Arquivo da Categoria ‘Pensamentos’

Sobre jornalistas e a blogosfera

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Gostaria de partilhar com vocês minhas pesquisas e impressões do o que a blogosfera anda dizendo por aí sobre jornaleiros e bloguistas. Fala-se muito sobre isso desde a campanha do Estadão.

Após o debate realizado no Campus Party o assunto voltou e tem pipocado aqui e acolá. Fiz um apanhado do que chegou em meu agregador de feeds:

Cardoso do Contraditorium:
http://www.contraditorium.com/2008/02/21/jornalismo-blogueiro-e-isso-ai/
http://www.contraditorium.com/2008/02/27/se-eu-pudesse-falar-a-lingua-dos-blogs/
http://www.contraditorium.com/2008/02/23/o-medo-nao-e-dos-blogs-e-dos-leitores/
http://www.contraditorium.com/2008/02/19/manifesto-bloguista/

Tonobohn do Oito passos para o conhecimento:
http://oitopassos.com/2008/02/15/os-seis-erros-do-debate-no-campusparty/

Leonardo Luz da Revista Papo de Homem:
http://papodehomem.com.br/no-sou-imprensa-no-quero-ser-e-tenho-raiva-de-quem/

Alessandro Martins no Nossa Via:
http://www.nossavia.com.br/entretenimento/blogs-e-jornalistas-quem-ganha-e-quem-perde

http://www.nossavia.com.br/entretenimento/o-conflito-entre-jornalistas-e-blogueiros-nao-existe

Depois de ler o conflituoso e contundente Cardoso e o “apaziguador” Alessandro Martins, acabei por concordar com ambos!
Difícil, mas é por aí, os jornalistas que se atualizem, e se “tornem celacantos” e ao mesmo tempo: “rádio continua apesar da Tv”.
Somos apenas diferentes. Viva a diferença.

Quanto a qualidade dos Jornalistas (não jornaleiros) um link do Alessandro Martins sobre o caso da Escola Base, que tinha objetivo mostrar que o que os jornalistas escrevem não é realidade, mas parte dela , acabou me levando para um mea-culpa de um jornalista que vale a pena a leitura:
“O jornalista é gente?”

Este link por sua vez me levou ao site do prêmio Pulitzer, maior honraria para nossos colegas jornalistas. E como adoro fotografia fui ver os vencedores nesta categoria nos últimos anos. E me emocionei com as fotos vencedoras de 2007:
http://www.pulitzer.org/year/2007/feature-photography/
Emocionei pois tive uma experiência pessoal com a doença de um ente querido. Acreditem: não é nada fácil.

Um trabalho tocante como este ratifica a profissão. Para algumas mensagens é preciso tempo, apuração, dedicação. O que alguns jornalistas com competência sempre conseguem obter. Para outras mensagens o instante resolve.

Por outro lado, vendo as fotos a gente se questiona o quanto o jornalista opinou sobre o assunto e qual seria o trabalho de um blogueiro sobre o mesmo tema. Aliás, um blogueiro tocaria neste assunto?

De qualquer maneira só cheguei as fotos após ler o artigo do Alessandro, com o link para igutenberg, com o link para o Pulitzer. Isso é sem os links e a opinião, eu não chegaria às fotos.

Resumindo, minha opinião é: Tv e Rádio são diferentes e ponto.

Viva a diferença!

Como aprender sozinho

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Verifiquei pelas estatísticas que muitos dos alunos do Curso de programação para Web em Java tem desistido de continuar o curso. Para estimular aqueles que tem dificuldades para levar um estudo auto ditada resolvei escrever algumas dicas a respeito. Porem encontrei na net um artigo bem interessante sobre isso. Aproveitem:

Autodidatismo direto do Sarcófago.

O Cometa

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Fechar um ciclo de 21 anos de forma positiva é algo fora do comum.
Bom, se estou falando em 21 anos, a história que vou contar é longa. Melhor se sentarem. Mas tenho certeza que foi a melhor que eu escrevi neste site até hoje, em minha humilde opinião. Pelo menos este é o relato mais pessoal.

Em 1986 eu tinha apenas 12 anos de idade, estava na sexta série e nas aulas de ciências descobria como muita coisa funcionava.
Nesta época várias lembranças me vem a mente: Atari com o Enduro e Hero, Michael Jackson com Thriler e Billy Jean, Queen tocando no Rock in Rio e muitas outras.

