Arquivo de outubro de 2008

Ibex: Nasa mapeando os confins do Sistema Solar

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Uma nave espacial foi lançada neste domingo, 19 de outubro de 2008, pela
Nasa para mapear o que acontece na fronteira de nosso Sistema Solar.
Chama-se IBEX: Missão de Exploração da Fronteira Interestelar.

Foguete Pegasus no momento do lançamento
Avião L1011 lançando o foguete Pegasus com a espaçonave IBEX

Esta será a primeira nave com tecnologia especialmente desenvolvida para
mapear esta região longínqua. A nave Voyaget I foi o primeiro artefato
humano a chegar à esta região em 2004. Porém não possuía tecnologia para
estudar os raios cósmicos e sua interação com o vento solar. Ela foi
preparada para o estudo dos grandes planetas e obter dados e as
primeiras imagens mais próximas.

A nave IBEX, por sua vez, está pronta para realizar a tarefa. Para isso
não precisará viajar até lá, o que levaria décadas. De uma órbita da
Terra usará detectores e instrumentos precisos para detectar as
partículas.

O IBEX estará em uma órbita bem alta: 300 mil quilômetros de altitude.
Para comparação, a Estação Espacial Internacional está em uma órbita em
torno de 400 km apenas. Esta distância é necessária para que a
magnetosfera da Terra não influencie no mapeamento.

Muito interessante o processo de lançamento da nave que foi realizado
por um foguete solto de um avião já em uma grande altitude. Isso,
provavelmente, deve trazer uma economia de combustível do foguete. Pelo
tamanho do foguete na foto abaixo, é que que me pareceu.

Foguete Pegasus
Avião L1011 lançando o foguete Pegasus

Livro do autor novato: Vermelho Vivo, Capítulo 5

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Para ler o livro desde o início comece em:
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Robert T. Jones no Quadro Negro. Resolvendo problema com aerodinâmica de asas em velocidades supersônicas (1946). Crédito: NASA Langley Research Center (NASA-LaRC)

Robert T. Jones no Quadro Negro. Resolvendo problema com aerodinâmica de asas em velocidades supersônicas (1946). Crédito: NASA Langley Research Center (NASA-LaRC)

Capítulo 5 – Mudança de Planos

Depois daquele primeiro dia, sem a pressão da novidade e a expectativa da reação de Anna, finalmente pude me concentrar em produzir a máquina.

Dr. Reynaud, o novo responsável pelo projeto, era uma boa pessoa e muito participativo.

E a equipe era fantástica.

Acho que nunca trabalhei com uma equipe como aquela. A motivação era grande, e a experiência dos integrantes era impressionante.

No entanto, minha posição de gerente do projeto do sensor era muito difícil. Eu não sou o tipo que coordena equipes. Muito pelo contrário, gosto de trabalhar sozinho. O consolo é que a quantidade de trabalho não permitia que eu fizesse isso de qualquer maneira.

Doutora Ivanova foi um caso a parte. Participava de forma visceral do projeto. Era como se a máquina fosse seu bebê. Acho que durante os primeiros meses nunca deixei de vê-la no laboratório. Sempre foi a primeira a chegar e a última a sair.

Meu sofá confortável já tinha sido providenciado próximo de minha mesa. Porém não conseguia dormir direito, a ansiedade começou a deixar-me insone.

Naqueles dias os holofotes sobre a NASA aumentaram. A mídia de todo o mundo estava cobrindo os últimos testes com os foguetes da série Ares 1 e 5, que finalmente iriam levar o homem novamente para lua.

O voo estava previsto para os seis meses seguintes. E Jayson Palmer seria o Comandante. Além dele, conhecia também o piloto John Albert, que estava participando de nosso projeto. John era o terceiro homem na sala de Peter Martin naquela reunião em que começou minha história com a NASA.

O clima então era muito festivo e era grande a esperança que o projeto fosse além, e realmente levasse os primeiros humanos para Marte.

Depois de duas semanas de intenso trabalho, Dr. Reynaud junto com a Doutora Ivanova me procuraram no laboratório para discutirmos algumas questões sobre a máquina. Sua preocupação era com a contaminação dos tripulantes da futura nave.

Fomos até a sala de reunião, onde a nave Colúmbia estava nos esperando em seu canto.

