Sobre Inteligência Artificial e a participação dos leitores

Na última quinta, 13 de agosto, lancei a você leitor uma proposta de diálogo sobre Inteligência Artificial. Não leu? Então antes de continuar, dê uma passada e veja o resultado.

Não é a primeira vez que chamo os leitores a dar sua opinião, no entanto desta vez o resultado foi acima do esperado. A qualidade da participação, mesmo com a quantidade sendo pequena, me surpreendeu. Vamos rever a proposta da conversa:

Que tal pensar um pouco sobre I.A.? Algumas perguntas para você:

  • Você acredita que computadores pensarão como no filme do Homem Bicentenário, Eu, Robô e outros?
  • As leis da robótica de Isaac Asimov tem alguma serventia na realidade?
  • Corremos o risco de sermos dominados pelas máquinas, como a Skynet ou a Matrix?
  • Quais as consequências de conseguirmos criar uma mente artificial como a nossa? Isso nos tornaria Deuses? Ou ao contrário, nos tiraria a ambição de sermos “especiais” e “divinos”?

A participação foi realmente pequena, apenas quatro leitores participaram e deixaram seu recado. Vou destacar o que achei mais interessante de cada um, junto com minha idéia a respeito:


De Giseli Ramos do CyberGi:

… vai demorar ainda mais um tempo, porque se mal desvendamos os mecanismos das emoções no humano, imagina emulá-lo num robô…

Pois para mim acho impossível. Pelo menos com toda a tecnologia atual. Somente com outros tipos de computadores isso poderia ser cogitado. Atualmente na forma determinista que os computadores funcionam acho improvável simular as ligações sinápticas e obter a mesma velocidade e principalmente paralelismo que os circuitos cerebrais.

… Por fim, acho que a criação de IAs nos torna mais humildes e provando o fato de que ter atributos mentais não nos torna especiais diante do Universo.

Nisso eu concordo. Se realmente chegarmos a criar uma mente artificial provaríamos que de fatos não temos nada de especial. E por ser “um tanto arrogante” isso reforça minha tese de que não conseguiremos.

Só para constar, só por descobrir o site da Gisele já me valeu a idéia da conversa. Ela é nerd até os ossos e cheia de referências que eu curto e conheço. O papo é de altíssimo nível e muito recomendável para meus leitores. IA é um dos temas que ela adora. Além de Ficção Científica. Ela ainda não leu meu livro. Mas eu ficaria honrado se ela tentasse.


De Elza Dantas da Silva fã de Fernanda Lima:

… O planeta Terra se destruiria de vez, pq já estamos destruindo com tanto mal uso dos recursos naturais, industriais e até tecnológicos. O negócio no futuro é cuidar do meio ambiente, pois somos especiais, claro, mas não divinos.

Muito otimista para meu gosto. Destaque por ser ao menos “engajada”. Interessante o fato de nos considerar especiais, mas não divinos.


De Dudu Tomaselli do site homônimo:

…Acho que se o nível de evolução continuar e se não nos extinguirmos antes, vai chegar o dia em que os robôs terão inteligência suficiente para competirem conosco…

Este pequeno detalhe: “…não nos extinguirmos antes…” é um fator importante. Eu sou um pouco otimista a este respeito. Um pouco, mas não muito. Quanto a robôs competindo conosco, já está acontecendo, ou será que existe outra explicação para as linhas de produção de automóveis precisarem de muito menos humanos para funcionar? Ou em tomada de decisões sobre seguros e empréstimos por exemplo…

Dudu Tomaselli é um dos leitores que está por aqui desde os primórdios do site a quase 2 anos. Agradeço a divulgação do papo em seu Blog. Valeu xará.


De Meison Almeida do site homônimo:

…Porém como a inteligência artificial funciona a partir de aprendizados, muitas vezes pré-determinados, mas mesmo assim aprendizados, poderá haver uma biblioteca muito extensa que aliada ao alto processamento pode parecer como a dos filmes, mas limitar-se-a ao que lhe for imputada…

Bem colocado. Um livro atual fala que a WEB será o repositório que atingirá a singularidade e os computadores do Google farão o processamento. Outra idéia para o problema do aprendizado, seria colocar a máquina para aprender exatamente como a um humano: em escolas, livros e outros meios. Se o cérebro da máquina funcionasse como a de um humano poderia funcionar.

…essas máquinas desses filmes não tem somente inteligência, mas também sentimento, raiva, desejos, sonhos, isso não tem como criar nem simular…

Talvez esta seja a principal pergunta: As máquinas poderão ter sentimentos? Esta também é minha grande objeção. Somente teremos saída para o problema quanto pudermos entender como o sentimento se dá fisicamente dentro de nosso cérebro.

Eu acredito que inteligência e sentimento sempre vem juntos. Não existe inteligência sem sentimentos e vice-versa. Se acredita que o computador pode pensar, ele invariavelmente deverá “sentir” também. Minha opinião.


