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A História dos Ônibus Espaciais – Parte 2

terça-feira, 21 de setembro de 2010
Logotipo Enterprise

Logotipo Enterprise

Esta é a segunda parte da série de artigos sobre os Ônibus Espaciais que iniciou-se aqui

Nesta segunda parte irei falar um pouco sobre duas máquinas construídas para os testes iniciais dos Ônibus Espaciais.

Durante a fase de testes foi contruído um orbitador com objetivo de permitir a verificação dos equipamentos projetados. Esta máquina foi chamada Enterprise, em homenagem à série Star Trek.

O início da construção foi junho de 1974 com término em março de 1975.

O orbitador não tinha escudo de proteção e nem mesmo os motores foguete. O objetivo dos testes foram verificar a aerodinâmica e o procedimento de pouso.

Os primeiros testes foram realizados com o orbitador fixado no topo de um Boeing 747 adaptado para o transporte. Os testes iniciais foram um sucesso que levou os engenheiros da NASA a fazer um teste mais radical: o teste de pouso do Enterprise a partir do Boeing.

Aqui o momento da separação e primeiro voo na atmosfera e pouso de um Ônibus Espacial:

Embora pareça algo mais simples que o lançamento, devemos lembrar que o orbitador não possui motor e deve funcionar como um grande planador. Este primeiro voo solo com o pouso no deserto foi realizado em 1977.

Ele jamais foi lançado ao espaço, e é mantido no museu Smithsonian’s National Air and Space em Washington. Antes de ir ao museu ele ainda foi utilizado para testes de vibração na plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, no cabo Canaveral em 1979.

Enterprise na plataforma de lançamento

Enterprise na plataforma de lançamento

Na próxima parte vamos mostrar o primeiro vôo orbital e os primeiros resultados do projeto dos Shuttles.

fontes:

  • http://en.wikipedia.org/wiki/Space_Shuttle_Enterprise
  • http://science.ksc.nasa.gov/shuttle/resources/orbiters/enterprise.html
  • http://www-pao.ksc.nasa.gov/kscpao/shuttle/resources/orbiters/enterprise.html

A História dos Ônibus Espaciais – Parte 1

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Com os últimos lançamentos dos Ônibus Espaciais planejados para este ano, e para o próximo, resolvi preparar uma nova coleções de artigos, contanto um pouco a história dos Shuttles.

Como é uma longa história de quase 30 anos, irei dividir em partes. Nesta primeira parte vamos ver a preparação inicial até o primeiro vôo que ocorreu em 12 de abril de 1981. Nas partes seguintes vamos ver os grandes momentos, os acidentes fatais, as vitórias e derrotas deste projeto grandioso da NASA.

Logotipo do Projeto Apollo

A Motivação

Com o fim do projeto Apollo e a ‘vitória’ da corrida espacial pelos americanos, o NASA se viu diante de um novo patamar de investimentos, mais baixo que a busca da Lua, e sem uma direção exatamente unânime.

Com uma enorme estrutura construída, e dezenas de milhares de técnicos, engenheiros e cientistas associados, vários caminhos foram propostos a partir dali.

Porém todos acabaram concordando que era necessário dispor de tecnologia mais barata, e de preferência mais rápida para estar pronta para uso, para colocar homens no espaço.

Uma estação espacial era uma reinvindicação dos cientistas e uma necessidade para o caso de uma viagem mais longa até Marte e além. A possibilidade de reabastecimento no espaço, poderia simplificar os projetos mais ousados.

Com esta premissa foi iniciado o projeto de uma nave que permitisse atingir a órbita terretre. Nesta órbita poderia ser construída a estação, poderia ser colocado em órbita um telescópio espacial, etc.

Primeiros esboços

Já nos primeiros esboços definiu-se por algo muito ousado: uma espaçonave que fosse lançado como um foguete e que pousasse como um avião.

Primeiros Esboços dos Ônibus Espaciais

Primeiros Esboços dos Ônibus Espaciais - 1969

Nesta primeira fase a parte do foguete que retornaria seria um pequeno módulo no topo de um grande foguete de combustível líquido, possivelmente auxiliado por busters de combustível sólido. No primeiro esboço temos três módulos agrupados, outra idéia inicial.

Outros designer estudados:

Outros designers iniciais dos Shuttles

Outros designers iniciais dos Shuttles

Estes esboços logo se aprimoraram para algo bem próximo do projeto final:

Evolução dos Shuttles durante a fase de projeto

Evolução dos Shuttles durante a fase de projeto

Observe que a altura total do foguete variou entre 51 metros (167 ft) até 64 metros (212 ft), para atingir 55 metros (181 ft) no projeto final. Isso é um tanto mais alto que o Saturno V que levou o homem à Lua (42 metros, 137 ft).

Inicialmente todos os componentes seriam reutilizados: o tanque de propelente líquido, os busters sólidos e orbitador. No entanto pela alta complexidade, alto custo e orçamento apertado, foram mantidos reutilizáveis os foquetes sólidos e o orbitador.

Presidente Nixon e James Fletcher, administrador da Nasa, analisam maquete do Shuttle

Presidente Nixon e James Fletcher, administrador da Nasa, analisam maquete do Shuttle, em 1972

Richard Nixon, o mais controverso presidente americano, aprovou e iniciou o desenvolvimento em 1971. O primeiro protótipo voou em outubro 1977. A nave chamada Enterprise apenas voou na atmosfera. Sobre ele teremos um artigo inteiro com muitas imagens.