Dr. Reynaud iniciou a reunião:

-Doutores, o diretor Gavin me procurou e está preocupado com o andamento deste projeto. Vocês sabem que o plano inicial foi colocar este seus sensores biológicos na nave que levará os homens até Marte. Porém, estamos conscientes que não será nada simples garantir que nenhuma contaminação exista. O risco para os tripulantes já é enorme sem estas bactérias. Estamos sobre pressão.

Dra. Ivanova concordou:

-Reynaud, a preocupação do diretor é válida. Temos poucas informações sobre estas supostas bactérias. Porém, se existem realmente, devem ser potencialmente resistentes. Procedimentos de desinfecção deveriam ser testados antes que a tripulação chegue próximo desta coisa. Estamos discutindo se devemos incluir isso na máquina, algum laser, ou dispositivo que gere alta temperatura…

-Doutora, – interrompeu Reynaud – eu acho que você já sabe o que devemos fazer não é?

-Mandar uma sonda antes da viagem. – ela respondeu imediatamente com os olhos baixos e uma careta. – Isso irá atrasar a viagem pelo menos uns dois anos.

-Algo próximo disso, doutora. Dr. Schumann, concorda com esta estratégica?

-Acho que seria a melhor maneira, a mais segura. Acho até que Gavin citou isso na minha primeira reunião com ele. Assim, conseguiríamos fazer um conjunto de testes para confirmar todas as coisas que precisamos saber. E a viagem a Marte seria um passeio mais agradável.

-Chamar esta aventura de passeio agradável não me parece muito justo – sorriu Reynaud. Franziu a testa e continuou um pouco mais sério: – Os Chineses vão entrar mais firmes no projeto. Eles têm um foguete pronto e uma sonda com algumas experiências que pretendem fazer. Vamos aproveitar a carona.

-Pensei que a participação deles era apenas financeira. – indaguei.

-Não doutor. Saiba que eles estão preparando um foguete para levar chineses a Lua nos próximos 10 anos. Eles tem tido bons resultados.

-Os foguetes foram baseados nos modelos russos. – esclareceu Ivanova – No entanto, eles conseguiram dominar a tecnologia e aperfeiçoaram muito o equipamento.

-Estou falando sobre isso, pois iremos integrar esta sonda ao foguete chinês. Um dos engenheiros líderes do projeto será transferido para cá e trabalhará com vocês no desenvolvimento. O nome dele é Liwei Won. É engenheiro astronáutico e candidato a Taikonauta.

-Um astronauta chinês? Quem diria. Se continuar assim esta vai ser o projeto mais internacional que já participei! – fiquei empolgado com a ideia.

-Fique tranquilo, ele fala inglês até melhor que a doutora. – brincou Reynaud.

Anna não gostou. Ficou ruborizada e quase pude ouvi-la resmungando alguma coisa entre os dentes.

Dr. Reynaud tirou uma caixa de CDs de sua valise e entregou-me.

-Aqui tem os desenhos e especificações do projeto do foguete chinês. Inclusive com os cronogramas. A previsão é que o lançamento ocorra em quatro meses. Temos pouquíssimo tempo.

Desta vez fui eu quem gelou imediatamente. Parecia impossível atender esta meta.

-Não me parece um prazo razoável. – reclamei.

Reynaud levantou-se e aos gritos respondeu:

-Lembre-se que levamos nove anos para colocarmos o homem na Lua, isso com a tecnologia de meio século atrás. Portanto em quatro meses é perfeitamente possível construir esta sonda. – com o dedo em riste. – Reciclem outros projetos, simplifiquem, resolvam…

Nunca tinha visto ele assim. Falou de uma forma tão enérgica e decidida que eu não tinha como discutir. Realmente, o diretor Gavin tinha feito uma boa escolha.

-Vão trabalhar. Vocês têm muito que fazer.

Eu e Ivanova nos olhamos um pouco surpresos e saímos dali.

Passamos o restante do dia estudando os desenhos e convocamos a equipe para uma reunião no fim da tarde.

Colocamos os desenhos do foguete em um projetor e apresentamos anovidade. Assim como foi para mim, a ideia energizou toda a equipe. Teríamos agora uma meta bem definida com prazo, tamanho do equipamento e objetivo.

