Arquivo da Categoria ‘Astronomia’

Como fotografar as Estrelas. Como estou chegando lá.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como sou um projeto de astrônomo curioso uma das coisas que eu gostaria muito de fazer é obter fotos astronômicas. Fotos da Lua, das constelações, aferismos e outros bichos celestes.

Nesta jornada para conseguir registrar as coisas que vejo com meu telescópio, ultimamente estou conseguindo subir mais um degrau. Já consegui fotografar a Lua com suas crateras, um Eclipse Solar, algumas estrelas poucas, Mercúrio e uma sombra de Júpiter com suas Luas. Porém quando comprei uma nova câmera digital compacta, consegui superar em muito meus primeiros objetivos. Mas não foi fácil assim.

Em primeiro lugar pesquisei uma câmera que permitisse a mais longa exposição e mais alta sensibilidade Iso. As câmeras compactas baratas não costumam ter recursos assim. Porém achei uma Canon A470 com 15 segundos de exposição e Iso 1600. É claro que com 1600 o ruído é absurdo. Mas nesta câmera até Iso 400 é bastante suportável. Com 800 dá para relevar com alguma filtragem posterior.

Fui fazer as primeiras fotos da lua e me decepcionei: o sistema de foco automático não consegue focalizar a Lua de jeito nenhum! Já tinha visto algo assim na câmera de vídeo de meu pai.  A lua fica desfocada. Piorou quando fui testar com o suporte e meu telescópio. O foco falhou novamente. O suporte que fiz não resolve, a câmera fica muito perto da ocular. Epic fail.

Aproveitei para relaxar sobre fotos de estrelas e estudar um pouco mais de fotografia digital para registrar com mais qualidade as fotos da família. Comprei um bom guia do pessoal da National Geographic, e comecei a melhorar as fotos. Até experimentei alguns truques de ajustes digitais no Gimp. Entendi sobre balanço de branco, e como ajuste de exposição funciona em uma digital compacta como a minha.

Cheguei a ressuscitar uma antiga Brownie 1957 com um filme preto e branco 120mm. (Isso ainda vai render um bom post assim que encontrar onde revelar o filme!)

Neste ponto encontrei um site com um hack de compactas Canon. o CHDK. Isto mesmo! Um programa para rackear o software das câmeras Canon. Com ele algumas opções não disponíveis são destravadas. Dependendo da câmera a coisa é assombrosa.

Depois de uma empolgação inicial, ficou dois recursos que estou adorando: Longa Exposição até 64 segundos e arquivos formato RAW.  Com estes recursos consegui a seguinte imagem:

Constelação de Touro e Plêiades

Constelação de Touro e Plêiades

Gostou da foto? Gostaria de fotografar assim? Basta um tripé que não trema, apontar e clicar configurando de até 25 segundos de exposição. Depois realizar um tratamento digital com ajustes de branco, sombras, etc. O modo RAW permite que eu faça este ajuste digital sem perder a definição da imagem.

Nada mal não é?

Meu próximo teste será com o foco manual. Se funcionar poderei clicar novamente a Lua e usar a câmera com o telescópio. Deseje-me boa sorte!

Um mapa para você se localizar na foto acima:

Touro e Plêiades, mapa de referência.

Touro e Plêiades, mapa de referência.

Detalhe: sobre a cruz de neon, é possível ver um avião que passava por ali naquele instante.

Novas evidências confirmam água na Lua

terça-feira, 2 de março de 2010

Poeira e rocha inerte. Muita poeira.
Esta é a visão de muitos sobre a superfície da Lua. Porém é preciso revê-la.

Assim que chegaram os primeiros dados do equipamento MINI-RF da NASA diretamente do polo norte da nossa Lua, os cientistas ficaram radiantes diante da confirmação do projeto LCROSS. Confirmou-se a presença de gelo de água em grande quantidade nas crateras permanentemente escuras.

Logo Mini RFO equipamento MINI-RF que foi de carona no projeto da primeira sonda lunar indiana, foi especialmente desenvolvido para detectar a presença de água nestas crateras. Alias, pesquisei sobre a história do projeto espacial Indiano, que me surpreendeu por sua longevidade e consistência em obter resultados, apesar do orçamento muito distante das potências espaciais.

Com esta confirmação cresce as possibilidade de exploração da Lua em longo prazo. O uso da Lua como base para lançamento de foguetes começa a fazer sentido. Com água em abundância (estimados 600 milhões de metros cúbicos) é possível produzir oxigênio e água para manter uma colônia, além de hidrogênio combustível para os possíveis foguetes. Uma colônia pequena produzindo combustível e oxigênio seria interessante como posto de reabastecimento.

Mas isso é uma visão de muito longo prazo. Não creio que verei isso, nem mesmo minhas filhas.

A visão de poeira seca como nas fotos do projeto Apollo, de maneira nenhuma representam a visão das crateras do polo norte lunar. Camadas e camadas de gelo devem deixar a visão um tanto mais próximo dos pólos terrestres e altas cordilheiras.

Na imagem abaixo, as crateras destacadas em verde possuem características detectadas pelo sensor que condizem com presença de água congelada.