Mas uma coisa diferente aconteceu naquele ano. Uma febre tomou conta de todo mundo: o cometa Halley. Pelo menos dos nerds como eu. Foram tantas notícias, programas e um estardalhaço enorme, que isso capturou minha imaginação de uma forma que não dá para explicar. Ainda me lembro dos desenhos do cometa esquematizado e logotipos que apareciam em todo tipo de propaganda. Venderam-se telescópios, binóculos e muitas traquitanas para vê-lo.

Eu sou de família grande, 5 irmãos. Filho do meio, não mais velho, nem caçula. Já li muito sobre o filho sanduíche, mais problemático e coisas assim. Mas eu já tinha escolhido a minha forma de me destacar nesta “multidão” de cinco, eu seria o intelectual. Um óculos fundo de garrafa que ganhei aos 6 anos, deve ter me ajudado nesta opção não é?

Então boas notas e cara enfiada nos livros era a medida de meu temperamento. Nada de esportes competitivos, afinal medo de quebrar o óculos. Gostava de basquete, mas só lançamentos livres, e de 3 pontos.

Família grande também limita um pouco a grana. E eu não tinha coragem de pedir nada extravagante como um telescópio ou binóculo para eles. Até hoje o preço não é para qualquer um.

De qualquer forma, com alguns amigos da rua tentamos durante meses localizar o Cometa Halley. Sem sucesso.

A frustração foi muito grande. E o principal motivo foi a falta de informação. Sem internet, e nem uma biblioteca decente por perto, tínhamos um único livrinho falando sobre astronomia. E nenhuma orientação de ninguém. Nada de mapas de estrelas em computadores.

E o cometa para o público em geral foi mesmo um fracasso. Afinal foi apenas uma pequena estrela com fumaça ao redor. E não aquela bola de luz com uma grande calda ocupando o espaço de uma lua cheia. Ou metade do céu na imaginação de minha cabeça infantil.

Mal conseguíamos reconhecer as constelações. Órion (com as Três Marias) e Cruzeiro do Sul e nada mais. E isso dificultou muito localizar a estrela enfumaçada.

Mas mesmo sendo um fracasso aquilo ficou marcado para mim. E decidi que de alguma maneira eu iria ser um cientista. Ou algo parecido.

Lembro de uma noite onde entramos no Observatório e ficamos a noite inteira esperando as nuvens irem embora. Mas esta é outra história, vale um artigo inteiro.

Droga, estou divagando. Voltando ao assunto: o Cometa.

Depois do Halley tentei até estudar a respeito, mas sem material foi impossível. Descobri os computadores no mesmo ano do cometa, e essa foi a minha ciência a parti dali.

Logo estava no colegial e depois na faculdade. E a vida foi atropelando aquele velho sonho da visão de uma coisa extraordinária e fugaz.

Esqueci quase totalmente estas coisas até que em meados do ano de 2001, um amigo me ofereceu um telescópio de segunda mão, ou de terceira.

Neste momento a internet já era uma realidade. E foi uma surpresa extremamente agradável quando comecei a procurar informações sobre telescópios e astronomia. Descobri que todas as informações que não tínhamos acesso em 86 estavam ali ao alcance do Google.

Consegui o telescópio e tive que encomendar as oculares que faltavam. Tive que colocar para funcionar, tive muito o que aprender. O estado do telescópio era de dar dó.

Consegui ver muitas coisas com ele: os planetas, nebulosas, a Galáxia de Andrômeda, Manchas solares (por projeção, quase destruí uma ocular), etc.

Mas cometas não vi nenhum.

A três anos minha vida virou de ponta cabeça e começou um novo momento. Meu casamento foi para o espaço e o telescópio ficou esquecido num canto durante vários anos.

E no início deste ano uma nova relação que transformou para melhor minha vida, ganhou um lar. E logo no primeiro mês juntos ficamos sabendo de um cometa fantástico com um brilho acima de tudo que já viu esta geração.

O cometa McNaught deu as caras lá pelo meu aniversário, justamente quando o tempo ruim tomou conta de minha região por várias e várias semanas seguidas. Foi-se janeiro e fevereiro quase todo.

O primeiro dia de céus limpos foi depois do melhor do cometa. E não consegui encontrá-lo.

Imagina a decepção: eu estava de férias, com todo o tempo livre e um cometa brilhante estava por trás das nuvens!

Este cometa me fez tirar de novo o telescópio da poeira. Ou a poeira do telescópio…

E com o projeto deste site que está visitando, retomei o uso do telescópio com muito mais freqüência.

E em meados de agosto tentei tirar minhas primeira astrofotos. Com resultados pífios em minha opinião.

A história começa a tomar rumo em torno de 23/24 de outubro de 2007. Um cometa de pouco brilho e magnitude normalmente invisível para meu telescópio, começou a se comportar diferente. Acompanhei a notícia no Cosmofórum, no Apod, e em outros sites.