Fontes:

  • http://www.up-ship.com/drawndoc/drawndocspaceshuttle.htm
  • http://en.wikipedia.org/wiki/Space_Shuttle_design_process
  • http://grin.hq.nasa.gov/ABSTRACTS/GPN-2002-000109.html
  • http://en.wikipedia.org/wiki/Space_Shuttle_Enterprise
  • http://www.nasa.gov

Como fotografar as Estrelas. Como estou chegando lá.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como sou um projeto de astrônomo curioso uma das coisas que eu gostaria muito de fazer é obter fotos astronômicas. Fotos da Lua, das constelações, aferismos e outros bichos celestes.

Nesta jornada para conseguir registrar as coisas que vejo com meu telescópio, ultimamente estou conseguindo subir mais um degrau. Já consegui fotografar a Lua com suas crateras, um Eclipse Solar, algumas estrelas poucas, Mercúrio e uma sombra de Júpiter com suas Luas. Porém quando comprei uma nova câmera digital compacta, consegui superar em muito meus primeiros objetivos. Mas não foi fácil assim.

Em primeiro lugar pesquisei uma câmera que permitisse a mais longa exposição e mais alta sensibilidade Iso. As câmeras compactas baratas não costumam ter recursos assim. Porém achei uma Canon A470 com 15 segundos de exposição e Iso 1600. É claro que com 1600 o ruído é absurdo. Mas nesta câmera até Iso 400 é bastante suportável. Com 800 dá para relevar com alguma filtragem posterior.

Fui fazer as primeiras fotos da lua e me decepcionei: o sistema de foco automático não consegue focalizar a Lua de jeito nenhum! Já tinha visto algo assim na câmera de vídeo de meu pai.  A lua fica desfocada. Piorou quando fui testar com o suporte e meu telescópio. O foco falhou novamente. O suporte que fiz não resolve, a câmera fica muito perto da ocular. Epic fail.

Aproveitei para relaxar sobre fotos de estrelas e estudar um pouco mais de fotografia digital para registrar com mais qualidade as fotos da família. Comprei um bom guia do pessoal da National Geographic, e comecei a melhorar as fotos. Até experimentei alguns truques de ajustes digitais no Gimp. Entendi sobre balanço de branco, e como ajuste de exposição funciona em uma digital compacta como a minha.

Cheguei a ressuscitar uma antiga Brownie 1957 com um filme preto e branco 120mm. (Isso ainda vai render um bom post assim que encontrar onde revelar o filme!)

Neste ponto encontrei um site com um hack de compactas Canon. o CHDK. Isto mesmo! Um programa para rackear o software das câmeras Canon. Com ele algumas opções não disponíveis são destravadas. Dependendo da câmera a coisa é assombrosa.

Depois de uma empolgação inicial, ficou dois recursos que estou adorando: Longa Exposição até 64 segundos e arquivos formato RAW.  Com estes recursos consegui a seguinte imagem:

Constelação de Touro e Plêiades

Constelação de Touro e Plêiades

Gostou da foto? Gostaria de fotografar assim? Basta um tripé que não trema, apontar e clicar configurando de até 25 segundos de exposição. Depois realizar um tratamento digital com ajustes de branco, sombras, etc. O modo RAW permite que eu faça este ajuste digital sem perder a definição da imagem.

Nada mal não é?

Meu próximo teste será com o foco manual. Se funcionar poderei clicar novamente a Lua e usar a câmera com o telescópio. Deseje-me boa sorte!

Um mapa para você se localizar na foto acima:

Touro e Plêiades, mapa de referência.

Touro e Plêiades, mapa de referência.

Detalhe: sobre a cruz de neon, é possível ver um avião que passava por ali naquele instante.

Novas evidências confirmam água na Lua

terça-feira, 2 de março de 2010

Poeira e rocha inerte. Muita poeira.
Esta é a visão de muitos sobre a superfície da Lua. Porém é preciso revê-la.

Assim que chegaram os primeiros dados do equipamento MINI-RF da NASA diretamente do polo norte da nossa Lua, os cientistas ficaram radiantes diante da confirmação do projeto LCROSS. Confirmou-se a presença de gelo de água em grande quantidade nas crateras permanentemente escuras.

Logo Mini RFO equipamento MINI-RF que foi de carona no projeto da primeira sonda lunar indiana, foi especialmente desenvolvido para detectar a presença de água nestas crateras. Alias, pesquisei sobre a história do projeto espacial Indiano, que me surpreendeu por sua longevidade e consistência em obter resultados, apesar do orçamento muito distante das potências espaciais.

Com esta confirmação cresce as possibilidade de exploração da Lua em longo prazo. O uso da Lua como base para lançamento de foguetes começa a fazer sentido. Com água em abundância (estimados 600 milhões de metros cúbicos) é possível produzir oxigênio e água para manter uma colônia, além de hidrogênio combustível para os possíveis foguetes. Uma colônia pequena produzindo combustível e oxigênio seria interessante como posto de reabastecimento.

Mas isso é uma visão de muito longo prazo. Não creio que verei isso, nem mesmo minhas filhas.

A visão de poeira seca como nas fotos do projeto Apollo, de maneira nenhuma representam a visão das crateras do polo norte lunar. Camadas e camadas de gelo devem deixar a visão um tanto mais próximo dos pólos terrestres e altas cordilheiras.

Na imagem abaixo, as crateras destacadas em verde possuem características detectadas pelo sensor que condizem com presença de água congelada.

Água detectada em crateras em vermelho no polo norte lunar pelo miniRF

O centro da imagem é o polo norte lunar.

E você? Acredita que ainda iremos colonizar nossa companheira cósmica?

Fonte NASA.