Posted on 15:40, outubro 5th, 2007 by Prof. Luis Eduardo

Aproveitando a semana onde comemoramos 50 anos da astronáutica, hoje vamos falar mais sobre astronomia e sobre o projeto SOHO - Solar and Heliopheric Observatory.

Desenvolvido pela Nasa americana e a ESA européia, tem objetivo o estudo do Sol tanto as camadas internas de sua coroa quanto os ventos solares. O observatório espacial foi lançado em dezembro de 1995 por um foguete Atlas e tem enviado milhares de imagens de seus 12 instrumentos científicos.

Para obter dados do Sol de forma constante ele foi lançado em uma pequena órbita ao redor do ponto de Lagrange L1 entre a Terra e Sol:

Órbita de Soho no ponto Lagrange L1.
Acima: Terra e Lua com sua órbita, ao centro a trajetória da Soho e abaixo o Sol.

Neste ponto a gravidade da Terra e do Sol se anulam o que faz o observatório não precisar de combustível para se manter na posição correta de captação de dados.

A um custo de centenas de milhões de Euros já foram produzidos milhares de imagens do Sol e sua vizinhança. Foram imagens de explosões gigantescas, ventos de partículas, os planetas e cometas. Falando somente de cometas, SOHO já descobriu 1350.

Tenho certeza que depois destas imagens você vai pensar no Sol de outra maneira:

Cometa P/2007 R5 SOHO

Primeiro Cometa Periódico descoberto pela SOHO e confirmado oficialmente.

Cometa P/2007 R5

Cometa McNaught

Disparadamente o mais brilhante dos últimos 40 anos. Compare com o brilho do cometa P/2007 R5 acima.

Cometa MacNaught

Vento Solar

Os três elementos mais visíveis do vento espacial: Uma tempestade solar, a aurora boreal vista do espaço e a aurora vista da Terra. Imagens obtidas simultaneamente pelo SOHO, Polar’s VIS imager e por Jan Curtis no Alasca.

Vento Solar: Tempestade Solar mais Aurora Boreal.

Grande variação da Atividade Solar

Comparando a grande atividade solar em dois momentos diferentes. É possível verificar como as atividades variam de forma dramática.

Comparando a atividade Solar.

CME

Ejeção de massa coronal (CME) de tamanho imenso. Veja que a coroa Solar está delimitado pelo pequena circunferência central. A ejeção possui várias vezes o diâmetro do Sol. As partículas são ejetadas a até 3 milhões de quilômetros por hora.

Uma Ejeção de Massa Coronal(CME).

Outro CME

Visão Interna do Sol

Imagens obtidas através da análise da velocidade do som obtidas pelo instrumento MDI. Áreas vermelhas são mais quentes que as áreas azuis.


Visão Interna do Sol.

O término do projeto estava previsto para março deste ano depois de mais de uma extensão dos estudos. Como os instrumentos ainda estão respondendo com precisão, já foi realizado um novo adiamento.

Se gostou das fotos, participe, deixe sua opinião nos comentários abaixo. Já tinha visto o Sol desta maneira?

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Fonte:

Site oficial SOHO

Posted on 10:29, outubro 4th, 2007 by Prof. Luis Eduardo

Neste 4 de outubro de 2007, estamos comemorando 50 anos da Sputnik e o início da corrida espacial. Até o Google fez sua homenagem:

Google Homenagem ao Sputnik 50 anos

Com a guerra fria, a extinta União Soviética e os Estados Unidos iniciaram o desenvolvimento da Indústria Espacial.

Quem deu o pontapé inicial foram os soviéticos lançando ao espaço pela primeira vez um objeto feito pelo homem. Colocou em órbita o Sputnik, um satélite artificial de 83Kg e 58 cm de diâmetro.

Réplica da Sputnik
Réplica do Sputnik

O Sputnik possuia 2 rádios transmissores operando a 20 e 40Mhz e funcionou durante três semanas enviando dados que incluíram a temperatura interna e externa da cápsula. O objetivo era obter informações inéditas sobre a ionosfera. O satélite ainda ficou em órbita sendo observado por instrumentos óticos, até que 92 dias depois do lançamento finalmente decaiu.

Este lançamento bem sucedido provocou os americanos que responderam com a criação da Nasa e os primeiros projetos americanos de lançamento de foguetes. O ciclo culminou no projeto Apollo.

