graça. Na faixa, custo zero. Esta é mais uma oportunidade para você ler um escritor amador e novato, eu. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<div id="attachment_2730" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2009/07/capapequena.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-2730 " style="margin: 5px;" title="Livro Vermelho Vivo" src="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2009/07/capapequena-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Livro Vermelho Vivo</p></div>
<p>Bom dia!</p>
<p>Hoje é o grande dia do lançamento do livro Vermelho Vivo em formato ebook na Amazon.</p>
<p>E para você que ainda está acompanhando este blog por aqui, aproveite, porque hoje o ebook está de graça. Na faixa, custo zero. Esta é mais uma oportunidade para você ler um escritor amador e novato, eu.</p>
<p><a title="Vermelho Vivo (Portuguese Edition) by Luis Eduardo Lima" href="http://amzn.com/B0074WEGVQ">Vermelho Vivo por Luis Eduardo Lima na Amazon de Graça</a></p>
<p>Só hoje 6 de fevereiro de 2012: Vermelho Vivo ebook de graça.</p>
<p><a title="Leitores de ebook gratuitos." href="http://www.amazon.com/gp/feature.html/?ie=UTF8&amp;docId=1000493771">E para quem não tem Kindle, leitor de ebook, a Amazon possui programas gratuitos para ler ebooks para Windows ou  celular/tablet Android, ou iPhone ou iPad, Blackberry e Windows Phone 7.</a></p>
<p>Se não tem nenhum dispositivo desta lista, você pode ler diretamente pelo navegador:  <a href="https://read.amazon.com/">https://read.amazon.com/</a></p>
<p>Obrigado e boa leitura!</p>
<p>____________________________________________________________________________________________</p>
<p>Atualização:</p>
<p>Obrigado gente, amazon já registrou alguns downloads do meu Livro. Primeiros leitores já estão com o ebook.</p>
<p>Só para registrar: adoraria que algum dos leitores fizessem um review do livro no site da Amazon assim que terminar de lê-lo. Um abraço.</p>
<p>Promoção encerrada, mas o livro continua por um preço incrível: US$2,99.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;<br />
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		<title>Vermelho Vivo e Prof Luis Eduardo são destaque no Clube de Autores</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 23:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Veja que novidade: fui destaque esta semana no site Clube de Autores onde são vendidos meu livro Vermelho Vivo. O livro também esteve presente no ranking semanal. Veja o registro: Obrigado a todos que acompanharam o livro aqui no blog e também os que compraram no site e me permitiram este pequeno destaque! E se [...]]]></description>
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				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.tecnoclasta.com%2F2012%2F02%2F03%2Fvermelho-vivo-e-prof-luis-eduardo-sao-destaque-no-clube-de-autores%2F&amp;source=tecnoclasta&amp;style=normal&amp;service=is.gd&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p>Veja que novidade: fui destaque esta semana no site Clube de Autores onde são vendidos meu livro Vermelho Vivo. O livro também esteve presente no ranking semanal. Veja o registro:</p>
<p><a href="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2012/02/destaque.png"><img class="size-full wp-image-4432 alignnone" title="Destaque no Clube de Autores" src="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2012/02/destaque.png" alt="" width="679" height="869" /></a></p>
<p>Obrigado a todos que acompanharam o livro aqui no blog e também os que compraram no site e me permitiram este pequeno destaque!</p>
<p>E se você ainda não tem o livro aproveite e vá dar uma olhada. <a title="Livro: Vermelho Vivo" href="http://www.tecnoclasta.com/livro-vermelho-vivo/">Minha página especial sobre o livro Vermelho Vivo</a> permite você ver todas as possibilidade de compra.</p>
<p><a title="Ok, recado recebido… Obrigado e continuem aparecendo." href="http://www.tecnoclasta.com/2012/02/03/ok-recado-recebido-obrigado-e-continuem-aparecendo/">Ou aguarde a próxima segunda (6/2/2012) que o ebook estará de graça no relançamento na Amazon.</a><br />
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		<title>Ok, recado recebido&#8230; Obrigado e continuem aparecendo.</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 16:40:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Desculpe o post doido de ontem: Alguém ainda lê isso?. Mas eu estava um muito desanimado em escrever. E como os únicos retornos que eu recebo são sobre o Curso de Java e Asp.net, estava mesmo pensando em fechar este blog. Quer dizer, o curso ia ficar online, mas eu não ia mais me preocupar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.tecnoclasta.com%2F2012%2F02%2F03%2Fok-recado-recebido-obrigado-e-continuem-aparecendo%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.tecnoclasta.com%2F2012%2F02%2F03%2Fok-recado-recebido-obrigado-e-continuem-aparecendo%2F&amp;source=tecnoclasta&amp;style=normal&amp;service=is.gd&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p>Desculpe o post doido de ontem: <a href="http://www.tecnoclasta.com/2012/02/02/alguem-ainda-le-isso">Alguém ainda lê isso?</a>. Mas eu estava um muito desanimado em escrever. E como os únicos retornos que eu recebo são sobre o Curso de Java e Asp.net, estava mesmo pensando em fechar este blog. Quer dizer, o curso ia ficar online, mas eu não ia mais me preocupar em atualizar isso.</p>
<p>Porém logo depois de publicar este post resolvi dar uma revisão nas minhas coisas e vi que meu livro <a title="Livro: Vermelho Vivo" href="http://www.tecnoclasta.com/livro-vermelho-vivo/">Vermelho Vivo</a> continua sem um lançamento adequado. Então decidi preparar um lançamento aqui no blog.</p>
<div id="attachment_2730" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2009/07/capapequena.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-2730 " style="margin: 5px;" title="Livro Vermelho Vivo" src="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2009/07/capapequena-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Livro Vermelho Vivo</p></div>
<p>E lançamento de livro meu tem que ter promoção! E a promoção é a seguinte: durante a segunda-feira (6/2/12) vou colocar meu livro (ebook) na faixa e totalmente de graça na loja Amazon:</p>
<p><a title="Vermelho Vivo (Portuguese Edition) by Luis Eduardo Lima" href="http://amzn.com/B0074WEGVQ">Vermelho Vivo por Luis Eduardo Lima na Amazon</a></p>
<p>Quem perder (ou perdeu) a promoção saiba que o livro continuará lá por Us$ 2,99. Uma pechincha! E se preferir ler um pouco antes de comprar, a Amazon permite baixar um pedaço grande do livro para saber se realmente vale o preço.</p>
<p>Para quem pegar o livro de graça gostaria de pedir que faça um Review na Amazon sobre o livro. Esse é o meu único pedido para que eu possa fazer estas promoções de novo com o próximo livro também.</p>
<p>E de novo, obrigado pela presença.<br />
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		<title>Máquina – Parte 11</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 20:52:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a décima primeira parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui. Recapitulando (com spoilers para quem não leu): Ana não é a mãe real de Eva e é destruída em fase decisiva para construção do Novo Simulador. Eva sobre danos no mesmo acidente, mas aparentemente volta de um coma [...]]]></description>
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<p>Segue a décima primeira parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">a primeira parte aqui</a>.<br />
Recapitulando (com spoilers para quem não leu): Ana não é a mãe real de Eva e é destruída em fase decisiva para construção do Novo Simulador. Eva sobre danos no mesmo acidente, mas aparentemente volta de um coma curto. O Financiador chega de surpresa e permite que Eva participe mais próximo da equipe.</p>
<blockquote><p>Eva deitou-se na maca indicada por Carter e esperou um pouco apreensiva o que viria a seguir.<br />
-Bem, como eu lhe expliquei anteriormente você deverá sentir como se perdesse os sentidos. Ficará tudo nebuloso e escuro. A seguir verá uma luz forte e depois de algum tempo poderá ver pelas câmeras do robô.<br />
Ela ainda fez uma cara incrédula, mas deu de ombros.<br />
Carter continuou:<br />
-Neste momento estamos testando apenas a interface visual. Você terá a visão do robô. Mas sou eu que vou controlá-lo. Você ouvirá minha voz explicando o que deverá fazer a seguir.<br />
-Entendi. Só uma pergunta, eu vou sentir alguma coisa?<br />
-Quando eu faço isso costumo sentir um pouco de náusea. Mas não temos ideia se isso será do mesmo modo para você.<br />
Ela preparou-se para a ativação, enquanto Carter continuava a acionar os comandos.<br />
Ela não conseguia controlar a ansiedade. No instante seguinte sua vista escureceu e aconteceu como ele havia dito: uma tontura e sentiu-se desmaiando.<br />
Não demorou muito seus olhos voltaram a funcionar. Porém a visão era turva e de um ponto de vista estranho, como se ela fosse um tanto mais baixa. Uma voz metálica pareceu falar diretamente de sua mente:<br />
-Eva, está me ouvindo?<br />
Ela logo percebeu que era Carter:<br />
-Sua voz soa tão estranho, parece um sintetizador de voz dos mais antigos.<br />
-É uma voz padrão para gerar uma baixa taxa de dados. Eu estou digitando isso, não falando. Você está vendo alguma coisa agora?<br />
-Estou sim. Parece que estou em um armazém. E&#8230; não sei se consigo explicar&#8230;<br />
-O que foi Eva?<br />
-Eu pareço estar muito baixa!<br />
-É que já está vendo pelos olhos do Robô. Ele tem olhos em um nível mais próximo do chão. Além de usar uma lente olhos de peixe.<br />
-É isso, tudo está distorcido. Como se eu olhasse por uma lente.<br />
-Perfeito, Eva. Tudo certo até agora. Algum desconforto?<br />
-Não mesmo. Não estou sentindo nada errado.<br />
-Então vou indicar como pilotar o robô. Primeiro indique que quer se mover colocando as duas mãos com as palmas para cima. Isso avisa o sistema que o robô deverá acionar as rodas. Para ele se mover é bem simples, levantando uma das mãos, a direita ou a esquerda, o robô gira para o lado inverso. Levantando as duas mãos ao mesmo tempo o robô anda para frente, sem girar. Quanto mais alto você levanta mais rápido ele vai. As duas palmas para baixo aciona o freio.<br />
-Acho que entendi.<br />
-Agora vou colocar minha imagem em seu campo de visão e você poderá ver meus movimentos ao mesmo tempo que vê o robô.<br />
Uma pequena tela apareceu diante dela como que flutuando a alguns metros. Na tela ela pode identificar a imagem das costas de Carter. Ele estava com os braços estendidos a frente do corpo.<br />
-Vou começar – Carter indicou.<br />
Ele moveu as palmas das mãos para cima e ela ouviu o som metálico de motores elétricos sendo acionados.<br />
- As palmas para cima ligam os motores. &#8211; Eva repetiu. Não queria esquecer os movimentos depois,.<br />