Continuando…

A discussão ainda está aberta. Os quatro que responderam tem direito a réplica. E você também pode dar seu pitaco utilizando do formulário de comentários abaixo. Quero deixar uma nova pergunta para apimentar a conversa:

  • Considerando que conseguíssemos construir uma máquina que pense exatamente como nós. Que a treinássemos como uma criança. Educando-a com nossa cultura, valores e moral. O que de fato a tornaria não humana? Qual fator a tornaria não humana?

Só mais uma dica: não se prendam a noção de robôs humanóides. Um grande supercomputador ocupando um prédio inteiro poderia ser a primeira máquina pensante. Se um dia acontecer, acredito que provavelmente será assim.

Continuem participando. O prêmio de participação deste papo ainda está em disputa.

Outros Artigos:

15 comentários para “Sobre Inteligência Artificial e a participação dos leitores”

  1. Olá! Acho que na possibilidade do robô ser criado, acho que o que não a tornaria humana seria a falta de órgãos como os nossos, claramente! E será que os sentimentos do robô serão verdadeiros? Aquele lindo robô do Spielberg em A.I. é realmente uma perfeição… Que só humanos com capacidade de criar, sentir e se emocionar verdadeiramente podem criar!
    Como toda máquina, um dia ela estraga de vez, assim como os humanos na morte!
    Abraços

  2. Me desculpe se acabei sendo redundante em uma frase! Quis mesmo dizer que humanos realmente tem essa capacidade de fazer belas criações, para o nosso bem, e não só de destruição, guerras.
    Podemos num futuro ter máquinas semelhantes a nós, mas seria como estarmos jogando nossa responsabilidade em cima das tais máquinas e nos esquecendo que por milhares de anos, os humanos são seres importantes e que cada ser vivo têm sua importância no planeta.

    • Elza, bem vinda de volta ao batepapo…

      Sobre sua posição: A máquina não seria humana por falta de nossos órgãos.

      Acho que discordo disso, uma vez que a técnica de utilizar órgãos artificiais está melhorando a cada dia. E isso não torna os portadores “menos humanos”.

      O que acha deste argumento?

    • Esqueci de falar sobre os sentimentos. Em nosso cérebro os sentimentos são gerados em uma área mais antiga e primitiva. É algo mais instintivo e viceral. Se um dia conseguirmos gerar as nuances do pensamento consciente, que é de muito maior complexidade, com certeza os sentimentos também virão.

  3. Giseli disse:

    Obrigada pela resposta e pela visita ao meu blog =) Agora, aos “negócios”:
    De fato, com a computação atual, é impossível simular com fidelidade o cérebro humano. Sabe o projeto “Blue Brain”? O objetivo dele é fazer uma engenharia reversa, começando com simulações de cérebros de mamíferos simples (como o rato). Mas mesmo assim, acho que para obter, digamos, total fidelidade a um cérebro humano, só com computadores quânticos (e olhe lá, porque nem sabemos exatamente o que eles podem fazer nesse quesito, já que a computação quântica não vai ser uma panacéia universal).
    Outra coisa que li aí, é sobre a simulação de emoções. Francamente, não sei se instalar “codecs” emocionais vai ser útil, com exceção, talvez dos robôs usados na guerra (seria útil ter, por exemplo, compaixão ou misericórdia com quem se rende), mas um robô raivoso vai ser de alguma utilidade?
    Agora (ufa), com relação à pergunta no final do post, bom, já ouviu falar do conceito “vale da estranheza” (uncanny valley)? Por isso que não tento especificar o que não seria humano num robô, é algo meio “instintivo”. Talvez a capacidade de fazer piadas ou de distinguir brincadeiras… rs.

    • …só com computadores quânticos…
      Acho que nem computadores quânticos… embora eu precise pesquisar um pouco mais a respeito destes para ter uma posição mais segura. Os atuais de silício acho só mudando a arquitetura, que atualmente é serial demais. O cérebro tem um paralelismo que deixam os super computadores no chinelo. Pelo que li os quânticos são bons com incerteza e paralelismo, quem sabe é por aí.

      …Francamente, não sei se instalar “codecs” emocionais vai ser útil…
      Acho que o grande barato de desenvolvimento da IA, com a busca de uma mente pensante como um humano é exatamente confirmar nosso conhecimento sobre a mente humana. É um ambiente de provas que seria fantástico. Por isso mesmo acredito que é essencial ir até o fim. Até as emoções. Senão como poderíamos usar a mente artificial para treinar os novos psiquiatras de forma mais segura?