Todos fizeram dezenas de perguntas. Algumas soubemos responder, outras tivemos que anotar. Foi um momento muito bom para o projeto.

Muita coisa que já tínhamos projetado teria que ser remodelada ou mesmo refeita. Mesmo assim no fim da reunião todos saíram confiantes e determinados.

Continua…

IADS> Imagem Astronômica da Semana: Eclipse Terrestre

quinta-feira, 16 de outubro de 2008
clique na imagem para ampliar e salvar como tela de fundo do desktop.
Eclipse da Terrestre<br />  - Clique para ampliar

Nesta imagem podemos ver qual a aparência de um Eclipse Solar visto do espaço. Perceba que a sombra da Lua é perfeitamente visível escurecendo parte da Terra. Esta sombra move-se em toda a Terra a quase dois mil quilômetros por hora.

Quem é sortudo de estar bem perto do centro do círculo escuro poder ver o Eclipse Total Solar, os outros mais longe vêem um eclipse parcial.

Esta foto foi tirada em 11 de agosto de 1999, no momento do último Eclipse visível da antiga Estação Espacial Mir. Sim, aquela Estação Espacial que pegou fogo com gente dentro e foi o local do primeiro encontro espacial entre americanos e russos após a guerra fria. Um ônibus espacial já esteve acoplado a ela. Infelizmente a Estação russa foi destruída de forma espetacular com uma reentrada na atmosfera em março de 2001 depois de 15 anos de uso.

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Para ver todas as Imagens Astronômicas da Semana já publicadas clique aqui.

Fonte:  Observatório National d’Etudes Spatiales.

Descobertas Ciêntíficas: O Método Científico

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mesmo atrasado, este artigo é minha contribuição para a Blogagem Coletiva: Descobertas Científicas, proposto pelo site Lablogatórios.

A Descoberta Científica que escolhi para falar em minha participação é o próprio Método Científico.

Olhando na Wikipedia:

” O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. Na maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências observáveis, empíricas (ou seja, baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e as analisar com o uso da lógica.”

Vários povos estudavam a natureza, porém foram os Gregos que definiram inicialmente um método para realizar este estudo. Cabe a eles as primeiras formalizações sobre como lidar com o conhecimento da natureza de forma científica. Aristóteles definiu o primeiro método para este estudo.

O método de Aristóteles se mostrou equivocado: ele concluiu que a Terra é o centro do Universo, e que objetos pesados caiam mais rápido!

Depois de Aristóteles, os Árabes com Alhazen e Avicena incorporaram a experimentação. Hoje determinante no método científico. Não basta ter uma boa idéia, é preciso prová-la.

No Renascimento Robert Grosseteste, Roger Bacon, Galileu Galilei, Francis Bacon, Descartes modificaram o método para melhorá-lo.

E Newton por fim brilhou formulando uma metodologia baseada na experimentação e observação que se mostrou eficientíssima e fez dele um dos maiores cientistas de todos os tempos.

Karl Popper, já mais recentemente, melhorou ainda mais o método, valorizando os testes independentes e repetitividade. Além de defender a idéia da formulação de previsões para verificação de hipóteses. Assim uma hipótese que leva a uma previsão não confirmada deve ser descartada.

Nada na ciência hoje é considerada verdade universal. Todo conhecimento é considerado teoria, até que se prove inválido. Esta é uma das belezas do estudo científico. Mesmo idéias como a mecânica de Newton, considerado durante décadas completamente corretas, foram refutadas com Einstein e sua teoria da Relatividade.

A teoria de Einstein já passou pela prova de várias experiências. Inclusive uma experiência realizada no Nordeste brasileiro envolvendo um Eclipse Solar Total.

Mesmo se provando incorretas, algumas teorias, como as leis de Newton, se mostram úteis para a maioria dos casos, se apresentando como uma simplificação de como a natureza funciona.

Em minha opinião todo o conhecimento humano e suas ciências são como a ponta de um Iceberg de como a natureza realmente é. Apesar desta pequenez, é a ferramenta mais útil para melhorar nossa vida cotidiana e para procurarmos soluções para os problemas práticos. Não é, e nem pretende definir uma verdade absoluta. Isso é sua diferença da religião. Define simplesmente uma maneira de ir atrás do conhecimento.