Carter então começou a controlar o robô movendo os braços para cima e para baixo. Eva via o ambiente em sua volta se movendo, como se ela estivesse sentada em um carrinho de compras sendo levada para um lado e para outro.<br />
O robô deslizou para o outro canto do armazém e aproximou-se de uma caixa fechada. Carter posicionou o robô diante de marcadores na caixa.<br />
-As duas mãos com as palmas para baixo desligam os motores. &#8211; Eva repetiu.<br />
-Isso. Agora vamos ter que abrir a caixa. Para isso precisamos controlar os braços mecânicos do robô. Para indicar que queremos isso juntamos as palmas das mãos, assim.<br />
Ele juntou as palmas das mãos e imediatamente os braços do robô entraram no campo de visão de Eva.<br />
-As mãos do robô agora imitam os movimentos de sua mão&#8230; e observe que você sente a pressão nos dedos quando toca em algo.<br />
Enquanto falava ele acionou um botão na caixa e esta começou a abrir automaticamente. No momento que ele tocou a caixa ela sentiu a pressão na ponto de seu dedo, como se ela tivesse realizado o movimento.<br />
Dentro da caixa um dispositivo bem complexo, com vários fios e conectores do tamanho de um bola de basquete esperava para ser ativado.<br />
-Veja, Eva. Este é uma das interfaces. Basta transportá-lo para o campo de conexão e encaixá-lo em um dos slots de conexão.<br />
-Qualquer um deles?<br />
-Sim. Em qualquer um deles. Antes de darmos início ao crescimento do novo simulador uma sala de conexão foi criada e preparada para se ligar ao núcleo inicial.<br />
-Onde fica esta sala?<br />
Carter sorriu, embora do ponto de vista dela, não pudesse ver.<br />
-Fica abaixo da sala de controle. Vamos levar esta caixa até lá.<br />
Ele acionou os braços mecânicos e segurou a interface a sua frente. Depois levantou acima de sua cabeça, para poder se movimentar pelos corredores sem a peça obstruir sua visão. No momento que levou as mão ao alto um pequeno sinal sonoro fez-se ouvir.<br />
-Este sinal indica que os braços estão travados. Quanto atinjo os pontos máximos do movimento e mantenho por dois segundos, eles travam automaticamente. Isso permite que eu acione novamente as rodas.<br />
-Então você não precisa ficar o caminho todo com os braços pra cima?<br />
-Isso iria cansar a beça, não é?<br />
Ela ficou pensando sobre os movimentos enquanto Carter começou a mover novamente o robô pelo armazém. Logo o robô cruzava os corredores.<br />
-As linhas verdes no chão. São indicação do caminho para a sala de controle?<br />
-Bem observado, Eva. Verde indica o caminho entre a sala de controle e o armazém. Vermelho é a rota de fuga. Assim por diante.<br />
-Carter. E as outras cores? Este corredor está bem colorido. Quando entrei a primeira vez aqui foi uma das questões que eu gostaria mais de perguntar.<br />
-No seu devido tempo, Eva. Por enquanto, a verde e a vermelha é o suficiente, para instalação das interfaces e para fugir em caso de problema.<br />
-Você quer dizer, para salvar o robô, em caso de problema&#8230;<br />
-Só temos quatro robôs a sua disposição. Sem eles você não terá nenhum acesso ao mundo real. Dois deles são específicos para manutenção dos outros. São menores e tem muitas ferramentas úteis.<br />
-Então eu poderia consertá-los.<br />
-Exato. E para garantir que sempre terá ao menos um disponível, são dois robôs de cada. Dois para trabalhos pesados e dois para manter os quatro em ordem. Uma área inteira do armazém possui peças sobressalentes para mantê-los por décadas.<br />
-Haverá tempo para eu treinar a manutenção dos robôs?<br />
-Não será necessário. Temos roteiros inteiros preparados para cada tipo de manutenção.<br />
-E quando acabar uma peça? &#8211; Eva insistiu.<br />
-Temos também roteiros para construção de cada peça. E material e ferramental completo para isso. Se um dia for necessário.<br />
-Parece que vocês pensaram em tudo!<br />
-Tudo depende de cada detalhe que pensarmos, Eva.<br />
Enquanto discutiam eles entraram na sala de controle. Que naquele momento estava vazia. O robô foi posicionado em um canto sobre um sinalização verde no canto da sala. Assim que Carter desligou os motores o chão sobre o robô começou a descer. Era um elevador. Eva se sobressaltou assustada.<br />
-Está tudo bem, não se assuste.<br />
O elevador levou-o para o piso abaixo da sala de controle.<br />
-Veja, esta sala possui em sua paredes estas portas.<br />
A sala estava bem iluminada. Eva observou que cada parede do pequeno cubículo possuía quatro portas com botões.<br />
-Dezesseis slots de conexão. Não dá pra conectar muita gente ao novo simulador. &#8211; observou Eva.<br />
-Não é necessário. Usaremos apenas cinco interfaces: a minha, a de Luis, Claudius e do financiador.<br />
-Não seriam quatro então?<br />
Ele apertou o botão na primeira porta no canto da parede e ela se abriu. Encaixou então a interface no slot e afastou-se. A porta fechou em seguida deixando a sala como estava antes de chegarem.<br />
-Errado, você está esquecendo de você, Eva.<br />
Naquele instante ela sentiu uma pontada na cabeça e sua vista escureceu tão rápido quanto ela parecia rodopiar até sumir em um abismo sombrio.</p></blockquote>
<p>E a trama está armada. Estava com grandes dúvidas sobre o andamento deste livro, sobre o desenrolar do mesmo. Tinha um projeto para final, mas o roteiro até lá estava um pouco obscuro. Enquanto revisada este capítulo e iniciava o seguinte parei um pouco para rever tudo que escrevi e preparar um roteiro descente para a história. Felizmente agora já posso seguir com tranquilidade uma vez que as maiores, e piores decisões já estão tomadas&#8230;<br />
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		<title>Máquina &#8211; Parte 10</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 22:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a décima parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui. A mensagem do Financiador chegou no dia seguinte, logo depois dos últimos testes. Ele queria uma inédita conversa com os pesquisadores. Claudius e Luis estavam na sala de controle acompanhando o crescimento assustador do Novo Simulador e debatiam o [...]]]></description>
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<p>Segue a décima parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">a primeira parte aqui</a>.</p>
<blockquote><p>A mensagem do Financiador chegou no dia seguinte, logo depois dos últimos testes. Ele queria uma inédita conversa com os pesquisadores. Claudius e Luis estavam na sala de controle acompanhando o crescimento assustador do Novo Simulador e debatiam o motivo de tal conversa:<br />
-Provavelmente os relatórios que chegaram a ele o deixaram nervoso. O que acha Luis?<br />
-Já passamos muitos problemas sem que ele convocasse qualquer reunião. Ele deve estar possesso.<br />
-Temos boas novas para ele não é? Então relaxa. Como está o crescimento?<br />
-O Novo Simulador continua crescendo a taxas improváveis. Aquele ritmo que diminuiu após o crescimento rápido inicial reverteu-se e agora está acelerando cada vez mais. É impossível fazer qualquer estimativa. Não sei se isso é uma boa notícia.<br />
-É uma ótima notícia para o Financiador. O que ele espera ouvir é que consigamos montar uma grande simulação, com níveis de detalhes cada vez mais precisos.<br />
-Claudius. Você parece sentir prazer em enganá-lo assim.<br />
-Ele é quem quer ser enganado, Don Juan.<br />
-Não me chame assim. Não aqui.<br />
Um silêncio constrangedor tomou conta da sala.<br />
Depois de algum tempo Claudius retomou:<br />
-Precisamos avisar que o projeto Gênesis está em dia. As novas interfaces devem ser instaladas o quanto antes. Precisamos carregar o sistema operacional e os dados do simulador antigo.<br />
-Então poderemos nos ligar ao Novo Simulador e desligarmos este aqui. Assim teremos energia suficiente para o passo final.<br />
-Temos que deixar o Financiador informado de todos os detalhes até este ponto. O firewall está funcionando corretamente?<br />
-Os relatórios estão indo completos agora. &#8211; replicou Luis – Mas assim que iniciarmos a transferência de Eva, eles serão bloqueados. Estou cuidando para que os dados sejam gravados em área protegida.<br />
Claudius coçou a têmpora.<br />
-Espero que o firewall funcione.<br />
Neste instante o homem com terno preto bem cortado, sapatos lustrados, e óculos escuros entra na saleta:<br />
-Um firewall, Claudius? Precisamos mesmo disso?<br />
Sua voz era possante e ríspida. Facilmente a autoridade era reforçada por ela. Seu porte alto e elegância também o deixavam mais temível.<br />
Claudius olhou para Luis antes de começar a gaguejar:<br />
-Nós, nós vamos precisar sim, senhor Financiador.<br />
Retirando os óculos e abrindo bem os grandes olhos azul-claros, o Financiador aproximou-se e encarou os dois pesquisadores tentando ler seus olhos assustados.<br />
-Precisamos garantir a segurança na porta de entrada. É seu desejo ligar-se a grande rede pública. &#8211; pensou rápido Luis.<br />
-Isso já estava no projeto a tempos, rapaz. O firewall pode não funcionar?<br />
-Não existe esta possibilidade – disse de maneira enfática Luis.- Claudius é muito centralizador, o senhor sabe. Quer só garantir que a parte que não lhe cabe no projeto funcione corretamente.<br />
-Não estou aqui por isso. Me preocupa os últimos relatórios. Qual a profundidade dos danos no meu cérebro eletrônico?<br />
-Eva&#8230; digo, seu cérebro está bem senhor. Houve um pequeno dano em algumas células mas nada incomum. Como se ela caísse do cavalo e batesse a cabeça no chão.<br />
-Muitos morreram ou ficaram retardados ao cair de um cavalo. Você tem certeza que tudo está bem?<br />
O Financiador tinha um olhar duro e sua voz parecia cortar o ar e a coragem dos pesquisadores.<br />
-Veja por si mesmo. &#8211; E Claudius abriu espaço para que ele observasse de perto seu terminal. &#8211; Aqui está Eva e Carter. Ele está fazendo um conjunto de testes de inteligência com ela e também percepção sensorial e coordenação motora. Ela está se saindo tão bem como sempre.<br />
-Vocês foram muito imprudentes. Aquela queda de energia quase destruiu todo o projeto. Isso não pode se repetir.<br />
-E não se repetirá. A última grande demanda de energia já foi realizada. O Novo Simulador está consumindo e produzindo energia por si só. É um sistema estável e logo não vai mais utilizar a energia que usamos para iniciar o processo de replicação. Quando liberar toda esta energia poderemos ligar as interfaces e nos conectar ao novo simulador.<br />
-As novas interfaces acabaram de chegar, eu mesmo monitorei a entrega.<br />
O Financiador voltou a encará-los. E desta vez ainda mais incisivamente:<br />
-O que estão me escondendo? &#8211; disse diretamente.<br />
Luis sentiu um arrepio lhe percorrendo a espinha. Claudius abaixou a cabeça e começou a falar:<br />
-O Senhor é mesmo perspicaz. Não lhe contamos tudo.<br />
-E o que está esperando para contar?<br />
Luis fez um olhar quase desesperado e Claudius continuou:<br />
-Nós precisaremos de mais tempo. Os robôs simulados, Ana e todos os ajudantes aqui foram destruídos.<br />
Luis suspirou aliviado. Achou que o segredo de Eva seria revelado.<br />
