Estou começando a experimentar a arte da Astrofotografia. É fascinante olhar para o céu e ver a dança dos planetas luas e estrelas. Apontar o telescópio e encontrar nebulosas e cometas.
Compartilhar isso com as pessoas é algo especial. Apresentar as maravilhas da natureza.
Já faz tempo que sonho obter fotos das belezas que vejo no céu com meu telescópio. Já tinha conseguido registrar algumas constelações com minha câmera digital, e publiquei aqui algumas fotos com Júpiter e o Escorpião.
Mas desta vez me inspirei nas orientações do astrônomo amador José Serrano Agustoni [Zeca]. Ele construiu um suporte para ligar uma câmera digital ao seu telescópio. Conseguiu umas fotos bem interessantes.

Depois de um pouco de tratamento no Gimp consegui identificar todas as luas galileanas visíveis no horário: Ganímede, Europa e Calisto. Io estava oculta por Júpiter:

Aproveitando a semana onde comemoramos 50 anos da astronáutica, hoje vamos falar mais sobre astronomia e sobre o projeto SOHO - Solar and Heliopheric Observatory.
Desenvolvido pela Nasa americana e a ESA européia, tem objetivo o estudo do Sol tanto as camadas internas de sua coroa quanto os ventos solares. O observatório espacial foi lançado em dezembro de 1995 por um foguete Atlas e tem enviado milhares de imagens de seus 12 instrumentos científicos.
Para obter dados do Sol de forma constante ele foi lançado em uma pequena órbita ao redor do ponto de Lagrange L1 entre a Terra e Sol:

A um custo de centenas de milhões de Euros já foram produzidos milhares de imagens do Sol e sua vizinhança. Foram imagens de explosões gigantescas, ventos de partículas, os planetas e cometas. Falando somente de cometas, SOHO já descobriu 1350.
Tenho certeza que depois destas imagens você vai pensar no Sol de outra maneira:
Primeiro Cometa Periódico descoberto pela SOHO e confirmado oficialmente.

Disparadamente o mais brilhante dos últimos 40 anos. Compare com o brilho do cometa P/2007 R5 acima.

Os três elementos mais visíveis do vento espacial: Uma tempestade solar, a aurora boreal vista do espaço e a aurora vista da Terra. Imagens obtidas simultaneamente pelo SOHO, Polar’s VIS imager e por Jan Curtis no Alasca.

Comparando a grande atividade solar em dois momentos diferentes. É possível verificar como as atividades variam de forma dramática.

Ejeção de massa coronal (CME) de tamanho imenso. Veja que a coroa Solar está delimitado pelo pequena circunferência central. A ejeção possui várias vezes o diâmetro do Sol. As partículas são ejetadas a até 3 milhões de quilômetros por hora.

Imagens obtidas através da análise da velocidade do som obtidas pelo instrumento MDI. Áreas vermelhas são mais quentes que as áreas azuis.

O término do projeto estava previsto para março deste ano depois de mais de uma extensão dos estudos. Como os instrumentos ainda estão respondendo com precisão, já foi realizado um novo adiamento.
Se gostou das fotos, participe, deixe sua opinião nos comentários abaixo. Já tinha visto o Sol desta maneira?
A astronomia continua sendo uma ciência pouco conhecida das pessoas comuns. Muitos mitos e idéias incorretas são passadas de geração em geração sem que as pessoas percebam.
Um pequeno deslize da professora primária de minha filha me irritou profundamente. Ensinando ciências e planetas ela soltou a seguinte pérola: “infelizmente os planetas não são visíveis sem um telescópio”.