Para o lançamento do Sputnik os soviéticos utilizaram um foguete R7 com 34m de comprimento, 3 de diâmetro e 280 toneladas! Funcionava com oxigênio líquido e querosene. Foi adaptado de um foguete lançador de mísseis transcontinentais.

R-7 Semyorka
Foguete R-7 que lançou o Sputnik ao Espaço.

Um detalhe interessante é que o Sputnik não era visível da Terra sem binóculos ou telescópios. Porém o foguete R-7 devido a sua superfície extremamente brilhante pôde ser visto de várias regiões do mundo, enquanto também estava em órbita. Para os que viram Mercúrio nos últimos dias o brilho do foguete era da mesma intensidade.
Aliás, para quem não sabia, é possível ver muitos restos de foguetes, satélites, o Hubble e a Estação Espacial sem uso de instrumentos óticos, ou a olho-nu se preferir. Vou fazer um artigo justamente sobre isso. É fácil e não precisa muita habilidade.

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Posted on 13:01, outubro 3rd, 2007 by Prof. Luis Eduardo

Neste exato momento existem três pessoas viajando à estonteante velocidade de 27,7 mil quilômetros por hora. Os russos Fyodor Yurchikhin e Oleg Kotov e o americano Clayton Anderson.
Não, eles não vão ser multados por isso. Eles estão flutuando a bordo na Estação Espacial Internacional (ISS). Dão 15 voltas ao redor da Terra todos os dias. Deve ser uma aventura e tanto.

Insígnia Expedição 13
A vida no espaço não é nada fácil. Coisas simples como ir ao banheiro e se alimentar são complicadas ao extremo pela falta da gravidade.

Neste vídeo veja os integrantes da Expedição 13, Pavel Vinogradov russo de bigode, e Jeffrey Williams americano, em seu dia a dia na Estação:


Awesome Spatial Life. - More amazing video clips are a click awaySem dúvida a Estação Espacial é um dos maiores feitos da Astronáutica e da cooperação internacional.

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via Buscapé

Posted on 09:07, setembro 28th, 2007 by Prof. Luis Eduardo

Lançamento da Sonda Dawn

Lançamento da Sonda Dawn

Lançada quinta-feira, dia 27 de setembro de 2007 às 8h34 da manhã a sonda Dawn tem o objetivo de estudar a formação do sistema solar através do estudo dos Asteróides Vesta e Ceres.

O lançamento foi realizado com um foguete Delta, bastante comum, aliás pela foto é bastante parecido com o VLS brasileiro. O que a sonda tem de especial são os motores que o levarão até o cinturão de asteróides. São motores de íons testados pela primeira vez na missão Deep Space 1.

Motores de Íons

Deep Space 1

O funcionamento consiste em uma série de reações químicas com Xeon e energia elétrica gerada pelos painéis solares. O desenho do motor força a aceleração dos íons de Xeon até 35000m/s. Como eles tem uma massa muitíssimo pequena, a lei da ação e reação faz a sonda ganhar velocidade na taxa de 7×10-5m/s, ou 0,00007m/s.
Isso parece muito pouco, mas em 4 anos, que é o tempo da viagem, a velocidade da nave poderia estar em:

v=a*t (partindo do repouso, o que não é o caso)
v=0,00007 *1316000s (4 anos em segundos)
v=9224,2m/s!! ou 33207,12 km/h, equivalente a 3% da velocidade da luz!!

Ok, este valor é teórico, teríamos outras variáveis a colocar, como a gravidade da terra, dos outros planetas, etc, etc.

O projeto pretende atingir a velocidade 8.850 quilômetros por hora em um ano e durante todo o período usar apenas 57kg de combustível. O que já foi provado ser possível com os testes da nave Deep Space 1.

Os Asteróides Vesta e Ceres:

asteroids3new.jpg

O conhecimento atual do cinturão de asteróides indica que com a formação de Júpiter o processo de aglutinação de um outro planeta na faixa do cinturão parou. O estudo destes asteróides é importante, pois nos dá indicadores de como se formaram os planetas rochosos. Entendê-los é aprender sobre a Terra em sua formação.

Fontes

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Posted on 08:37, setembro 26th, 2007 by Prof. Luis Eduardo

Medindo a distância das estrelas. Uma janela para o Passado.