-Não temos tempo Claudius. Minha imagem simulada é esta, mas minha verdadeira aparência já está velho demais para sair da cama. A doença está avançando em mim e logo não terei forças para mais nada.<br />
-Eu sei, Financiador. E estamos fazendo o possível.<br />
Então a feição de Claudius mudou em um quase sorriso:<br />
-Tive uma ideia! Podemos usar os serviços de Eva enquanto sua transferência não for realizada.<br />
-Se ela puder ajudar, use-a. Logo ela não existirá mesmo. Mas nada de atrasos. E mais uma coisa: não me escondam nada. Eu sou responsável por cada parafuso deste projeto existir. Se eu desistir vocês não terão um centavo para seus novos brinquedos.<br />
-Desculpe-me novamente senhor. &#8211; repetiu Claudius.<br />
E então o Financiador saiu.<br />
Luis foi ainda até a porta para ver se o Financiador tinha ido embora realmente. Não vendo ninguém no corredor voltou para Claudius:<br />
-Você se saiu bem.<br />
-Ainda bem que pensei rápido. Tinha que lhe contar alguma coisa, ele sabia que estávamos escondendo algo. Espero que ele engula esta. E não volte aqui tão cedo.<br />
-Ele me mete medo. Credo. Parecia que ia nos bater, sei lá&#8230;<br />
-Será que sua verdadeira imagem ia te deixar assim tão assustado?<br />
Os dois ainda conversavam quando Eva e Carter entraram na Sala de Controle.<br />
-Estavam falando de quem? &#8211; Eva perguntou curiosa.<br />
-O Financiador, veio saber sobre o incidente de ontem. &#8211; respondeu Luis.<br />
-Mas ele nunca falou com os pesquisadores antes!<br />
-Mas sem a equipe completa aqui no simulador, teríamos que mudar os planos, e ele veio combinar como faríamos. &#8211; rapidamente respondeu Claudius. &#8211; Ele propôs que você seja mais ativa, que também nos ajude nas próximas fases. Quando todos estavam ligados ao simulador você poderia ser só um expectadora.<br />
-Mas com somente três pares de mãos a coisa mudou. &#8211; ela concluiu. &#8211; Estou a disposição, cavalheiros. O que posso fazer para ser útil?<br />
Os três doutores olharam-se e começaram a discutir:<br />
-Podemos colocá-la para monitorar o crescimento do Novo Simulador. &#8211; pensou Luis.<br />
-Ou, para ligar as interfaces. O Financiador nos informou que elas já estão disponíveis. &#8211; retrucou Claudius.<br />
Ela sorriu e sugeriu:<br />
-E eu trabalhasse na preparação da transferência de minha memória para o novo simulador?<br />
Carter sorriu:<br />
-Justamente o que não é possível. Você vai estar desacordada durante esta preparação!<br />
-O melhor é ela ligar as interfaces. Assim ela também poderá interagir um pouco fora da simulação. &#8211; concluiu por fim, Luis. &#8211; Isso será importante caso ela tenha que fazer algo lá fora.<br />
-E como eu poderia sair da simulação? &#8211; disse Eva assombrada.<br />
-Você não pode sair. Mas, você pode usar um robô!<br />
Luis chamou-a para perto e já acionou um comando no teclado. Uma imagem apresentou a área de armazenamento do Instituto. Dentro do armazém uma caixa do tamanho de um baú grande foi focalizada pela câmera.<br />
-Veja ali, naquela caixa está o seu robô.<br />
Eva sorriu, antecipando o que iria acontecer. Então Luis teclou um novo comando e a caixa começou a abrir ao som de motores elétricos. A caixa moveu-se e mudou de forma. Rodas ficaram visíveis e braços mecânicos. Um poste metálico telescópio foi subindo e de sua ponta dois pequenos fios com fibras óticas se moviam rápido de um lado para outro feito olhos.<br />
-Venha controlar esta maravilha: &#8211; Luis disse empolgado. Mas Claudius interrompeu-o tomando a frente:<br />
-Não Luis, quem vai treiná-la será Carter. Você ainda tem que terminar aquele trabalho de videoconferência. Quando ela terminar de instalar a primeira interface nós teremos que testar se seu trabalho ficou de acordo.<br />
Contrariado, Luis voltou para seu teclado enquanto Eva seguiu com Carter para outra sala. Porém antes de sair, ela perguntou:<br />
-Você vai preparar uma videoconferência para que eu possa falar com minha mãe?<br />
Luis um pouco constrangido teve que mentir:<br />
-Eu. Sim querida. Vamos ver se é possível que isso ocorra quando terminar seu trabalho.<br />
Os olhos de Eva brilharam e ela saiu sorridente para sua nova missão.</p></blockquote>
<p>Depois de um mês e nove dias sem publicar um capítulo do livro &#8220;Máquina&#8221;, eis aqui o novo capítulo. Estava entretido com os novos programas do Android e problemas particulares. Espero que adiante os próximos capítulos ainda esta semana.<br />
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 23:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a nona parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui. -E então, quem vai começar a dizer o que aconteceu? Eva não estava para amizade, um olhar tenso rapidamente destruiu o sorriso de Luis. -Nós tivemos uma sobrecarga. Mas no momento tudo está sobre controle. Ela continuou olhando fixadamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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<p>Segue a nona parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">a primeira parte aqui</a>.</p>
<blockquote><p>-E então, quem vai começar a dizer o que aconteceu?</p>
<p>Eva não estava para amizade, um olhar tenso rapidamente destruiu o sorriso de Luis.</p>
<p>-Nós tivemos uma sobrecarga. Mas no momento tudo está sobre controle.</p>
<p>Ela continuou olhando fixadamente e sem muita pausa já remendou outra pergunta:</p>
<p>-Onde estão os outros? Minha mãe, os pesquisadores?</p>
<p>Neste momento Luis abaixou os olhos sem pensar em nenhuma outra ação. Mas Claudius adiantou-se controlando a situação:</p>
<p>-Nós tivemos uma falha nas interfaces entre nós e o Simulador e entre você e o Simulador. Tivemos que fazer algumas escolhas.</p>
<p>-Como assim? &#8211; com um olhar preocupado por sua mãe, Eva já não transmitia a mesma confiança.</p>
<p>-O nível de energia baixou a níveis alarmantes e tivemos que desativar a interface da maior parte de equipe. Ficamos só o pessoal imprescindível. Eu, Carter e Luis.</p>
<p>-E minha mãe?</p>
<p>Carter entendeu imediatamente a jogada de Claudius e começou a trabalhar:</p>
<p>-Infelizmente a interface dela não pode ser reativada. Estas interfaces são individualizadas e a dela foi totalmente danificada no processo de desativação. Ela não poderá retornar ao Simulador. Eu sinto muito&#8230;</p>
<p>-Em quanto tempo ela ficará fora?</p>
<p>Os três se entreolharam e desta vez Luis tomou a palavra:</p>
<p>-Sinto muito mesmo. Não haverá tempo para revê-la.</p>
<p>O rosto de Eva desfigurou-se em uma mistura de asco e ódio. Em fúria ela arrancou o teclado em sua frente e o lançou sem direção. Caiu em lágrimas.</p>
<p>Luis aproximou-se dela e tentou consolá-la.</p>
<p>-Não é bem assim. Poderemos colocá-la em videoconferência com ela. O que não será possível é que ela esteja com você aqui.</p>
<p>Isso foi suficiente para ela se conter.</p>
<p>-Venha comigo, você deve estar cansada.</p>
<p>Carter aproximou-se e a conduziu para fora da Central de Controle. Não sem antes lançar um olhar reprovando o que Luis acabara de dizer.</p>
<p>Quando os dois encontravam-se fora da sala, Luis correu, pegou o teclado do chão reinstalou no terminal usado por Eva a alguns segundos. Começou a digitar.</p>
<p>-Vejamos o resultado do teste completo&#8230;</p>
<p>Claudius aproximou-se para ler e não gostou do que viu.</p>
<p>-Aqui, &#8211; disse apontando na tela &#8211; parte dos neurônios foram comprometidos. Maldição. Descubra que área do cérebro foi afetada.</p>
<p>Luis nem precisou da ordem de Claudius. Nem havia visto o ponto de falha já estava teclando os comandos de detalhamento.</p>
<p>-Parte do Lobo Frontal. Uma pequena parte. Isso é péssimo.</p>
<p>-Teremos que discutir as consequências disso com Carter. Ele é o especialista em Cérebros.</p>
<p>Luis tinha a face triste e já saia cabisbaixo, quando Claudius o segurou:</p>
<p>-Você tem trabalho extra. Precisa acertar as imagens e a voz de Ana para a vídeo conferência. Quero isso pronto o mais rápido possível. Eu mesmo farei o papel dela. Não tinha que ter falado que isso era possível, nosso tempo está curto demais para perdermos com estas bobagens.</p>
<p>-Não acho que seja bobagem. Ana é o maior vínculo de Eva com a humanidade. Se ela estiver presente neste momento decisivo, poderá ajudá-la a encontrar seu caminho.</p>
<p>-Espero que ajude mesmo. Já perdemos tempo demais com a simulação da personalidade dela. Deveríamos ter feito as videoconferências deste o início.</p>
<p>-Claudius, você sabe que a simulação é muito mais convincente não é? Agora que ela tem a certeza que a mãe está viva, fica mais fácil para ela criar o vínculo, mesmo que seja por videoconferência.</p>
<p>-Está certo. Enquanto você prepara isso, deixe-me ver a quanto anda o novo simulador.</p>
<p>Claudius acionou novamente o telão, tomando o cuidado para ajustar a escala de brilho do detector de células inorgânicas. O telão rapidamente estava tomado pela cor branca intensa. Ele ajustou a escala de ampliação e logo era possível ver uma grande mancha branca semi arredondada no meio do telão. Ele ativou então uma régua de escala e uma linha milimetrada atravessou bem o centro da mancha.</p>
<p>-Já está com 3 quilômetros de extensão. O dobro do previsto para este tempo. Vejamos a densidade&#8230;</p>
<p>Nestas tecladas tentava obter a quantidade de células por metro quadrado. E quase caiu da cadeira quando o número quase estourou a escala:</p>
<p>-Um trilhão de células por metro quadrado e aumentando! Além de atingir um volume enorme ainda está mais de mil vezes mais denso do que tínhamos projetado. Uma conta rápida e já acho que está pronto para Eva.</p>
<p>-Não posso acreditar nisso, Claudius, tínhamos previsto quase um mês até que o novo Simulador tivesse poder de processar o pensamento dela.</p>
<p>-Então aperte os cintos que vou mandar calcular o poder de processamento desta gracinha.</p>
<p>Ele acionou por fim o comando na tela e quando ia cruzar os braços para esperar a resposta o número pulou na tela:</p>
<p>-Dez vezes, dez! E já está subindo&#8230; onze&#8230; É incrível!</p>
<p>-Dez vezes o que?</p>
<p>-Dez, não, onze vezes a Eva. Esta máquina já é capaz de simular onze Evas. E continua crescendo.</p>
<p>-Impressionante. Então já podemos começar a prepará-la para a grande mudança.</p>
<p>-Sim. Podemos preparar as novas interfaces deste simulador. E o grande armazém de dados dela já está pronto para ser transferido. Isso significa que temos que tomar a grande decisão que adiamos até agora&#8230;</p>
<p>-Devemos escolher até quando iremos copiar&#8230;</p>
<p>Luis coçou o queixo pensando sobre isso. E não tinha uma resposta certa.</p>
<p>-Acho que poderíamos ir até hoje. A noite quando ela for dormir desligamos o registro do armazém e começamos a transferência.</p>
<p>-Ou esperamos o plano de Carter de prepará-la antes. &#8211; Claudius também estava confuso.</p>
<p>-Se ele prepará-la antes e algo der errado na transferência podemos tentar de novo sem perder o treinamento.</p>