Minha pequena que já viu Júpiter, Saturno e Vênus no telescópio e olhando para o céu de vista desarmada, levantou a mão e contestou.
-Mas eu já vi, meu padastro me mostrou, mais de uma vez.
-Não inventa história menina, não dá para ver e pronto.
Claro que a turma caçoou dela. Mas a professora estava errada. Não é difícil ver nem identificar os planetas sem um telescópio ou binóculo. Olhar para o céu e conhecer as constelações ajuda muito. Um planeta é algo que destoa do desenho constante das estrelas.
Enquanto as constelações estão fixas entre si e navegam conforme a Terra rodopia e gira ao redor do Sol, os planetas fazem caminhos totalmente independentes. Olhando para o céu em um determinado horário vários dias ou semanas seguidas é possível perceber este movimento.
Devido ao movimento nem todos os planetas estão visíveis em uma mesma noite. Funciona parecido com a Lua, que tem suas fases e eventualmente fica escondida abaixo do horizonte. Além disso as distâncias entre os planetas e a Terra variam bastante, portanto o brilho aparente dos planetas também varia.
Por estes dias, pouco depois do pôr-do-sol, quando o céu começa a escurecer é possível encontrar com facilidade dois planetas: Júpiter e Mercúrio.
Não é difícil, porque você não tenta? Fique olhando em direção ao pôr-do-sol enquanto o céu escurece. Eles serão as primeiras “estrelas” que aparecerão. Primeiro Júpiter, a 60 graus e depois Mercúrio a 20, um tanto menos brilhante. Não é bom com ângulos? Então vejamos um tranferidor:

Ontem, dia primeiro de outubro de 2007, ao anoitecer, peguei minha câmera digital e consegui algumas fotos:
Mercúrio por estar mais próximo ao Sol é visível assim apenas nos próximos dias, depois ele vai ficar mais e mais próximo do horizonte no momento do Pôr-do-Sol até que não seja mais possível vê-lo por um tempo. Lembrando que os 20 graus que disse é para 18:20h (*20 min), mas com a Terra girando Mercúrio vai descendo até sumir no horizonte às 19h55 (*1h55).
Júpiter, o grande planeta gigante, é bem mais fácil de identificar: é o objeto mais brilhante no céu nos próximos dias. Olhe para cima e imagine suas luas e sua grande mancha vermelha. A imaginação é algo fascinante, e muito mais barato que um telescópio.
Estará a 60 graus as 18:20h (*20min) e sumirá no horizonte às 22:00h. (*3h40) Se olhar as estrelas vizinhas é fácil identificar a constelação de Escorpião:
É ótima oportunidade para aprender a identificar uma constelação fácil e muito interessante. Aproveite.
Se conseguir identificar os planetas, venha aqui nos comentários para contar a experiência. E tendo um binóculo qualquer em mãos, experimente apontar para Júpiter. Dependendo da qualidade do mesmo, poderá até ver alguma das luas famosas de Galileu.
*Horário vale para a região Sudeste. Para as outras regiões do país basta somar o tempo entre tempo entre parênteses com o horário do pôr-do-sol:
Já tive a oportunidade de corrigir a professora apresentando Vênus às 17:30h com o céu ainda num tom de azul claro.
Lançada quinta-feira, dia 27 de setembro de 2007 às 8h34 da manhã a sonda Dawn tem o objetivo de estudar a formação do sistema solar através do estudo dos Asteróides Vesta e Ceres.
O lançamento foi realizado com um foguete Delta, bastante comum, aliás pela foto é bastante parecido com o VLS brasileiro. O que a sonda tem de especial são os motores que o levarão até o cinturão de asteróides. São motores de íons testados pela primeira vez na missão Deep Space 1.
O funcionamento consiste em uma série de reações químicas com Xeon e energia elétrica gerada pelos painéis solares. O desenho do motor força a aceleração dos íons de Xeon até 35000m/s. Como eles tem uma massa muitíssimo pequena, a lei da ação e reação faz a sonda ganhar velocidade na taxa de 7×10-5m/s, ou 0,00007m/s.
Isso parece muito pouco, mas em 4 anos, que é o tempo da viagem, a velocidade da nave poderia estar em:
v=a*t (partindo do repouso, o que não é o caso)
v=0,00007 *1316000s (4 anos em segundos)
v=9224,2m/s!! ou 33207,12 km/h, equivalente a 3% da velocidade da luz!!
Ok, este valor é teórico, teríamos outras variáveis a colocar, como a gravidade da terra, dos outros planetas, etc, etc.
O projeto pretende atingir a velocidade 8.850 quilômetros por hora em um ano e durante todo o período usar apenas 57kg de combustível. O que já foi provado ser possível com os testes da nave Deep Space 1.

