Livro do autor novato: Vermelho Vivo, capítulo 4

Para ler o livro desde o início comece em:
Leia os primeiros capítulos e compre o livro – prestigie o autor

Construção da espaçonave Genesis. (~1999) Crédito: NASA Jet Propulsion Laboratory

Construção da espaçonave Genesis. (~1999) Crédito: NASA Jet Propulsion Laboratory

Capítulo 4 – Primeiros Dias

Saímos dali para o laboratório principal do Instituto. Ainda no corredor pude ver por uma área envidraçada na lateral, que os pesquisadores estavam todos reunidos. Anna Ivanova estava gesticulando muito e tinha a face carregada.

No momento que passamos pela porta, a maioria nos olhou um tanto constrangidos. Alguns baixaram a cabeça pouco animados. Anna, porém, adiantou-se e veio ao nosso encontro e mostrou-se muito simpática.

-Seja bem vindo Dr. Schumann, deixe-me apresentar nossa equipe. – Segurando meu braço, arrastou-me e apresentou-me a cada pessoa do grupo.

Entre os presentes estava Jayson Palmer, o futuro comandante da viagem. Palmer, como era chamado o tempo inteiro, era uma presença forte que dificilmente passaria despercebida. A tez queimada de sol, os cabelos grisalhos, e grandes mãos calejadas lhe davam um ar de velho jovem marinheiro. Conversei muito com ele e nos simpatizamos imediatamente. Vi que poderíamos nos tornar bons amigos. Mesmo já o tendo encontrado antes, pude agora finalmente conhecê-lo.

Ao contrário do que imaginei, não houve qualquer hostilidade por parte da doutora Anna naquele primeiro momento. Foi muito amável e prestativa. Depois de quebrado o gelo, enquanto saia pelo corredor, procurei agradecê-la sua recepção. Esboçou um sorriso um pouco maligno e foi sincera:

-A missão é mais importante, camarada. Quem tem interesse em me tornar um ícone, são os políticos. Eu estou apenas cumprindo meu dever. Não pense que não sei que você foi chamado aqui para me ofuscar. Não se preocupe com isso. Eu tenho interesse científico aqui. Política, eu estou fora. – Ela não tinha meias palavras. Deixou-me sem fala. Fiz um gesto afirmativo com os olhos e o rosto e respondi:

-Então, nós falaremos a mesma língua, eu também estou aqui pela ciência.

-Mas você não irá receber os louros por minha pesquisa. – Interrompeu-me – Prepare-se para o dobro de trabalho, ou vai comer poeira. Aliás, deixei um pacote de recomendações de mudanças para seu projeto bem sobre sua mesa.

-Aquela é minha? – apontei para uma mesa na direção que ela me indicou o pacote.

-Sim, a mesa mais a direita. Boa sorte, doutor e seja bem vindo novamente.

-Muito obrigado. – Respondi apertando sua mão. Naquele momento não pude deixar de reparar no grande brilhante de uma aliança em sua mão esquerda. Deveria ser casada.

O resto do dia eu tirei para ajeitar minha mudança. Ficaria em um hotel, enquanto não arrumasse um local menos provisório.

No dia seguinte pela manhã, acordei bem disposto e fui fazer a barba e tomar meu banho matinal: um ótimo momento para eu repensar tudo que estava acontecendo comigo.

Era estranho como tudo tinha mudado tão rápido. O novo laboratório era tão completo e estavam todos motivados e prontos para fazer o que era necessário. E Anna também. Surpreendeu-me a forma como ela posicionou-se mesmo após o corte que o Dr. Gavin lhe deu. Este seria o primeiro dia no novo laboratório e eu sentia uma excitação e certo frio na barriga.

No horário combinado, um dos engenheiros passou para me pegar no hotel. No caminho pudemos trocar uma ideia.

-Dr. Schumann, o pessoal já pôde ver um pouco seu trabalho com o sensor. Teremos muito trabalho para reduzir tudo aquilo para a sonda.

-Cláudio, qual sua especialidade mesmo? Desculpe-me, mas tinha tanta gente para conhecer ontem que me enrolei todo.

-Sou Analista de Sistemas, doutor. Eu tenho trabalhado duro no projeto da doutora Anna. Infelizmente os resultados não têm sido nada animadores. As nossas estatísticas de falso positivo são altas demais.