<p>-Se algo der errado na transferência não perdemos tempo em treiná-la de qualquer maneira. &#8211; Claudius já mais convencido.</p>
<p>-Temos pressa e esta parece ser uma boa ideia. Transferimos ela para o novo simulador e depois seguimos o treinamento.</p>
<p>Claudius pareceu concordar com isso. Embora ele fosse o mais crítico sobre a transferência.</p>
<p>-Se a transferência não funcionar partimos para o plano B. O que eu queria fazer desde o início.</p>
<p>-Não pode ser tão insensível a ponto de abandoná-la para a destruição embora ela esteja tão próxima da imortalidade.</p>
<p>Claudius sorriu malandramente e não poupou Luis da mais pura verdade:</p>
<p>-Ela está mesmo próximo disso, mas em compensação, você está a um passo da morte. Não existe como mudar isso Luis. Deixe-a ir.</p>
<p>Luis quase reagiu nervoso e chegou a ensaiar uma resposta grosseira, porém ele sabia que Claudius estava certo. Mesmo que ela tivesse todo o futuro pela frente, não seria junto dele.</p></blockquote>
<p>Mais uma parte encerrada. Estou pensando em lançar uma promoção sobre o livro. Fiquem atentos.</p>
<p>&nbsp;<br />
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		<title>Divagações sobre o livro Máquina</title>
		<link>http://www.tecnoclasta.com/2011/09/26/divagacoes-sobre-o-livro-maquina/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 00:02:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá pessoal, Já escrevi mais dois capítulos do livro Máquina, e estou com mais dois capítulos prontos na minha cabeça. O que estão achando da publicação por aqui? Estou pensando em deixar de publicá-lo no blog. Será que muita gente vai ficar brava? Meu irmão comentou que imprimiu uns capítulos e distribuiu no ônibus. Se [...]]]></description>
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<div id="attachment_4331" class="wp-caption alignleft" style="width: 340px"><a href="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2011/09/cerebro1.jpg"><img class="size-full wp-image-4331" title="Máquina" src="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2011/09/cerebro1.jpg" alt="" width="330" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Máquina</p></div>
<p>Olá pessoal,</p>
<p>Já escrevi mais dois capítulos do livro Máquina, e estou com mais dois capítulos prontos na minha cabeça. O que estão achando da publicação por aqui?</p>
<p>Estou pensando em deixar de publicá-lo no blog. Será que muita gente vai ficar brava?</p>
<p>Meu irmão comentou que imprimiu uns capítulos e distribuiu no ônibus. Se você leu por causa de meu irmão, um abraço. Ele também fez umas suposições furadas sobre o enredo e eu vou deixar pra ele uma mensagem. Quer dizer vou publicar abaixo um spoiler.</p>
<p>SPOILER (use o mouse para marcar e ver o que é:)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">A mãe não vai morrer&#8230; rsrsrsrs</span></p>
<p>E quarta publico o próximo capítulo.</p>
<p>E um abraço meu irmão, bom saber que visita este blog de vez em quando.<br />
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		<title>Máquina &#8211; Parte 8</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2011 23:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a oitava parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja a primeira parte aqui. -Temos que continuar. &#8211; Claudius com uma voz ríspida interrompeu o momento entre mãe e filha. Carter lançou um olhar repreendendo-o e aproximou-se das duas: -Eva, infelizmente isso é certo. Não temos muito tempo e você ficará sozinha. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Segue a oitava parte de Máquina. Se não está acompanhando do começo ainda, veja <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">a primeira parte aqui</a>.</p>
<blockquote><p>-Temos que continuar. &#8211; Claudius com uma voz ríspida interrompeu o momento entre mãe e filha.</p>
<p>Carter lançou um olhar repreendendo-o e aproximou-se das duas:</p>
<p>-Eva, infelizmente isso é certo. Não temos muito tempo e você ficará sozinha. A não ser que&#8230;</p>
<p>Eva levantou o olhos rápido e segurou Carter com duas mãos:</p>
<p>-Tem algo que possa fazer sobre minha mãe.</p>
<p>Todos se entreolharam penosos.</p>
<p>-Não, Eva, nada sobre sua mãe e qualquer um de nós aqui. Estamos todos condenados. Mas você poderá ter companhia, se conseguirmos fazer a Fase Três funcionar.</p>
<p>Eva irritou-se e agitada tentou correr para fora da sala. Porém Ana segurou um de suas mãos e impediu-a.</p>
<p>-Filha, não temos tempo. Você precisa se controlar. Deixe a razão falar mais alto agora.</p>
<p>Carter continuou:</p>
<p>-Eva, por mais que seja duro pra você, para todos nós é ainda mais difícil. Mas não podemos parar agora. Claudius mostre a ela.</p>
<p>Claudius tomou a frente e chamou-a para um grande telão na parede. Teclando rapidamente a imagem mudou no telão apresentando uma pequena mancha brilhante no meio da tela preta.</p>
<p>-O que é isso Claudius?</p>
<p>-Gostaríamos que você estivesse aqui neste momento importante do projeto. Vamos iniciar a replicação do novo simulador. Esta pequena mancha são as células inorgânicas iniciais. Elas devem iniciar sua reprodução assim que liberarmos o catalizador. Isto passará a funcionar como o novo simulador.</p>
<p>Ana abriu bem os olhos e tentou focar o pequenino ponto brilhante.</p>
<p>-Meu pensamento passará a funcionar nesta nova máquina?</p>
<p>-Exatamente, Eva. Assim que a replicação atingir o tamanho adequado iremos transferir o processamento de seu cérebro eletrônico para o simulador.</p>
<p>Luis aproximou-se:</p>
<p>-Quer tomar as honras? Ali, aperte aquele pequeno botão na tela.</p>
<p>Eva aproximou-se da tela e esticou seu braço para apertar o botão. Antes encarou sua mãe, Claudius, Luis e Carter. Apertou rapidamente e um zumbido tomou conta do lugar.</p>
<p>Ela levou as mãos instintivamente aos ouvidos. O zumbido aumentou. No telão, rapidamente, a pequena luz aumentou rápido. Em segundos tomava metade da tela.</p>
<p>Claudius mantinha os olhos no telão com um sorriso no rosto. Luis com a testa franzida não escondia sua preocupação. Ana aproximava-se da filha quando ela se contorceu em dor com o zumbido que lhe rasgava a alma. O zumbido a esta hora já se transformou em um estrondo. No entanto só Eva podia ouvi-lo. Os outros repararam no que acontecia a ela, mas a replicação não era controlável. Luis foi o primeiro a reagir:</p>
<p>-Claudius, eu lhe disse que isso poderia acontecer&#8230; O que faremos?</p>
<p>A luz já tomava conta de todo o telão. E no meio da tela a intensidade da luz era cegante.</p>
<p>-Está tudo sobre controle Luis, deixe de medo homem.</p>
<p>-Você pois tudo a perder. Se o novo simulador utilizar energia demais irá destruí-la.</p>
<p>Neste momento a luz deu uma vacilada e piscou rapidamente. Um segundo depois um blecaute deixou tudo totalmente escuro.</p>
<p>Foram alguns minutos de completo silêncio e escuridão. Como se nada mais existisse.</p>
<p>Sem conseguir determinar o tempo que levou, Claudius ainda sonolento levantou-se, sentou-se em sua maca e e esfregava os olhos para tentar acordar. Então um vulto apareceu contra a luz e uma mão voou em um soco certeiro em seu rosto.</p>
<p>Claudius caiu da maca ao chão e sem esperar levou um chute nas costelas.</p>
<p>-Seu idiota. Eu lhe disse que isso aconteceria. Seu estúpido.</p>
<p>Reagindo a dor, Claudius tentou se proteger atrás da maca e com os pés tentou derrubar o oponente.</p>
<p>-Luis, pare com isso, você sabia dos riscos. Você sabia.</p>
<p>Luis ainda em fúria empurrou a maca para o lado e quando ia para cima de Claudius levou um chute que lhe fez bater a cabeça na parede e cair inconsciente.</p>
<p>A luz ainda estava vacilante. Claudius apoiou-se para levantar e aproximou-se para ver se Luis estava bem. Ao ver que ele estava apenas desacordado, correu pelos corredores sem pensar em mais nada.</p>
<p>Os corredores eram os mesmos, mas a decadência era ainda maior. Ele parou diante da grande porta da Sala de Controle.</p>
<p>-Espero que dê tempo&#8230;</p>
<p>Ao digitar a senha a porta abriu-se para ele. Não havia ninguém dentro da sala e tudo estava desligado.</p>
<p>Ele correu para o canto da sala onde se encontrava um painel fechado. Usou a chave que estava preso em seu cinto para abri-la e começou a ligar os disjuntores.</p>
<p>Primeiro acionou o principal no topo do painel. Um estalo característico seguido de eco tomou conta do lugar.</p>
<p>Olhou para os lados e tudo permanecia desligado.</p>
<p>-Vejamos. Devo começar por aqui.</p>
<p>Acionou novas chaves e o sistema começou a dar sinal de vida. Primeiro as luzes no alto da sala, depois um barulho baixo de ventoinhas.</p>
<p>Quando terminou, as telas já começavam a apresentar a carga dos sistemas.</p>
<p>Claudius não demorou a conseguir a imagem que queria. Em um monitor estava a mesma sala em que se encontrava. E na imagem estavam lá: Ana, Eva, Claudius e todos os outros. Estavam caídos no chão desacordados.</p>
<p>-A simulação, está funcionando.</p>
<p>Alguém aproximou-se por trás de Claudius:</p>
<p>-Ela está bem? Ela está bem?</p>
<p>Luis estava com a mão na cabeça, afagando a ferida de onde escorria um pouco de sangue.</p>
<p>-Estou quase lá, o sistema ainda não subiu. Desculpe-me por isso, mas achei que iria me matar.</p>
<p>-Se algo aconteceu a ela, eu vou matá-lo. Mas temos que ser rápidos agora.</p>
<p>-O simulador não parou. Está cem por cento funcional. O sistema de monitoração de Eva está carregando. Mais um minuto. Meu Deus, espero que tenhamos sorte.</p>
<p>-Não é questão de sorte, você sabe. Foi imprudência sua.</p>
<p>-Deixe de conversa. Vá verificar o novo simulador. Veja se continua replicando.</p>
<p>-Não acredito que ainda vai se preocupar com isso.</p>
<p>-Estamos todos mortos. Sem o novo simulador, ela também estará.</p>
<p>Luis, ainda que relutante, não poderia contestar, virou-se e começou a trabalhar. Ele teclava rapidamente e observava o telão desligado na parede. Enxugava o suor em sua testa enquanto praguejava baixinho e trincava os dentes.</p>
<p>-Noventa e cinco por cento. O monitoramento de Eva está quase lá.</p>
<p>-Aqui está, o novo simulador. &#8211; Luis terminou de dizer estas palavra e o última teclada fez seu pequeno barulho.</p>
<p>Uma luz insuportável tomou conta da sala. O telão apresentava uma intensidade inimaginável. Claudius levou as mãos aos olhos e Luis rapidamente, com os olhos fechados, acionou o teclado para que o telão desligasse.</p>
<p>Em outra pequena tela alguns números não deixavam dúvida:</p>
<p>-O novo simulador está em perfeito funcionamento e crescendo a uma taxa acima do esperado.</p>
<p>-Ótimo. Agora, Eva.</p>
<p>Claudius continuou digitando e finalmente a tela em sua frente começou a apresentar a interface padrão de monitoramento de Eva. Luis aproximou-se e observava a tela por sobre os ombros.</p>
<p>-Aqui. Funções vitais. Carregando.</p>
<p>-Ande logo – Luis estava totalmente descontrolado.</p>
<p>-Pronto. Veja, veja.</p>
<p>-Ela está bem!</p>
<p>-Mas está desacordada. Vamos ter que passar a rotina inteira de checagem. Isso vai levar algum tempo. Veja o que o log de informações diz sobre o evento.</p>