O conhecimento atual do cinturão de asteróides indica que com a formação de Júpiter o processo de aglutinação de um outro planeta na faixa do cinturão parou. O estudo destes asteróides é importante, pois nos dá indicadores de como se formaram os planetas rochosos. Entendê-los é aprender sobre a Terra em sua formação.
Se você acha que kilômetros é uma boa unidade de medida para distância das estrelas, olhe isto:
Estrela mais próxima de nós: 40.113.497.203.742,60 Km. (1)
Para mim este é um número completamente inútil. 40 trilhões de quilômetros. Faz idéia do que isso representa?
Eu não. Por este motivo uma medida mais comum quando lidamos com distâncias astronômicas é usar a velocidade da luz. Esta velocidade é constante no vácuo interestelar. Portanto medindo o tempo que a luz percorre uma distância podemos deduzir a própria distância. Instrumentos óticos e relógios de altíssima precisão permitem calcular estes tempos e medir as distâncias sem precisar passar um fita métrica até lá.
Agora vamos ver a mesma medida em anos-luz:
Estrela mais próxima: 4,24 anos-luz.
Esta medida significa que: se acendermos uma lâmpada aqui na terra neste exato instante, a luz gerada iria percorrer a distância até a estrela mais próxima em 4 anos e mais alguns dias.
É claro, deveria ser uma lâmpada bem potente para ser detectado de tão longe!
Vamos pensar um pouco a respeito. Se a luz que sai aqui da Terra leva 4 anos para chegar até lá, quanto tempo a luz gerada lá na estrela leva para chegar até aqui?
Resposta: 4 anos. A distância é a mesma!
Não sei se percebeu o que quer dizer a resposta acima. Quando eu descobri, não pude deixar de pensar em uma máquina do tempo. O Telescópio Espacial Hubble é uma máquina do tempo. Ele nos permite ver o passado.
Não entendeu? Pois é simples, se a luz de uma estrela leva 4 anos para chegar até sua retina, o que você vê é uma imagem da estrela à 4 anos atrás! Isso é, você vê o passado. A imagem atual da estrela você só verá em 2011, a luz levará mais 4 anos para chegar aqui!
Se entendeu o conceito acima, não vai conseguir olhar as estrelas da mesma maneira. Afinal todas as estrelas que vemos, na verdade são imagens do passado.
Uma estrela fácil de identificar a estrela Gama Cruz, também chamada Mimosa, é a ponta esquerda do Cruzeiro do Sul. Está localizado a 320 anos-luz de distância. Isso é, o que você vê é como ela era em 1651. Época em que viveu Galileu Galilei.
É claro que Galileu não viu a mesma imagem, afinal o que ele viu foi a estrela Mimosa de 1296. Confuso? Então, leia o artigo de novo, desta vez com mais atenção! (Desculpe meu lado professor, mas sempre peço isso aos meus alunos.)
Se quiser ver uma das estrelas mais próximas, primeiro localize o Cruzeiro do Sul. Normalmente a única constelação identificável pela maioria das pessoas:
A estrela Alfa Centauri está destacada na imagem.
Veja que ao observar a posição do Cruzeiro em pé, a estrela Alfa Centauri estará sempre “à sua esquerda”(2) formando um par brilhante com a Beta Centauri. Como a Terra gira, o Cruzeiro não aparece de pé o tempo todo como na imagem acima , então é só imaginar como se estivesse e olhar à esquerda(2). Veja como fica depois de várias horas:
Alfa Centauri é a estrela alaranjada no topo da imagem.
Apesar de parecer a olho nu apenas uma estrela, temos 2 estrelas bem próximas uma das outras:
Alfa Centauri A e B formam um sistema binário que giram um ao redor do outro a cada 80 anos. Estas duas são as estrelas visíveis a olho nu mais próximas de nós. Mais perto que estas duas temos somente a estrela Proxima Centauri: 4,24 anos-luz.
“Apesar de estar mais próxima, não é visível por se tratar de uma pequena anã vermelha de fraco brilho e com diâmetro aproximado de 6 vêzes o da Terra”. (veja mais em: Uranometria Nova e Observatório Phoenix, agradeço Marcelo Moura pela correção)
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