-Você mesmo analisou os dados das experiências?

-Sim. Preparei os programas para a análise estatística. Os resultados foram péssimos.

-Dra. Anna deve estar muito decepcionada, não é?

-Sim, ela trabalhou muito tempo com este projeto. – ele não tirava os olhos da estrada, e seu tom de voz deixava claro a sua decepção também.

-Cláudio, e quanto a falsos negativos? – enquanto conversávamos, veio-me uma ideia daquelas.

-Falsos negativos? Quer dizer, casos em que a amostra tinha bactérias e o sistema não encontrou nada?

-Exatamente – respondi empolgado. – Estava aqui pensando…

-Bom, não tivemos falsos negativos. E olha que repetimos dezenas de vezes os testes. Não foi muito bom para indicar bactérias com precisão, dezenas de testes sem bactérias indicou a presença. Ficou claro que iria falhar. – disse resignado.

-Mas ele não errou nenhuma vez deixando passar uma amostra com bactérias?

-Não senhor. Nas vezes que tínhamos bactérias, ele sempre as indicava.

-Certo Cláudio. Você acaba de me dar uma ótima notícia.

-Que bom. – Ele continuou dirigindo, mas agora com um meio sorriso no rosto, como se tivesse feito uma boa ação.

Chegamos ao laboratório e fui para minha mesa verificar a papelada que Anna havia me deixado no dia anterior. Havia muito trabalho a fazer. Procurei a lista de ramais e liguei para Anna. Ela já estava lá e disse para me encontrar na sala de reuniões.

-Doutora, vindo para cá estive conversando com Cláudio e tive uma boa ideia.

-Sou toda ouvidos, Dr. Schumann.

-Bom, ele me disse que sua máquina não apresentou nenhum falso negativo. Acho que vamos precisar deste equipamento.

-Como assim, vamos precisar para quê? – ela quase pulou da cadeira.

-Bom. O meu projeto tem apresentado problemas com o tempo de análise. Sua máquina com falsos positivos. Vamos utilizar as duas máquinas e teremos uma medida correta e em menor tempo. Sua máquina escolhe as melhores amostras e a minha faz a análise.

-Você deve estar brincando. Precisamos reduzir o seu projeto mais de sessenta por cento e você ainda quer mandar o outro sensor junto?

-Exatamente. Vamos ver o que podemos fazer. Afinal a opção é enviar um sequenciador de DNA. O que está totalmente fora de questão.

Juntamos sobre a mesa os desenhos dos dois projetos e chamamos os engenheiros envolvidos.

Durante aquele dia todo, discutimos quais partes poderiam ser compartilhadas. O microscópio eletrônico era a maior peça e seria uma só para os dois projetos. Os dispositivos para recolher as amostras também.

Ficamos trabalhando duro e quando dei por mim já era noite escura. E a doutora Anna estava lá tão envolvida com o trabalho como eu.

-Nossa, nem me dei conta da hora. Doutora, não precisa ir para sua família? Seu marido deve estar preocupado. – disse descontraidamente.

-Ele não está em casa. Está na Tchetchênia neste momento. Ele é capitão do exército russo… De qualquer maneira, continuaremos isso amanhã, cansei-me.

-Não deve ser fácil ter alguém em uma guerra.

-Desculpe-me, mas não quero falar sobre isso, camarada. – ela disse e se afastou.

Pedi um táxi e fui embora acabado. Não tinha me dado conta do cansaço até chegar à minha casa para um chuveiro. Foi um bom dia de trabalho aquele. Conseguimos chegar a um projeto básico conjunto.

continua…

Para não perder o restante do livro: Assine nosso Feed Ou Receba por email os novos artigos do site.

Outros Artigos:

2 comentários para “Livro do autor novato: Vermelho Vivo, capítulo 4”

  1. Laine disse:

    Ahhhh….e agora o que é que eu faço enquanto não vem o capítulo seis???
    Entende agora pq eu demorei pra começar a ler ?? é pq eu qd gosto quero ler td de uma só vez……vou ficar anciosa esperando……..adorei………continua.continua………bj bj
    neoqeav

  2. [...] Livro do autor novato: Marte, capítulo 5 [...]

Deixe um comentário