<p>Luis voltou ao teclado e começou a procurar o horário exato do blecaute.</p>
<p>-Aqui diz que houve uma instabilidade no fornecimento de energia. Uma sobrecarga. O sistema automaticamente desligou os equipamentos menos prioritários, enquanto os geradores reservas não estivessem ligados.</p>
<p>-Quais subsistemas foram desligados Luis?</p>
<p>-As interfaces. Primeiro a nossa interface com o simulador. Por isso acordamos da simulação. Mas ainda não foi suficiente.</p>
<p>-O que mais?</p>
<p>-Foi desligado a interface do simulador com Eva. E as simulações de pessoas também foram desligadas.</p>
<p>-Ana?</p>
<p>-Todos. Todos foram desligados.</p>
<p>-Onde está Carter? Vamos precisar dele. Quando ela voltar vamos precisar dele para explicar porque sua mãe sumiu de novo.</p>
<p>-Não é possível a gente reativá-la?</p>
<p>-Luis, você me irrita! Sem a reserva de energia que tínhamos fica impossível acionar uma nova simulação de personalidade. E levaria anos para que estivesse no ponto que ela estava.</p>
<p>-Vamos ter problemas com isso, Claudius. Vou ver se Carter está bem. Quanto tempo para a rotina de teste terminar?</p>
<p>-Dez minutos. Vai vê-lo, vou aproveitar para chegar os sistemas de energia. O novo simulador continua crescendo rápido, logo teremos novos problemas.</p>
<p>Luis saiu da sala de controle e seguiu de volta pelo corredor.</p>
<p>Era quase imperceptível a diferença da realidade que estava e a simulação de alguns minutos atrás. Talvez a única coisa que notava é sua miopia que lhe atrapalhava agora. Pensou em como era fácil corrigir uma falha de visão em um sistema simulado.</p>
<p>Entrou na saleta e amaca estava ainda jogada no chão. E foi até o canto na maca de Carter.</p>
<p>Ele parecia dormir. Seus cabelos grisalhos, e rosto enrugado não deixavam dúvidas sobre sua idade. Deveria ter mais de oitenta anos. As mãos cheias de manchas e a grande aliança dourada em seu dedo lhe chamou a atenção.</p>
<p>-Acorde velhinho, acorde.</p>
<p>Carter remexeu-se e num gemido acordou.</p>
<p>-O que aconteceu?</p>
<p>-Um blecaute desligou alguns sistemas. Aparentemente Eva está bem. Vamos até a sala de controle. Quer que lhe ajude?</p>
<p>-Peque a minha cadeira ali para mim, Luis.</p>
<p>Luis puxou a cadeira de roda para perto da maca e ajudou o velho homem a sentar.</p>
<p>-Deixe-me. &#8211; disse empurrando. Carter afastou-se rapidamente e tomou a frente deslizando a cadeira pelo assoalho.</p>
<p>“Pobre Carter”, pensou Luis. “Está preso a esta cadeira a tanto tempo&#8230; não o culpo por não querer sair do simulador”.</p>
<p>Quando Luis chegou a sala de comando, Claudius estava sobre a mesa calculando e anotando em uma folha grande.</p>
<p>-Segundo meus cálculos a taxa de crescimento do novo simulador está estabilizando no nível planejado. Houve um crescimento mais acelerado no início, mas agora está bem.</p>
<p>Luis um pouco mais aliviado não deixou de repreender o outro doutor:</p>
<p>-Culpa sua. Eu lhe disse que este tipo de replicação é imprevisível. Como está ela, o teste já terminou?</p>
<p>-Ela está bem. No momento seu cérebro entrou em modo emergência e ela ficará inconsciente por algum tempo.</p>
<p>-Ela está em coma, Claudius. &#8211; Carter replicou com uma voz rouca – Você sabe que o cérebro dela imita um humano em todos os detalhes. Ela entrou em coma para proteger o funcionamento de sua mente.</p>
<p>Luis voltou a franzir a testa:</p>
<p>-Ela voltará a tempo?</p>
<p>-”Ela voltará?”, seria uma pergunta mais adequada. &#8211; Claudius respondeu.</p>
<p>-O que faremos? &#8211; retrucou Luis.</p>
<p>Os três senhores se entreolharam, esperando que algum deles tivesse uma solução para o problema.</p>
<p>Até que Claudius insistiu:</p>
<p>-Vamos prosseguir com o programado. E rezar para que ela volte a tempo.</p>
<p>Sem ter mais o que fazer ali, os três voltaram para as macas na outra sala e deitaram-se.</p>
<p>-Todos prontos. Computador: acionar o sistema de interface.</p>
<p>-Sistema acionado – uma voz metálica respondeu.</p>
<p>Ao lado das macas um sistema automático ativou uma agulha para cada um e em segundos eles estava desacordados e sedados.</p>
<p>Quando Claudius abriu novamente os olhos estava de volta a sala de controle. Carter e Luis já estavam de pé no instante seguinte.</p>
<p>-Temos que agir rápido. Se ela voltar do coma e ver sua mãe assim vai surtar.</p>
<p>-Claudius, ela vai surtar de qualquer maneira. &#8211; Luis retrucou.</p>
<p>-Não se eu puder evitar. &#8211; Carter por fim respondeu. E sem gastar um minuto pegou nos pés de Ana enquanto Luis pegava pelas mãos. -Vamos levar os corpos para a enfermaria. Eu vou pensar em algo até lá.</p>
<p>Carter carregou fácil os corpos junto com Luis e Claudius. Levaram pouco mais de uma hora para levar os vinte corpos da saleta. Luis ainda insistia:</p>
<p>-Não poderíamos apenas sumir com eles?</p>
<p>-Não temos tempo para programar o sumiço no simulador e nem energia para executar o programa. Não é tão mal, aqui pelo menos Carter pode andar e nos ajudar a fazer o trabalho pesado.</p>
<p>-Eu ouvi isso Claudius. Melhor tomar cuidado com o que diz. Ainda mais que teremos que explicar ao financiador esta bagunça toda.</p>
<p>-O financiador tem motivos pra crer que tudo está sobre controle.</p>
<p>-Se ela acordar sim. Mas se ela ficar mais tempo assim o projeto estará perdido.</p>
<p>Quando os três chegaram na sala de controle, Eva estava sentada lendo o resultado do teste na tela do computador. O teste tinha acabado de ser executado.</p>
<p>Luis deu-lhe um sorriso enorme. Eva, ainda confusa, parecia querer encontrar os outros que estavam a pouco na sala.</p></blockquote>
<p>E mais um capítulo está disponível. Ainda temos muita estória pela frente. Será que o acidente comprometeu o funcionamento de Eva? Logo saberemos&#8230;<br />
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		<title>Máquina &#8211; Parte 7</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 17:29:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a sétima parte de “Máquina”. Primeira parte de “Máquina” aqui. Ela observava todos os grandes monitores, onde imagens de gráficos, sinais elétricos e listas intermináveis rolavam e mudavam constantemente. Pelo menos umas vinte pessoas estavam naquela sala, cada um em sua posição. A sala era muito ampla, o pé direito alto lhe chamou a atenção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
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<p>Segue a sétima parte de “Máquina”. <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">Primeira parte de “Máquina” aqui</a>.</p>
<blockquote><p>Ela observava todos os grandes monitores, onde imagens de gráficos, sinais elétricos e listas intermináveis rolavam e mudavam constantemente. Pelo menos umas vinte pessoas estavam naquela sala, cada um em sua posição. A sala era muito ampla, o pé direito alto lhe chamou a atenção e os olhos rapidamente viram no outro lado da sala perto do teto uma estrutura suspensa envidraçada onde duas pessoas observavam tudo o que acontecia. Uns trinta metros a separavam de lá, mas podia ver outro possível médico com seu jaleco branco e um homem alto vestido elegantemente. Os olhos deste estavam escondidos atrás de óculos escuros.</p>
<p>-Quem é ele?</p>
<p>-Ele é o financiador disto tudo. Não sabemos nada sobre ele. Só que o dinheiro vem de lá. Nós não perguntamos muito sobre isso, afinal ele deu liberdade total aos pesquisadores.</p>
<p>-Claudius, você confia nele?</p>
<p>-Ninguém aqui jamais falou com ele. Então não sabemos. O que interessa é que o projeto continua firme. Graças a ele. Mas mudando de assunto. O que já sabe sobre a fase três?</p>
<p>-Você citou o fato que eu não terei mais um cérebro eletrônico&#8230;</p>
<p>-Exatamente e&#8230;</p>
<p>-E eu deduzi que vocês vão simular o meu cérebro dentro do Simulador.</p>
<p>-Muito bem. Você é mesmo extraordinária. É isso mesmo. Nós queremos lhe deixar livre das amarras do cérebro eletrônico que criamos para você.</p>
<p>-Só não entendi a necessidade disso.</p>
<p>Luis tomou a palavra:</p>
<p>-Olá, Eva. É bom revê-la.</p>
<p>Ele também aparentava estar muito mais velho do que a última vez que o viu. Ana pensou sobre como passou tantos anos conversando com ele e aprendendo sobre neurologia, genética, nanotecnologias, inteligência artificial, e tantas áreas do conhecimento.</p>
<p>-Lembra-se de nossas aulas de replicação eletrônica?</p>
<p>-Como é? &#8211; Eva não lembrou-se.</p>
<p>-Dispositivos eletrônicos replicantes: se reproduzem para criar grandes máquinas e para corrigir defeitos em alguns dos dispositivos.</p>
<p>-Sim, agora sim. O meu cérebro foi construído assim?</p>
<p>-Em parte. Porém as estruturas foram copiadas do DNA humano e por isso possuem as mesmas características. Algumas células não são substituíveis. Por exemplo, em nós humanos um rompimento da coluna vertebral não é naturalmente recuperável.</p>
<p>-O que isso quer dizer?</p>
<p>-Eva. Apesar de você ser uma máquina, alguns de seus neurônios eletrônicos e suas sinapses se forem desligados te destruiriam completamente.</p>
<p>-Então eu morreria?</p>
<p>-Digamos que sim. &#8211; Luis foi interrompido por Claudius:</p>
<p>-Nem todos concordamos com isso. Eu não concordo. Seria necessário uma falha catastrófica para você parar de funcionar.</p>
<p>-Claudius, não vamos recomeçar esta discussão, certo? Já chegamos a um consenso sobre o que fazer, isso é o que importa&#8230;</p>
<p>-Tem razão Luis. Embora as consequências de não fazermos nada não sejam um consenso.</p>
<p>O clima ficou tenso e só foi quebrado quando Carter apaziguou-os:</p>
<p>-Assim vocês vão deixar Eva insegura. Veja só Eva, é assim: você como é hoje pode morrer exatamente como qualquer um de nós. Talvez por uma falha simples, talvez por uma falha catastrófica. Temos certeza, por exemplo, que uma falha na energia que alimenta seu cérebro eletrônico é uma situação sem volta.</p>
<p>-Isso não me assusta. &#8211; Eva ponderou – É melhor do que imaginar que poderia morrer por muito menos&#8230;</p>
<p>Claudius continuou então:</p>
<p>-Pois é. O que queremos fazer aqui nem é garantir que você possa viver para sempre. Mesmo que isso possa acontecer por consequência. O que queremos é garantir que seu legado possa existir para sempre.</p>
<p>-Não entendo&#8230;. &#8211; Eva retrucou.</p>
<p>Luis continuou:</p>
<p>-Queremos garantir que você possa se reproduzir. Criar mais entidades como você. Relacionar-se com estas entidades. Garantir que um traço da espécie humana viva em você e em outros como você.</p>
<p>Claudius completou:</p>
<p>-Queremos que você viva por nós. Porque nosso tempo está por um fio.</p>
<p>-O nosso tempo está por um fio? &#8211; Eva perguntou.</p>
<p>Claudius tinha um olhar triste e respondeu:</p>
<p>-O seu tempo não, Eva. O tempo da humanidade. Estamos acabando. Morreremos todos em pouco tempo.</p>
<p>-Como pode ser isso?</p>
<p>-Estamos todos contaminados por um novo vírus muito resistente. Todos se tornaram estéreis. Não nasce uma criança a dois anos. É questão de tempo até todos morrerem. Os cientistas estão trabalhando para uma cura. Porém parece impossível.</p>