Se você acha que kilômetros é uma boa unidade de medida para distância das estrelas, olhe isto:

Estrela mais próxima de nós: 40.113.497.203.742,60 Km. (1)

Para mim este é um número completamente inútil. 40 trilhões de quilômetros. Faz idéia do que isso representa?

Eu não. Por este motivo uma medida mais comum quando lidamos com distâncias astronômicas é usar a velocidade da luz. Esta velocidade é constante no vácuo interestelar. Portanto medindo o tempo que a luz percorre uma distância podemos deduzir a própria distância. Instrumentos óticos e relógios de altíssima precisão permitem calcular estes tempos e medir as distâncias sem precisar passar um fita métrica até lá.

Agora vamos ver a mesma medida em anos-luz:

Estrela mais próxima: 4,24 anos-luz.

Esta medida significa que: se acendermos uma lâmpada aqui na terra neste exato instante, a luz gerada iria percorrer a distância até a estrela mais próxima em 4 anos e mais alguns dias.

É claro, deveria ser uma lâmpada bem potente para ser detectado de tão longe!

Vamos pensar um pouco a respeito. Se a luz que sai aqui da Terra leva 4 anos para chegar até lá, quanto tempo a luz gerada lá na estrela leva para chegar até aqui?
Resposta: 4 anos. A distância é a mesma!

Não sei se percebeu o que quer dizer a resposta acima. Quando eu descobri, não pude deixar de pensar em uma máquina do tempo. O Telescópio Espacial Hubble é uma máquina do tempo. Ele nos permite ver o passado. :-)

Não entendeu? Pois é simples, se a luz de uma estrela leva 4 anos para chegar até sua retina, o que você vê é uma imagem da estrela à 4 anos atrás! Isso é, você vê o passado. A imagem atual da estrela você só verá em 2011, a luz levará mais 4 anos para chegar aqui!

Telescópio Espacial Hubble
Telescópio Espacial Hubble

Se entendeu o conceito acima, não vai conseguir olhar as estrelas da mesma maneira. Afinal todas as estrelas que vemos, na verdade são imagens do passado.

Olhando diretamente o Passado

Uma estrela fácil de identificar a estrela Gama Cruz, também chamada Mimosa, é a ponta esquerda do Cruzeiro do Sul. Está localizado a 320 anos-luz de distância. Isso é, o que você vê é como ela era em 1651. Época em que viveu Galileu Galilei.
É claro que Galileu não viu a mesma imagem, afinal o que ele viu foi a estrela Mimosa de 1296. Confuso? Então, leia o artigo de novo, desta vez com mais atenção! (Desculpe meu lado professor, mas sempre peço isso aos meus alunos.)

Se quiser ver uma das estrelas mais próximas, primeiro localize o Cruzeiro do Sul. Normalmente a única constelação identificável pela maioria das pessoas:

Alfa Centauri (em destaque)
A estrela Alfa Centauri está destacada na imagem.

Veja que ao observar a posição do Cruzeiro em pé, a estrela Alfa Centauri estará sempre “à sua esquerda”(2) formando um par brilhante com a Beta Centauri. Como a Terra gira, o Cruzeiro não aparece de pé o tempo todo como na imagem acima , então é só imaginar como se estivesse e olhar à esquerda(2). Veja como fica depois de várias horas:

Alfa Centauri: estrela alaranjada no topo da página.
Alfa Centauri é a estrela alaranjada no topo da imagem.

Apesar de parecer a olho nu apenas uma estrela, temos 2 estrelas bem próximas uma das outras:

  • Alfa Centauri A: 4,35 anos-luz
  • Alfa Centauri B: 4,35 anos-luz

Alfa Centauri A e B formam um sistema binário que giram um ao redor do outro a cada 80 anos. Estas duas são as estrelas visíveis a olho nu mais próximas de nós. Mais perto que estas duas temos somente a estrela Proxima Centauri: 4,24 anos-luz.
“Apesar de estar mais próxima, não é visível por se tratar de uma pequena anã vermelha de fraco brilho e com diâmetro aproximado de 6 vêzes o da Terra”. (veja mais em: Uranometria Nova e Observatório Phoenix, agradeço Marcelo Moura pela correção)


(1) A estrela mais próxima de nós é o Sol. Estou considerando somente as outras estrelas, ok?
(2) Eu sei que o termo “à esquerda” está incorreto, mas para um leigo é mais simples de guardar e localizar. O termo cientificamente correto é “à Leste”.

Fonte:

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