Livro do autor novato: Vermelho Vivo, Capítulo 5

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Robert T. Jones no Quadro Negro. Resolvendo problema com aerodinâmica de asas em velocidades supersônicas (1946). Crédito: NASA Langley Research Center (NASA-LaRC)

Robert T. Jones no Quadro Negro. Resolvendo problema com aerodinâmica de asas em velocidades supersônicas (1946). Crédito: NASA Langley Research Center (NASA-LaRC)

Capítulo 5 – Mudança de Planos

Depois daquele primeiro dia, sem a pressão da novidade e a expectativa da reação de Anna, finalmente pude me concentrar em produzir a máquina.

Dr. Reynaud, o novo responsável pelo projeto, era uma boa pessoa e muito participativo.

E a equipe era fantástica.

Acho que nunca trabalhei com uma equipe como aquela. A motivação era grande, e a experiência dos integrantes era impressionante.

No entanto, minha posição de gerente do projeto do sensor era muito difícil. Eu não sou o tipo que coordena equipes. Muito pelo contrário, gosto de trabalhar sozinho. O consolo é que a quantidade de trabalho não permitia que eu fizesse isso de qualquer maneira.

Doutora Ivanova foi um caso a parte. Participava de forma visceral do projeto. Era como se a máquina fosse seu bebê. Acho que durante os primeiros meses nunca deixei de vê-la no laboratório. Sempre foi a primeira a chegar e a última a sair.

Meu sofá confortável já tinha sido providenciado próximo de minha mesa. Porém não conseguia dormir direito, a ansiedade começou a deixar-me insone.

Naqueles dias os holofotes sobre a NASA aumentaram. A mídia de todo o mundo estava cobrindo os últimos testes com os foguetes da série Ares 1 e 5, que finalmente iriam levar o homem novamente para lua.

O voo estava previsto para os seis meses seguintes. E Jayson Palmer seria o Comandante. Além dele, conhecia também o piloto John Albert, que estava participando de nosso projeto. John era o terceiro homem na sala de Peter Martin naquela reunião em que começou minha história com a NASA.

O clima então era muito festivo e era grande a esperança que o projeto fosse além, e realmente levasse os primeiros humanos para Marte.

Depois de duas semanas de intenso trabalho, Dr. Reynaud junto com a Doutora Ivanova me procuraram no laboratório para discutirmos algumas questões sobre a máquina. Sua preocupação era com a contaminação dos tripulantes da futura nave.

Fomos até a sala de reunião, onde a nave Colúmbia estava nos esperando em seu canto.

Dr. Reynaud iniciou a reunião:

-Doutores, o diretor Gavin me procurou e está preocupado com o andamento deste projeto. Vocês sabem que o plano inicial foi colocar este seus sensores biológicos na nave que levará os homens até Marte. Porém, estamos conscientes que não será nada simples garantir que nenhuma contaminação exista. O risco para os tripulantes já é enorme sem estas bactérias. Estamos sobre pressão.

Dra. Ivanova concordou:

-Reynaud, a preocupação do diretor é válida. Temos poucas informações sobre estas supostas bactérias. Porém, se existem realmente, devem ser potencialmente resistentes. Procedimentos de desinfecção deveriam ser testados antes que a tripulação chegue próximo desta coisa. Estamos discutindo se devemos incluir isso na máquina, algum laser, ou dispositivo que gere alta temperatura…

-Doutora, – interrompeu Reynaud – eu acho que você já sabe o que devemos fazer não é?

-Mandar uma sonda antes da viagem. – ela respondeu imediatamente com os olhos baixos e uma careta. – Isso irá atrasar a viagem pelo menos uns dois anos.

-Algo próximo disso, doutora. Dr. Schumann, concorda com esta estratégica?

-Acho que seria a melhor maneira, a mais segura. Acho até que Gavin citou isso na minha primeira reunião com ele. Assim, conseguiríamos fazer um conjunto de testes para confirmar todas as coisas que precisamos saber. E a viagem a Marte seria um passeio mais agradável.

-Chamar esta aventura de passeio agradável não me parece muito justo – sorriu Reynaud. Franziu a testa e continuou um pouco mais sério: – Os Chineses vão entrar mais firmes no projeto. Eles têm um foguete pronto e uma sonda com algumas experiências que pretendem fazer. Vamos aproveitar a carona.