<p>-O que é este vírus? O que aconteceu? &#8211; Eva ficou atordoada.</p>
<p>Todos ficaram sérios e cabisbaixos. Ninguém costumava mais falar sobre o assunto. E ouvir aquilo novamente colocava todos diante do precipício.</p>
<p>-Veja só, o vírus começa atacando diretamente o sistema reprodutor humano. Destrói as células reprodutoras presentes, e o sistema de produção destas células. O processo é muito rápido, em poucas horas uma pessoa fica estéril. O vírus se propaga de diversas formas: ar, água, insetos. E sobrevive fora do ser humano por tempo indeterminado. Depois de incubado, o vírus provoca outro efeito: acelera o envelhecimento. Dependendo da condição de uma pessoa, o vírus pode matar em poucos meses.</p>
<p>Eva novamente se viu diante de algo impensável.</p>
<p>-Eu não sei o que pensar.</p>
<p>-Nós não tempo tempo para lamentações. Precisamos garantir que você mantenha a centelha humana. &#8211; Claudius retrucou.</p>
<p>-Mas eu sou uma máquina. Não foi isso que vocês disseram?</p>
<p>-Você é o mais próximo que temos de um humano que irá sobreviver. Todos aqui estão trabalhando para garantir que isso aconteça.</p>
<p>Novamente uma dor cortou seu coração. Ela não sabia como reagir a esta novidade. Cambaleando quase caiu. Ana aproximou-se de sua filha e a abraçou. Eva afundou-se em seu ombro e chorou.</p>
<p>Por longos minutos o silêncio tomou conta da sala. Até que Eva percebeu que a mãe em pouco tempo não estaria mais ali:</p>
<p>-Mamãe, você&#8230; você vai me deixar de novo?</p>
<p>Enfim ela entendeu que ficaria sozinha. Desta vem nem os professores, nem ninguém estaria com ela. As lágrimas rolavam na face de Eva. Ela não viu mas também Ana chorou.</p></blockquote>
<p>Com este capítulo a primeira parte do livro está encerrado. Apresentei os principais personagens pelo menos de relance, e agora a ação vai realmente começar.</p>
<p>Eva está diante da Terceira fase do projeto e terá um desafio complicado pela frente.<br />
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		<title>Máquina &#8211; Parte 6</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 21:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a sexta parte de “Máquina”. Primeira parte de “Máquina” aqui. Eva levantou-se assim que luz do Sol tocou a janela e se arrastou para uma chuveirada. Nada parecia diferente. Por alguns minutos foi como se nada tivesse mudado. Porém ao sentir a água quente em sua pele e ver o vapor embaçar o box, voltou [...]]]></description>
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<p>Segue a sexta parte de “Máquina”. <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">Primeira parte de “Máquina” aqui</a>.</p>
<blockquote><p>Eva levantou-se assim que luz do Sol tocou a janela e se arrastou para uma chuveirada. Nada parecia diferente. Por alguns minutos foi como se nada tivesse mudado.</p>
<p>Porém ao sentir a água quente em sua pele e ver o vapor embaçar o box, voltou a pensar sobre sua nova condição. E o estranhamento de cada coisa ao redor retornou. Olhava seu corpo despido e imediatamente lembrou-se que era vigiada o tempo todo. “Viam tudo que ela via”, pensou. E forçou-se olhar para outro lado enquanto saia para se cobrir.</p>
<p>Ao mesmo tempo que sua razão achava este cuidado ridículo, um instinto de preservação disparava em sua cabeça. E ela não conseguia resistir ao instinto.</p>
<p>Arrumou-se, comeu algo que deixaram no quarto e sentou-se em um poltrona aguardando ser chamada. Estava tão cansada que dormiu ali mesmo.</p>
<p>Desta vez o sono foi tranquilo. Não houve pesadelos.</p>
<p>-Olá Eva, bom dia&#8230;</p>
<p>Carter acordou-a com um sorriso.</p>
<p>-Bom dia, doutor. Quanto tempo dormi aqui?</p>
<p>-Pode me chamar de Carter, Eva. Está dormindo&#8230; &#8211; continuou olhando o relógio &#8211; … a meia hora. Acredito que é o suficiente não é?</p>
<p>-Sim, Carter. Estou ótima agora.</p>
<p>-Vamos, temos muito por fazer hoje. Primeiro para minha sala.</p>
<p>Seguiram pelo corredor até uma pequena sala com um divã e um poltrona. Carter sentou-se e indicou para que ela ficasse a vontade. Eva olhou o divã e, sem pensar muito, deitou-se.</p>
<p>-Como isso funciona? Eu devo contar sobre minha infância? &#8211; ela disse divertindo-se.</p>
<p>-Isso vai ser um pouco diferente. Veja que temos todas as informações sobre sua vida. Foi uma leitura dura. Me enviaram milhares de páginas sobre sua história e sobre suas reações a cada fato vivido. Isso vai adiantar um pouco o que vamos fazer aqui. Na verdade eu tenho algumas perguntas específicas.</p>
<p>-Pois não.</p>
<p>-A primeira questão é sobre sua infância realmente. Nós sabemos que o fator determinante de sua personalidade foi a perda de seus pais. Gostaria que falasse um pouco sobre como se sentiu, e o que mudou em você aquela experiência.</p>
<p>-Como me senti sobre aquela farsa? &#8211; respondeu quase gritando.</p>
<p>-Por favor, Eva, sei que está se sentindo traída agora. Porém tente se ater aos sentimentos no momento da perda, não nesta revolta atual.</p>
<p>Os olhos dela transpareceram o ódio por ter sido enganada por tantos anos. Porém Eva fez o que pode para se controlar. Depois de respirar fundo continuou:</p>
<p>-Está bem. Está bem. O acidente, aquilo me destruiu. Senti como se tudo mais não fizesse sentido. Eu era adolescente ainda. E minha cabeça já estava bagunçada demais. Sinto que a dor foi tanta que amadureci mais rápido do que devia.</p>
<p>-Após o ocorrido você se fechou como uma ostra&#8230;</p>
<p>-Sim. Fiquei com um medo enorme de me envolver de novo. Não consegui me apegar a mais ninguém. Não que eu tenha tido oportunidade não é?</p>
<p>-Seus professores, Luis e Claudius. Como foi quando eles apareceram?</p>
<p>-Logo que meus pais morreram, eles foram ao enterro e me levaram para o orfanato. Eu sempre achei estranhíssimo ser a única em um orfanato como aquele.</p>
<p>-Li que não foi possível simular ou colocar crianças no simulador para interagir com você. Infelizmente isso deve ser uma lacuna no seu crescimento e seu aprendizado de interação social. Mas, fale mais dos professores&#8230;</p>
<p>-Eles sempre foram muito atenciosos. E devo quase tudo que sei aos dois. E aos livros que eles me traziam. Adorava os livros. E ainda adoro, ler é algo fabuloso, é como se pudesse viver outras vidas.</p>
<p>-Você nunca se importou muito com os seus professores, não é?</p>
<p>-Não me deixei envolver. Não novamente. Meu coração estava quebrado. Ainda está. Só que agora estou confusa. Minha mãe está aqui. Ela não é minha mãe, eu não sou o que pensava. Era tão simples quando o que tinha que fazer era me fechar em meus livros.</p>
<p>-Isso é um ponto a trabalhar, Eva. Você precisa se abrir mais. Precisamos que você reaprenda a relacionar de verdade com outras pessoas. Você foi capaz disso. A interação que tinha com sua mãe é prova disso. Apesar de você ser uma máquina&#8230;</p>
<p>E Carter interrompeu a frase percebendo sua gafe. Depois de uma pausa tentou consertar:</p>
<p>-&#8230; você tem sentimentos como uma pessoa.</p>
<p>-Uma maquina não é? &#8211; disse Eva. &#8211; Olha pra mim Carter. Olhe meus olhos e veja. Vê minha dor? Vê como me sinto. Eu nunca consigo esconder o que sinto. Claudius repetia isso sempre. E quando me olho no espelho é assim: transparente. Veja em meus olhos a dor que sinto, Carter&#8230;</p>
<p>Ele olhou e viu exatamente o que ela dizia. Mesmo depois de tudo o que tinha visto, encarar aqueles grandes olhos era assustador. Em qualquer outra circunstância ele não duvidaria sobre os sentimentos dela. Na verdade, ele não duvidava. Embora sua razão dissesse o contrário, todo o resto dizia a ele que estava diante de um ser humano, de uma mulher&#8230;</p>
<p>Ele balançou a cabeça como quem quer jogar as ideias fora. Olhou a caderneta de anotações e ticou algo que estava lá.</p>
<p>-Bom, então esta será uma de suas tarefas: deverá retomar seu contato com sua mãe. E não deverá fazer ressalvas. Entregue-se. Deixe o sentimento voltar a viver dentro de você. Lembre-se que ela lhe ama, sentiu profundamente sua falta estes anos todos.</p>
<p>-Ela me abandonou. O que espera que sinta por ela?</p>
<p>-Não é verdade. Ela foi expulsa deste lugar. Nunca mais pode entrar no simulador. Ela sofreu muito. Talvez mais que você. Imagina o que é não conviver com quem se ama, apesar de podê-lo? Você, por outro lado, teve que aceitar o inevitável. Aposto que depois de um tempo a dor diminuiu.</p>
<p>-Claro que sim. Você tem razão. Uma cicatriz se formou e a dor chegou a um ponto suportável.</p>
<p>-Pois a dor de Ana nunca diminuiu. Ela sempre tinha esperança de que fosse retornar a vê-la. Ao mesmo tempo que nada poderia fazer. Ela sempre lhe considerou sua filha, sabia?</p>
<p>-Mesmo conhecendo o que eu era?</p>
<p>-Na simulação, no primeiro instante ela lhe tomou nos braços e olhou para você. Um sorriso dela foi o suficiente. Ela a recebeu como sua.</p>
<p>Eva sorriu diante daquele relato e deixou-se cair no divã.</p>
<p>-Está certo. Farei o que puder sobre ela.</p>
<p>-Que bom, Eva. Fico contente que tenha aceito esta atribuição. Teremos que trabalhar também sua falta de jeito com crianças. Nunca teve uma nos braços não é?</p>
<p>-O que está pensando? Vou ter um bebê, Carter?</p>
<p>-Não é bem isso. Você vai começar a se relacionar com todo tipo de pessoas. E isso incluí bebês. É bom que esteja preparada. Ainda estou divergindo da equipe sobre este ponto. Eles não acham necessário. Eu acho imprescindível.</p>
<p>-O que eu deverei fazer? Vou ser treinada para babá?</p>
<p>-Primeiro vou deixar alguns livros para você ler, além de alguns filmes. Eles vão ajudar a você entender o comportamento de crianças.</p>
<p>Naquele instante um despertador tocou. E ele levantou rápido:</p>
<p>-Terminou nosso tempo hoje.</p>
<p>-Rápido assim? Pensei que ficaríamos aqui pelo menos uma hora.</p>
<p>-Que bom que gostou. Amanhã teremos uma nova consulta e poderemos conversar como está a reaproximação com sua mãe. Você terá um tempo hoje para passar com ela. Aliás ela está lhe esperando.</p>
<p>Ana entrou na saleta e sorriu para a filha com toda a ternura de uma mãe. Embora Eva ainda não estivesse confortável com aquilo tentou retribuir.</p>
<p>-Venha comigo filha, quero que conheça mais sobre a terceira fase do projeto.</p>
<p>Elas seguiram até uma porta ampla, quando Ana fez um sinal para que parassem.</p>
<p>-Aqui é a sala de controle de todo o projeto. Você poderá saber tudo o que quiser sobre a fase três e sobre que lhe espera agora.</p>
<p>-Vai ser perigoso para mim?</p>
<p>-Eu não deixarei nada de mal lhe acontecer, querida. Lembre-se, eu estou aqui. &#8211; E Ana afagou os cabelos longos de Eva.</p>
<p>Ao entrarem na sala de controle, muitos rostos desconhecidos imediatamente pararam o que estavam fazendo e se viraram para observá-la. Eva olhou um a um, e reconheceu Luis sério e Claudius sorrindo. Claudius aproximou-se:</p>
<p>-Seja bem vinda, Eva. Este é sistema de controle principal do projeto Gênesis.</p></blockquote>
<p>Ainda esperando as opiniões de vocês. Diga olá ao menos, para eu identificar quem está lendo até aqui!<br />