      …já ouviu falar do conceito “vale da estranheza”? …
      Sim já. Um efeito disso é o filme Toy Story ser legal e o Final Fantasy ser estranho (brincadeira, neste caso é o roteiro :-) ). Entendo sua posição, qualquer fator simples que diferenciasse a máquina do humano causaria a identificação imediata de estranheza nos humanos que convivessem com a máquina. Agora, o que acha se esta máquina e humanos convivessem em um ambiente virtual? As estranhezas seriam iguais para ambos? (embora nem seja a aparência o problema, não é? Qualquer comportamento estranho da máquina já dispararia o sinal amarelo…)

      ..Talvez a capacidade de fazer piadas ou de distinguir brincadeiras… rs…
      Acho que isso seria a prova que a inteligência apareceu. Mas isso não torna a máquina humana não. Tem tanta gente por aí sem capacidade de entender as boas piadas… rsrs

      • Giseli disse:

        Computadores quânticos – Então, sou do tipo que prefere esperar a computação quântica chegar para ver o quão grande o salto da IA pode ser =D
        Emoções em robôs – Eu estava mesmo esquecendo de algo ao responder… Emoções são úteis sim para estudar a nós mesmo em ambientes controlados. Só não acho útil termos robôs depressivos trabalhando hehe. Tem uma pesquisa de alguém do Instituto Rensselaer que saiu na Sciam americana (depois procuro o link, se tu se interessar) sobre a simulação de uma IA malvada, justamente para decifrar os processos da malvadeza. Aí acho útil, só não acharia legal se liberassem esse programa no Second-Life, por exemplo…
        O que é humano e o que não é? – Como sou adepta de IAs e tal, sou suspeita para falar, mas francamente não ligo se sejam humanos ou não, gosto das IAs como elas são =P

        • Mas, saber se serão humanos ou não, é uma das questões filosóficas mais interessantes sobre IA. Afinal é isso não é sobre o que são as máquinas, mas sobre o que nós somos. Somos um monte de células inteligentes?
          Se nos considerarmos isso, então as máquinas pensantes serão tão humanas quanto nós…

  4. Giseli disse:

    Ah, e claro que darei um jeito de ler seu livro =) Quando terminar, darei minhas impressões!

    • Só não seja cruel ;-) . É o meu primeiro livro e em minha própria opinião é mediano. Embora alguns leitores tenham tido que gostaram…

      Minha pesquisa para o segundo sobre a IA está muito mais interessante e o roteiro que estou preparando está dezenas de vezes mais empolgante. (pelo menos para mim… rsrs)

      Brincadeira a parte, seja sincera. Mas, pelo amor de Deus, não repare em um erro monumental na legenda de uma das fotos e em uma citação. Eu já percebi a tempos mas ainda não consertei em todas as versões publicadas na net.

  5. Ótimo material. É muito interessante ver a opinião mais variada possível.
    Do que li ainda me faz pensar, que se a IA fosse capaz de aprender como nós, seu aprendizado seria mais rápido? Pois pensamos que a máquina é mais rápida que nós, mas nós fazemos todo um trabalho de validação, comparação, relatividade e vários outros “acessos” as memórias que o computador não precisa fazer na atual IA, mas se fosse aprender como nós, será que seriam mais rápidos?

    Ainda sou mais a opção de que haverá um enorme banco de dados que será tão grande que parecerá ser inteligente, mas nada mais é que um banco de dados. Exatamente porque para recriarmos alguma coisa primeiro precisamos entende-la e isso é o que todo mundo fala, mas que até agora ninguém parou para melhorar nossos conhecimentos nisso, esse universo do nosso próprio eu ainda não foi desvendado.

    Essa questão de se conseguirmos copiar a mente estariamos mostrando que é algo comum e deixará de ser único eu não sei, porque assim todas as invenções até hoje estariamos desprezando todo o esforço empenhado. Acho que a mente é única sim e não poderá ser copiada, mas acho que descobriram um modo de utiliza-la, pegando um cerebro organico como fonte para um mecanismo digital.

    Esse assunto é realmente muito bom de ser discutido e dá margem para várias outras vertentes, parabéns pela iniciativa.

    • … mas acho que descobriram um modo de utiliza-la, pegando um cerebro organico como fonte para um mecanismo digital…
      Vi um artigo a alguns anos sobre uma espécie de microprocessador que nada mais é que tecido do cérebro de um rato. Ele era ligado a circuitos eletrônicos. Mas não me lembro de detalhes a respeito…

  6. Juninho disse:

    e ai galera !!
    to procurando um software pra pc, com IA pra eu conversar em linguagem escrita ou falada :) , tipo amigo virtual.
    tenho o MEGAHAL, mas ele é em inglês e é bem limitado.

    A microsoft no fim do ano lançará o Project Natal e apresentará o Milo,
    mas ai precisa de X-box, webcam…etc…é exatamente o q eu kero mas pra PC.

    se souberem de algum interessante, posta aki o nome.. vlw !!!

  7. [...] Esta é a terceira parte do concurso “Eu, Robo?”. A primeira parte e a segunda estão aqui e aqui. [...]

Deixe um comentário