Água detectada em crateras em vermelho no polo norte lunar pelo miniRF

O centro da imagem é o polo norte lunar.

E você? Acredita que ainda iremos colonizar nossa companheira cósmica?

Fonte NASA.

Novo anel gigante de Saturno: Spitzer faz história

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Já falei do não tão famoso Telescópio Espacial Spitzer que trabalha na faixa de infra-vermelho.

Utilizando o Spitzer, os cientistas descobriram um astronomicamente grande novo anel ao redor do “Senhor dos Anéis”. Aliás, é estupidamente maior que os anéis mais conhecidos.

Veja a ilustração abaixo:

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Super Anel de Saturno em Infravermelho

Super Anel de Saturno em Infravermelho

O anel só é visível por infravermelho e é pouquíssimo denso. Portanto não adianta ir buscar o seu telescópio para procurá-lo, porque seus olhos não são tão bons para ele.

Para registrar em seu cérebro o tamanho deste anel, vamos fazer uma analogia:

  • O Diâmetro maior do anel é equivalente a 300 Saturnos enfileirados.
  • O Diâmetro de Saturno é equivalente a 9,4 vezes o da Terra.
  • Portanto o Diâmetro maior do anel é equivalente a 2833 vezes o diâmetro da Terra!

2833 vezes??

Hubble Novo em Folha!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A NASA está mesmo com a corda toda nestes últimos dias. Mais novidades da agência espacial americana.

Depois da grande manutenção da missão STS125 de maio de 2009, o Hubble já está em funcionamento. A NASA divulgou uma série de imagens de teste para os novos equipamentos e câmeras do Telescópio Espacial Hubble.

E eu que sou fã do Grande Telescópio não preciso de desculpas para publicar uma série de fotos astronômicas. Mas já que tenho uma desculpa, melhor ainda. Aí estão as principais fotos:

1 NGC 6302

Novo Hubble: Ngc 6302 - Nebulosa Borboleta

Novo Hubble: Ngc 6302 - Nebulosa Borboleta

Uma borboleta emerge de uma explosão estrelar na Nebulosa Planetária NGC 6302
A nova Câmera de Campo Largo (WFC3) capta a nebula que se encontra a 3.800 anos-luz na constelação de Escorpião.

2 Nebulosa Carina

Novo Hubble: Carina em luz visível e infravermelho

Novo Hubble: Carina em luz visível e infravermelho

Estrelas Nascendo na Nebulosa Carina
A imagem demonstra claramente a larga faixa de frequências que a nova câmera WFC3 capta com qualidade. Desde o infravermelho até o ultravioleta. Nesta imagem podemos ver as estrelas nascendo no interior da “nuvem” utilizando uma imagem infravermelha, comparada com a imagem em luz visível acima.

3 Omega Centauri

Novo Hubble: Omega Centauro

Novo Hubble: Omega Centauro

Um dos meus aferismos preferido, o Aglomerado Estrelar Omega Centauri, em um zoom que permite identificar um conjunto colorido de estrelas em várias fases estrelares. Em um próximo artigo vou publicar a MINHA foto de Ômega Centauri.
Estrelas brancas-amarelas como o Sol, Gigantes Vermelhas, Anãs Brancas (os fracos pontos azuis na imagem)

4 Quinteto Stephan’s

Novo Hubble: Quinteto Stephan

Novo Hubble: Quinteto Stephan

Impressionante quinteto de galáxias captados pela WFC3.

5  Remanescentes da Super Nova N132D

Novo Hubble: N 132 expectrômetro COS em funcionamento

Novo Hubble: N 132 expectrômetro COS em funcionamento

Espectro obtido pelo Espectrógrafo de Origens Cósmicas (Cosmic Origins Spectrograph -COS). O espectro resultante, tirada em luz ultravioleta, mostra a presença de oxigênio e carbono, importantes para o desenvolvimento de vida.

6 Abell 370

Novo Hubble: Abell 370 lentes gravitacionais  pela camera ACS

Novo Hubble: Abell 370 lentes gravitacionais pela camera ACS

Lentes Gravitacionais na Galáxia Aglomerado Abell 370
A recém-reparada Advanced Camera for Surveys (ACS) do Telescópio Espacial Hubble  investigou aproximadamente 5 bilhões de anos-luz de distância para resolver intrincados detalhes no aglomerado de galáxias Abell 370.

7 Colisão com Júpiter

Nova câmera do Hubble e a nova colisão em Júpiter

Nova câmera do Hubble e a nova colisão em Júpiter

Um objeto, possivelmente um asteróide, colidiu com Júpiter a alguns meses. O Hubble ainda estava no início da calibração mas conseguiu a imagem acima.

Em pleno funcionamento

Como ficou claro nas imagens, o Hubble voltou a plena carga. A ciência astronômica não é mais a mesma desde o lançamento do Grande Telescópio a quase vinte anos. Com esta manutenção, o Hubble poderá continuar sua longa história de descobertas por pelo menos mais 5 anos, dando assim tempo para a conclusão da construção do Telescópio Espacial James Webb, o seu sucessor.

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