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 22:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
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<p>Segue a quinta parte de “Máquina”. <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">Primeira parte de “Máquina” aqui</a>.</p>
<p>Para quem está seguindo pelo blog: decidi mudar o nome da máquina, será Eva. Então a partir daqui troquem o nome da máquina de Ana para Eva, ok?</p>
<blockquote><p>Claudius conduziu Eva ao seu alojamento. O rosto cansado da jovem e seu olhar perplexo era perceptível.</p>
<p>-Amanhã iniciaremos os primeiros testes para a fase seguinte do projeto. -Claudius disse e fechou a porta do quarto atrás de si.</p>
<p>Eva ficou alguns minutos olhando para a porta fechada com o cérebro a mil. Seria tudo aquilo verdade? A porta a sua frente não existe?</p>
<p>-Eu sou uma máquina?</p>
<p>E deixou-se cair sentada na cama sentindo o lençol quente sob si. Estes lençóis que também não deveriam existir de qualquer maneira. Exausta e sem forças para continuar remoendo aquelas novidades, Eva por fim caiu no sono. Um sono intranquilo.</p>
<p>Estava ela sentada no topo de um edifício contemplando a grandeza da cidade, com suas luzes e amaranhados de prédios. O céu estava cheio de nuvens escuras e maus preságios. Sua mente estava límpida e clara. Sentia a brisa leve e fria roçando seus cabelos e seu rosto. Um arrepio foi a primeira reação. Eva ergueu as mãos e fechou os olhos para sentir o fluxo de ar deslizando em seus dedos, escorrendo em seus braços. De súbito, em um rápido movimento com as pernas, ainda com os olhos fechados, ela se lançou ao vazio. A velocidade da queda aumentava a cada fração de segundo. Mantendo os olhos fechados Eva aguardava o baque no asfalto e o o fim de tudo. No entanto a queda não terminava. Abriu o olhos e se viu em uma escuridão impenetrável em todas as direções, e em uma queda sem fim. De sua garganta tentou emitir em um grito todo seu desespero, porém nada saiu&#8230;</p>
<p>Abriu os olhos sobressaltada e levantou-se rápido. Estava ainda em seu pequeno quarto.</p>
<p>A porta abriu-se assustando-a. Alguém estava à porta:</p>
<p>-Você está bem? O que aconteceu?</p>
<p>Ela então percebeu que o grito fora real, e chamou a atenção de alguém mais. Observou o jovem senhor que aparentava seus trinta a quarenta anos, mas tinha um ar muito jovial. Suas roupas brancas o identificavam como um médico. Antes que ela pudesse responder ele pegou uma de suas mãos enquanto tentava medir algo em seus olhos. A outra mão tocava-lhe o rosto, como que posicionando os olhos de determinada maneira.</p>
<p>-Você está bem? &#8211; ele repetiu.</p>
<p>Eva o afastou com cuidado para não parecer rude:</p>
<p>-Estou bem. Mas, &#8230; quem é você?</p>
<p>Ele se aprumou e com certa cerimônia apresentou-se:</p>
<p>-Eu sou Doutor John Carter e sou seu novo analista. &#8211; e mudando a postura quase automaticamente, franzindo a testa continuou: &#8211; Você deu um grito assustador agora a pouco. Era um pesadelo?</p>
<p>-Sim, um pesadelo.</p>
<p>-Nós temos nossa primeira consulta marcada amanhã pela manhã. Mas, se quiser conversar agora, estou disponível.</p>
<p>-Como assim, nem sei que horas são. E, que estranho, o que você faz acordado a esta hora?</p>
<p>-Já deve saber que temos turnos para acompanhá-la. E este é meu horário. Agora que já sabe o que você é, vamos lidar com isso de outra forma. Sempre que precisar temos alguém de plantão dia e noite. Além do mais, eu não consegui dormir ainda conectado.</p>
<p>-Não entendi&#8230;</p>
<p>-Bom, nós estamos agora no Simulador, e como ainda não me acostumei com isso, não consigo dormir.</p>
<p>-Você fica ligado direto ao Simulador? Dia e noite?</p>
<p>-Pois é. Quem está a mais anos no projeto já acostumou-se com o processo de conexão e desconexão. Nós que chegamos agora&#8230; É algo terrível, parece que tentavam arrancar minha cabeça!</p>
<p>-Tem mais pessoas que chegaram agora?</p>
<p>-Sim. Fomos recrutados para a fase três.</p>
<p>Eva olhou-o novamente e percebeu uma certa agitação no doutor.</p>
<p>-A fase em que vão me tornar totalmente software?</p>
<p>Desta vez foi Carter que não respondeu imediatamente. Pelo seu olhar não pensava que ela já saberia disso. Ele suspirou e perguntou:</p>
<p>-Você não está com medo?</p>
<p>-Eu deveria estar?</p>
<p>-Se fossem mexer tão a fundo na minha cabeça, bom, eu estaria petrificado. Eu mesmo estou com medo. Se algo der errado será desastr&#8230;</p>
<p>Enquanto ainda falava entrou no quarto Claudius com os olhos irados:</p>
<p>-O que faz aqui Carter? Não foi instruído sobre o protocolo?</p>
<p>Doutor Carter pareceu murchar. Constrangidíssmo e gaguejando respondeu e saiu a seguir:</p>
<p>-Desculpe-me, já estou indo. É que ela teve um pesadelo&#8230; e eu&#8230;</p>
<p>-Ela tem pesadelos todos os dias desde sempre, &#8211; Claudius retrucou.</p>
<p>Eva nunca o vira tão transtornado.</p>
<p>-Ele só estava tentando me ajudar. Deixe-o em paz.</p>
<p>Carter já estava longe e Claudius teve que esforçar-se por alguns minutos até acalmar-se.</p>
<p>-Desculpe menina. É que as coisas aqui estão estressantes. Não podemos falhar por causa da curiosidade de um novato.</p>
<p>-Carter não pareceu-me assim tão novato.</p>
<p>-Ele chegou aqui ontem. Ainda está com a ressaca da conexão. Amanhã terá sua consulta com você e ele poderá matar sua curiosidade.</p>
<p>-Ele não estava curioso. Na verdade eu é que fiquei, após as coisas que ele disse.</p>
<p>-É por isso que ele não deveria estar aqui. Temos muito o que esclarecer, e pouco tempo. E você tem que descansar. Amanhã é um dia duro e você não pode estar sonolenta.</p>
<p>-A fase três do projeto começa amanhã?</p>
<p>-A fase três já começou, menina. Estamos trabalhando nela a anos. Amanhã você verá.</p>
<p>-Não consigo dormir. Não tem nada que possam fazer a respeito?</p>
<p>-Lembre-se das aulas de relaxamento. Quem sabe isso ajuda. Vá dormir.</p>
<p>-Está certo.</p>
<p>Ela fez um olhar contrariado e tentou ainda mais uma pergunta:</p>
<p>-Claudius, algo pode dar errado?</p>
<p>-Agora chega, Eva. Vá dormir.</p>
<p>Resignada ela deitou-se novamente e tentou afastar os pensamentos e controlar o coração e a respiração, conforme a aula de relaxamento recomendava.</p>
<p>Claudius afastou-se pelo corredor, parando diante da porta onde estava Carter. Ao abrir Carter o esperava. Estava sorrindo e descontraído:</p>
<p>-Então Claudius? Como me saí?</p>
<p>-Acho que ganhará a confiança dela. A história de estar com medo foi perfeita.</p>
<p>-Será que esta aparência que me arrumaram é a mais adequada? Ela é lindíssima e deve querer alguém mais apessoado&#8230;</p>
<p>-Pare com isso, Carter. Já disse que o ideal é ser assim, um tanto normal, frágil. Isso ajuda a identificar-se com você. E tem mais, ela não teve contato com muitas pessoas, então isso facilita muito. Ela já demonstrou que sabe o que pretendemos fazer?</p>
<p>-Ela entendeu parte da ideia. Mas ainda não toda.</p>
<p>- Perfeito. Amanhã daremos início ao processo.</p>
<p>Eva continuou a noite toda sem pregar o olho. Preferia o cansaço a novos pesadelos.</p></blockquote>
<p>Ainda não decidi o sobrenome de Ana, digo Eva. Gostaria de receber sugestões. Fiquem a vontade. Aliás, mandem suas idéias nos comentários. A participação de vocês é bem vinda e desejável.<br />
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		<title>Máquina &#8211; Parte 4</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 22:58:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue a quarta parte de “Máquina”. Primeira parte de “Máquina” aqui. Ela ainda ficou absorta alguns segundos pela imagem real de si mesma. O caos completo em sua frente não era nada parecido com a imagem fazia de si: atraente e bela. -Venha até aqui, Ana. Claudius estava a alguns metros próximo de uma tela de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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<p>Segue a quarta parte de “Máquina”. <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">Primeira parte de “Máquina” aqui</a>.</p>
<blockquote><p>Ela ainda ficou absorta alguns segundos pela imagem real de si mesma. O caos completo em sua frente não era nada parecido com a imagem fazia de si: atraente e bela.</p>
<p>-Venha até aqui, Ana.</p>
<p>Claudius estava a alguns metros próximo de uma tela de computador. Ele digitava em um velho teclado enquanto ela se aproximava.</p>
<p>-Veja esta imagem.</p>
<p>Claudius afastou-se e Ana aproximou-se da tela bem lentamente. Conforme as formas na tela se tornaram claras, ela identificou o próprio monitor que ela olhava. E dentro do monitor um novo monitor apareceu com algum atraso. E dentro dele, outro, e assim indefinidamente até não ser mais possível identificar a imagem. Movia seu ponto de vista e as imagens se moviam igualmente.</p>
<p>-Este terminal mostra tudo o que seus olhos veem.</p>
<p>-Eu percebi, Claudius.</p>
<p>Claudius voltou ao teclado e acionou alguns comandos.</p>
<p>-Olhe para a imagem e segure meu braço.</p>
<p>Ela não entendeu o que ele queria. Mas viu no terminal a palma de duas mãos. Assim que ela tocou o braço do professor com a ponta dos dedos, a imagem se tornou mais clara na mesma parte. Ela agarrou com força o braço de Claudius e apertou o mais forte que pode. A cor da imagem de sua mão variava entre o vermelho escuro, marrom e mesmo preto nos pontos de maior força.</p>
<p>-Vocês podem detectar o que eu sinto?</p>
<p>-O tato é só um dos sentidos que simulamos. Todos os sentidos são simulados. Este é o sinal de entrada de dados para seu cérebro.</p>
<p>-O paladar também? &#8211; perguntou Ana.</p>
<p>-Veja, sei que gosta de sorvete de chocolate. Feche os olhos.</p>
<p>Ela fechou e quase imediatamente após Claudius parar de teclar, um sabor inconfundível tomou conta de sua boca.</p>
<p>-É, incrível.</p>
<p>-Quer experimentar alguma outra coisa? &#8211; perguntou Claudius.</p>
<p>Ela olhava entretida ao teclado e imaginava quantas vezes teriam digitado ali algo para ela.</p>
<p>-Eu não sei. Estou muito confusa. Se sou uma máquina assim, não sou um humano.</p>
<p>-Não vamos buscar rótulos agora. Quero que veja tudo sobre sua verdadeira natureza e depois vamos pensar mais calmamente sobre o que você é ou não é. &#8211; Claudius aproximou-se e colocou a mão em seus ombros.</p>
<p>-Eu sei quem eu sou. Ana &#8230;&#8230;&#8230;, filha de Eva e William.</p>
<p>-Exatamente &#8211; o professor respondeu com firmeza – É exatamente isso o que é. Isso, e muito mais.</p>
<p>Ela abaixou os olhos e ficou tentando lembrar de algo que tenha vivido que não poderia se encaixar com a história absurda que acabou de ouvir. No entanto toda sua vida se encaixava perfeitamente. O isolamento com os pais e professores, suas poucas saídas na cidade. E como as pessoas nas ruas pareciam tão diferentes das que via na televisão e lia nos livros.</p>
<p>-As pessoas que via em meus passeios na cidade. Elas nunca me pareceram vivas como os personagem dos livros e da tevê. Eram pessoas mesmo?</p>