-Pensei que a participação deles era apenas financeira. – indaguei.

-Não doutor. Saiba que eles estão preparando um foguete para levar chineses a Lua nos próximos 10 anos. Eles tem tido bons resultados.

-Os foguetes foram baseados nos modelos russos. – esclareceu Ivanova – No entanto, eles conseguiram dominar a tecnologia e aperfeiçoaram muito o equipamento.

-Estou falando sobre isso, pois iremos integrar esta sonda ao foguete chinês. Um dos engenheiros líderes do projeto será transferido para cá e trabalhará com vocês no desenvolvimento. O nome dele é Liwei Won. É engenheiro astronáutico e candidato a Taikonauta.

-Um astronauta chinês? Quem diria. Se continuar assim esta vai ser o projeto mais internacional que já participei! – fiquei empolgado com a ideia.

-Fique tranquilo, ele fala inglês até melhor que a doutora. – brincou Reynaud.

Anna não gostou. Ficou ruborizada e quase pude ouvi-la resmungando alguma coisa entre os dentes.

Dr. Reynaud tirou uma caixa de CDs de sua valise e entregou-me.

-Aqui tem os desenhos e especificações do projeto do foguete chinês. Inclusive com os cronogramas. A previsão é que o lançamento ocorra em quatro meses. Temos pouquíssimo tempo.

Desta vez fui eu quem gelou imediatamente. Parecia impossível atender esta meta.

-Não me parece um prazo razoável. – reclamei.

Reynaud levantou-se e aos gritos respondeu:

-Lembre-se que levamos nove anos para colocarmos o homem na Lua, isso com a tecnologia de meio século atrás. Portanto em quatro meses é perfeitamente possível construir esta sonda. – com o dedo em riste. – Reciclem outros projetos, simplifiquem, resolvam…

Nunca tinha visto ele assim. Falou de uma forma tão enérgica e decidida que eu não tinha como discutir. Realmente, o diretor Gavin tinha feito uma boa escolha.

-Vão trabalhar. Vocês têm muito que fazer.

Eu e Ivanova nos olhamos um pouco surpresos e saímos dali.

Passamos o restante do dia estudando os desenhos e convocamos a equipe para uma reunião no fim da tarde.

Colocamos os desenhos do foguete em um projetor e apresentamos anovidade. Assim como foi para mim, a ideia energizou toda a equipe. Teríamos agora uma meta bem definida com prazo, tamanho do equipamento e objetivo.

Todos fizeram dezenas de perguntas. Algumas soubemos responder, outras tivemos que anotar. Foi um momento muito bom para o projeto.

Muita coisa que já tínhamos projetado teria que ser remodelada ou mesmo refeita. Mesmo assim no fim da reunião todos saíram confiantes e determinados.

Continua…

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2 comentários para “Livro do autor novato: Vermelho Vivo, Capítulo 5”

  1. CYRO DE FREITAS disse:

    Apesar de ser “um novo escritor”, estou gostando muito da história. Vem sendo um trabalho bem elaborado e de fácil entendimento. Espero que ao fim, possamos ter um livro impresso ou algo parecido. Continue, escritor novo, continue.
    Parabéns. Cyro/Belo Horizonte

  2. José Arantes Lima disse:

    Caro Prof. Luis.
    Só agora pude começar a ler os primeiros capítulos do seu Livro: “Marte”.
    Confesso que algumas coisas me surpreenderam nesse trabalho:
    a) A oportunidade e atualidade do tema escolhido;
    b) O estilo envolvente;
    c) A capacidade criativa;
    d) A qualidade das informações incluidas no texto;
    e) A dosagem do conteúdo ao longo do capítulo.
    Depois que iniciei a leitura, não consegui parar enquanto não cheguei ao final do capítulo 6, e aguardo ansiosamente a postagem dos próximos.
    A continuar nesse padrão, creio que tem tudo para se tornar um sucesso editorial.
    Nota: Observei poucas e pequenas falhas de concordância e de construção gramatical, que uma revisão acurada pode corrigir, porém não é nada que tire o brilho dessa obra.

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