Um “outburst” e o brilho dele foi estimado em 2.5, 3.0, 3.5 de magnitude. Perfeitamente visível com o binóculo, ou o telescópio. Na verdade a olho nu!

Porém nuvens e chuva adiaram o momento mágico.

Foram 15 dias de espera para céus abertos. Já estava parecendo que perderia de novo a oportunidade, como com o McNaught.

Dia 7 de novembro voltando da escola, minha amada repara que as estrelas estão no céu.

Chego em casa apressado e tento montar rápido o telescópio, binóculo e tudo mais… Penso ter visto alguma coisa em Perseu, e de repente nuvens… antes de confirmar. Tive 20 minutos de céu aberto… depois nuvens cobrindo tudo. Adiado novamente.

Dia 10 de novembro uma da madrugada, fechou-se o ciclo que começou em março de 89.

Íamos para cama e eu resolvi olhar pela “janela lateral do quarto de dormir”. É voltado para o norte, é claro.

E eis que vejo duas ou três estrelas brilhando naquela direção. Sem acender a luz, pego o binóculo e começo a procurar. E finalmente tenho um cometa ali, projetado em minha retina!

Minha amada, e minha filha do coração também viram.

Não sei se perceberam o quanto aquele momento foi esperado e curtido. Mas acho que depois de lerem este relato, vão ver o quanto foi especial. E como fui feliz por ter elas ao meu lado.

Como não consegui fotos, aí vai uma concepção artística do que vi.


Alfa Perseu, também chamada Mirphak, cercado de outras estrelas em Perseu, e o cometa 17P/Holmes, no canto inferior direito. Esta é a visão aproximada do que vi em meu binóculo. Uma pequena mancha branca no canto da ocular.

Quero revê-lo ainda, se o tempo permitir. E perceber o seu movimento em relação às estrelas.
Nem que seja para dizer adeus.

Box da Primeira, Segunda e Terceira temporada de Lost, dvd players e celulares.

Amyr Klink: Senhor Aventura!

segunda-feira, 25 de junho de 2007
.!.

amy_klink.gifEscritor e aventureiro, brasileiro está completando 52 anos neste dia 25 de setembro.

Notável pela sua vida e conquistas, e também por sua forma de descrever o mundo em seus livros. Nos faz viajar suas viagens e ir até onde poucos homens foram capazes de ir.

Em sua solidão no Atlântico em 1984, quando cruzou o oceano em um barco a remo, descobrimos que na verdade, o mar é tão cheio de vida, que solidão não foi exatamente o que ele passou. Solidão de pessoas, sim. Mas em seu relato não me pareceu que um dia sequer ele esteve longe dos pássaros, peixes ou grandes animais marinhos. A natureza gritava todos os dias que não estamos sós nesta Terra.

O livro “100 dias entre o céu e o mar” onde ele narra esta primeira grande aventura, nos deliciamos com cada detalhe e com cada vitória. Quando passa próximo da ilha Santa Helena no meio do Atlântico ficamos torcendo para ele ver a ilha.

Não preciso dizer que é leitura altamente recomendada. Aliás, preciso: eu li e recomendo.

Estou com o segundo livro na prateleira: Paratii Entre Dois Polos . É um das minhas próximas leituras. Este conta a aventura de ir até a Antártica, ficar preso no gelo durante 6 meses, ir até o Ártico e voltar ao Brasil.

Sinceramente uma vida cheia de realizações, vitórias e muita muita luta.

Feliz aniversário Amyr Klink!

As Janelas Do Paratii

“Pelas janelas de um barco faz-se o mundo passar. Que me desculpem os entendidos com seus rigores técnicos e nomes precisos – mais do que escotilhas, gaiútas ou vigias, o meu barco tem porta e janelas. Sete, grandes e claras, por onde, trabalhando as velas e juntando milhas, fiz passar as latitudes e paisagens que procurei. E uma porta, por onde passei mais vezes do que sei. Sete janelas, uma para cada mar, voltadas para os lados e para a frente, que transformaram distâncias em tempo, fizeram do desconhecido o seu porto e, ao final, não se fecharam em porto nenhum.

Vinte e dois meses viajando no Paratii, atravessando nos alísios as areias do Saara ou marcando de gelo o alumínio do costado, descobri que apenas para isso serve um barco.

Para não viver em portos, e navegar. Para fazer passar por suas janelas o mundo, e, um dia, voltar”

“O mar não é um obstáculo: é um caminho”.
Amyr Klink.

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divx killshot

Barco a remo utilizado em sua travessia do Atlântico em 1984

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Fontes

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