<p>-Eram imagens tridimensionais que projetávamos para preencher as cenas externas. Não tínhamos tantas pessoas para navegar no Simulador. E não confiávamos em muita gente para o trabalho.</p>
<p>-Por isso eram tão sem vida?</p>
<p>-Como percebeu isso?</p>
<p>Claudius fazia uma feição curiosa diante desta nova situação. Durante anos teve a oportunidade de conversar com Ana sobre muitos assuntos e aprender cada detalhe da Máquina. No entanto, agora poderia fazer perguntas diretas, uma vez que ela já sabia quem era.</p>
<p>-Simplesmente eu sei. E percebi também que alguns eram muito parecidos e faziam movimentos iguais. Não poucas vezes eu senti um <em>deja vo</em>.</p>
<p>-Algumas saídas suas tiveram que ser preparadas apressadamente.</p>
<p>Ela continuou pensativa e uma dor profunda começou a lhe formigar no peito. Um sentimento de perda tomou conta de si. Depois ergueu os olhos marejados e disse em fúria:</p>
<p>-Porque me contaram isso agora? Porque não permitiram eu viver na ignorância?</p>
<p>Claudius deu um passo atrás. Olhou com ternura sua aluna e respondeu com a voz mais terna possível:</p>
<p>-Acalme-se. É evidente que teríamos que esperar todo o seu desenvolvimento para contarmos a verdade. Você agora é uma pessoa adulta, e tem todas as ferramentas para lidar com isso.</p>
<p>-Não acha que vai se safar com uma resposta simples assim.</p>
<p>Mas uma vez ele esperou um segundo antes de continuar com o mesmo tom de voz:</p>
<p>-Não quero te carregar com mais informações do que pode digerir. Vamos fazer o seguinte. Por enquanto vamos dar um passo de cada vez.</p>
<p>-Quer dizer: eu ficarei no escuro e terei que confiar em você.</p>
<p>Desta vez ele olhou-a novamente e desviu o olhar para o maquinário. Ela olhava-o tentando decifrá-lo, mas ele parecia entretido demais. Por fim, ele caminhou em direção a saída deu de ombros e fez sinal para que ela o seguisse.</p>
<p>-Ana, acho que depois do que viu neste terminal, você não tem muita escolha, não é?</p></blockquote>
<p>E assim a quarta parte está no ar. Até quarta-feira que vem para mais um capítulo&#8230;</p>
<p>Ops, acabei de lembrar que não escolhi um bom sobrenome para a Máquina. Ana &#8230;&#8230; . Estou aceitando sugestões&#8230;.</p>
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		<title>Máquina &#8211; Parte 3</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jun 2011 11:40:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Máquina]]></category>

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<p>Segue a terceira parte de “Máquina”. <a href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">Primeira parte de &#8220;Máquina&#8221; aqui</a>.</p>
<blockquote><p>-Então&#8230;  Então&#8230;</p>
<p>Ela não pode terminar a frase. Sua visão escureceu, uma náusea tocou conta de seu estômago e tudo se apagou.</p>
<p>Acordou com alguém segurando-lhe uma das mãos e sussurrando algo inteligível.</p>
<p>-&#8230; acorde. Ana, acorde!</p>
<p>Quando abriu os olhos em sua frente um rosto feminino foi-se formando da escuridão. Um rosto familiar, mas envelhecido.</p>
<p>-Olá querida. Você está bem?</p>
<p>A voz também lhe era conhecida. E o tom de voz indicava grande intimidade, embora ainda não a reconhecesse. “Este olhos verdes são tão lindos como os de minha mãe&#8230;”. Assustou-se em um arrepio e em um pulo sentou-se na cama e viu-se diante daquela que considerava morta.</p>
<p>-Mamãe!? O que faz aqui&#8230; você&#8230; você morreu em meus braços&#8230; você&#8230;</p>
<p>A mulher lhe abraçou e tentou lhe acalmar. Depois de conter os soluços, Ana, ainda com os olhos cheios de lágrimas, não entendia o olhar calmo e sorridente de sua mãe.</p>
<p>-Sim querida, sou eu mesmo. Desculpe pelo susto. &#8211; a mulher afagava o rosto, mas em uma repulsa Ana a afastou:</p>
<p>-O que aconteceu? Porque mentiu para mim? Me abandonou?</p>
<p>-Estava fora de meu controle minha filha. Eu fui obrigada a me afastar. Não podíamos arriscar a experiência. Eu fui contra, mas foi a única maneira que encontraram.</p>
<p>-Contra o que? Contra morrer?</p>
<p>Neste momento, Claudius interrompeu-a e retomou a palavra:</p>
<p>-A culpa não foi dela, ela sofreu mais que todos. O Grupo percebeu que a presença constante dos pais estava atrapalhando seu desenvolvimento. Resolveram afastá-los. Eva e William foram proibidos de contatá-la novamente no Simulador. O acidente foi programado para que você se desapegasse rapidamente. Foi um desastre, pois a saudade de seus pais acabou por forjar sua personalidade de uma forma não planejada.</p>
<p>-Então eles estão vivos. Meu pai&#8230;</p>
<p>-Seu pai infelizmente faleceu a alguns anos. Sinto muito.</p>
<p>Seu olhos voltaram a marejar. Um silencio constrangedor tomou conta da pequena saleta.</p>
<p>Eva tentou aproximar-se novamente, e não encontrou a mesma resistência.</p>
<p>-Eu tentei apelar ao Grupo de todas as formas possíveis, Ana. Mas depois que o programa do acidente foi executado, não tinha mais nada a fazer.</p>
<p>Ana ainda estava perplexa pela verdade sobre seus pais, até que se deu conta que a informação mais extraordinária ela ainda não havia discutido:</p>
<p>-Ok, meus pais não morreram naquele acidente. Foram tirados de mim, para que uma experiência não fracassasse. Esta experiência seria eu mesma, que não sou uma pessoa, mas uma máquina. Uma simulação de um cérebro que está ligado ao Simulador, e por isso nunca teve contado direto com a realidade, apenas com um simulacro. Isso está correto?</p>
<p>-Em resumo sim. &#8211; respondeu Claudius.</p>
<p>-E você, Claudius e o professor Luis, que foram meus professores estes últimos oito anos, são parte desta simulação?</p>
<p>-Nós somos pesquisadores do projeto, e fomos convocados a ensiná-la. Então nos conectamos ao Simulador sempre que nos encontramos com você. Durante o restante do dia observamos seu comportamento, para que possamos dar-lhe novos ensinamentos.</p>
<p>-Então é assim que vocês podiam entender quase tudo que se passava em meus pensamentos? Vocês também liam o que eu pensava? &#8211; Ana começou a indignar-se.</p>
<p>-Não, Ana. Isso é impossível. Seu cérebro não é muito diferente dos cérebros humanos. Os neurônios e sinapses são bilhões e bilhões, e como copiamos a complexidade do cérebro humano, repetimos sua programação, ainda não entendemos como tudo funciona exatamente. Não podemos detectar o que você está pensando. Nós apenas podíamos ver tudo o que fazia. O Simulador gera todas as imagens que você vê e também recebe todos os estímulos que seu cérebro pensa enviar a seus músculos. Estes estímulos eram reprojetados em sua auto imagem. Neste corpo que você vê. Logo seu cérebro controla este corpo e tínhamos técnicos que monitoravam isso o tempo todo.</p>
<p>-Mas se este não é meu corpo&#8230;</p>
<p>-Você é puro pensamento Ana. Não tem um corpo físico. Quer dizer, tem o seu cérebro eletrônico. Mas a terceira fase do projeto está para ter início&#8230; e depois nem isso teremos mais.</p>
<p>-Eu não posso acreditar.</p>
<p>-Não precisa acreditar. Não agora. Não sem antes lhe mostrar.</p>
<p>-Mostrar o que?</p>
<p>-O que você é de verdade, Ana. Venha comigo. &#8211; Claudius tomou-lhe a mão e lhe conduziu por um corredor vazio até parar em frente a uma enorme porta. Apertou os botões com a senha de abertura e aguardou a porta abrir lentamente.</p>
<p>-O que verá agora, Ana, é a sua verdadeira imagem.</p>
<p>Um frio na barriga tomou conta de Ana de uma forma que jamais sentiu. A cada passo, o coração batia mais forte. E ela começou a imaginar se aquele coração que pulsava era real. Se o cheiro de ferrugem e a poeira que lhe incomodava eram reais&#8230; se tudo o que viveu até ali fora uma grande mentira&#8230;</p>
<p>A porta abriu-se e uma escuridão quase sólida apresentou-se. Claudius tateou a parede próxima da porta e o som característico de um disjuntor acionado foi seguido de uma luz penetrante e ofuscante.</p>
<p>Ana demorou acostumar-se com a claridade. As pupilas foram dilatando-se lentamente e as imagem tomando forma. Diante de si viu um grande galpão totalmente tomado por uma uma montanha de equipamentos eletrônicos. Esta montanha de equipamentos estava interligado por um sem fim de cabos que de alto a baixo partiam em direção ao chão. Os olhos ao acompanharem os cabos deparam-se com o piso elevado, metálico e todo perfurado, por onde os cabos penetravam para o andar abaixo. Sob o piso era possível apenas identificar os milhares de cabos sumindo na escuridão.</p>
<p>Nos equipamentos eletrônicos pouco poderia se identificar. Um emaranhado de componentes, placas eletrônicas, e LEDs piscantes.</p>
<p>-Esta é você, Ana. Não parece nada bonita, mas é a criação mais extraordinária da humanidade.</p></blockquote>
<p>Continua em uma semana. Não deixe de fazer seus comentários, quem sabe a trama pode mudar com sua participação?<br />
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		<title>Sobre ser uma máquina ou morrer sem saber&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jun 2011 23:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Prof. Luis Eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversão e Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje publiquei a segunda parte do livro &#8220;Máquina&#8221;, minha segunda empreitada literária. Novamente visito a ficção científica para contar um história fabulosa: quais seriam as consequências de nós conseguirmos construir uma máquina que pensasse como nós? Máquina &#8211; Parte 1 Máquina &#8211; Parte 2 A terceira parte já está agendada para a próxima quarta-feira. Portando quem está doido para [...]]]></description>
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<p>Hoje publiquei a segunda parte do livro &#8220;Máquina&#8221;, minha segunda empreitada literária. Novamente visito a ficção científica para contar um história fabulosa: quais seriam as consequências de nós conseguirmos construir uma máquina que pensasse como nós?</p>
<p style="text-align: center;"><a title="Máquina – parte 1" href="http://www.tecnoclasta.com/2011/05/25/maquina-parte-1/">Máquina &#8211; Parte 1</a></p>
<p style="text-align: center;"><a title="Máquina – Parte 2" href="http://www.tecnoclasta.com/2011/06/01/maquina-parte-2/">Máquina &#8211; Parte 2</a></p>
<p>A terceira parte já está agendada para a próxima quarta-feira. Portando quem está doido para saber mais sobre a história, vai ter que esperar mais um pouco. Este artigo estou escrevendo para obter algum retorno sobre o que já está publicado.</p>
<p>Queria deixar uma pergunta só: <strong>Se você estivesse no lugar de Ana, a protagonista do livro, que logo de cara descobre-se máquina e não humano, preferiria permanecer na mentira ou saber toda a verdade? Porque considera mais vantagem a mentira, ou a verdade, neste caso?</strong></p>
<p>Mande as respostas aqui no formulário de comentários, e participe você também desta história fantástica.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-555" title="Hal 9000" src="http://www.tecnoclasta.com/wp-content/uploads/2008/03/hal9000.jpg" alt="" width="717" height="538" /></p>
<p>&nbsp;<br />
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