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Capítulo 1 – Instituto Niels Bohr.
O telefone tocou…
-Alô, Schumann? Aqui é o Tony, dê uma passada em meu escritório em meia hora, tenho um assunto urgente com você.
Respondi que estaria lá, afinal para a direção só poderia dar esta resposta.
Dr. Anthony Johnson era o diretor do Instituto de Biologia da Universidade da Califórnia. Meu chefe. Personalidade difícil, e muito incompatível com a minha. Uma chamada desta já me deixava irritado. Teria que enfrentar o chefe de novo. A última vez que nos vimos ele me prometeu um corte de verbas que iria inviabilizar o meu trabalho. Mas desta vez seu tom de voz era outro.
Meus olhos dilatados pela luz do microscópio demoraram a acostumar-se com a penumbra de minha sala. A meia luz de um fim de tarde chuvoso e escuro, deprimente para os mais sensíveis.
Ainda pude arrumar um pouco a bagunça antes de sair para a reunião.
Cheguei à sala no momento combinado. Sala iluminada por muitas luzes e amplas janelas com vista para o campus.
-Sente-se Dr. Schumann, por favor. – sua voz firme e conhecida tomou conta da sala, talvez tentando me intimidar.
-Em que posso ser útil, Tony? – apesar de sua personalidade, não admitia que o chamassem de outra coisa, a não ser seu primeiro nome. Talvez pela origem italiana, não sei.
-Conhece o Dr. Peter Martin? Ele deseja marcar uma reunião com você, o mais rápido possível. Ele tem acompanhado os resultados de suas pesquisas e gostaria de propor um projeto em conjunto.
-Peter Martin? – nunca tinha ouvido falar.
-Desculpe, Peter Martin, Universidade do Arizona, é pesquisador associado a NASA. Ele precisa de sua ajuda neste projeto Constellation para uma viagem tripulada para Marte. – As palavras pareceram totalmente equivocadas, o que eu teria com Marte?
-Mas eu não trabalho com Astronáutica, deve haver algum engano, eu sou um biólogo. Não entendo onde poderia ajudar.
-Tudo bem, Dr. Schumann, ele está ciente de sua capacidade. Como disse, ele tem acompanhado seus trabalhos. E tem uma quantidade de verba bastante elevada para que você possa prosseguir seus trabalhos com ele. Sabe que estamos com problemas de investimento aqui. Ele pediu que eu o liberasse.
-Liberasse? Está dizendo que vocês estão me transferindo?
-Exatamente, será mais útil lá, tenha certeza. O salário e os desafios serão muito maiores. Além do que, sei que você não tem nenhum vínculo familiar aqui, não é? Eles já enviaram um mensageiro com passagens aéreas para você. Aqui estão.
-Mas esta passagem não é para o Arizona. – Digo, olhando incrédulo para a passagem aérea já em minhas mãos.
-Não mesmo, seu destino é Copenhague, Dinamarca. Boa sorte Carl. – Estendeu-me a mão em um aperto forte, e me chamou pelo primeiro nome, pela única vez.
-Eu não tenho escolha, tenho? -digo ainda apertando sua mão.
Ele nem se dá ao trabalho de responder. Seu olhar é o suficiente.
Sai dali diretamente para minha sala. Nunca tinha lido nada sobre o Dr. Martin, e comecei uma rápida pesquisa na internet para ver o que encontrava. Bem fácil, uma foto e seu currículo quase completo.
Peter H. Martin, físico e mestre em ótica, já trabalhou com exploração espacial deste o projeto Pionner Vênus. Fez estudos com o telescópio Hubble em 94, e trabalhou no desenvolvimento da câmera da nave Huygens que obteve as primeiras imagens da superfície de Titan. Gerenciou a construção da câmera HiRISE do MRO, sonda com imagens
de alta resolução de Marte. Foi o líder do projeto da primeira sonda Phoenix, que pousou em Marte em 2008. Esta sonda confirmou a presença de água congelada na superfície de Marte.
Na época destes acontecimentos ele estava trabalhando com o projeto de viagem à Marte em cooperação com a NASA, universidades do Canadá, Dinamarca, Alemanha e Suíça. Pela idade sua aposentadoria devia estar bem próxima.
O sono finalmente começou a tirar minha concentração. Até tinha esquecido que as amostras da lâmina no microscópio indicavam sucesso na experiência. Pela décima vez. Bactérias são mesmo fascinantes. Revivê-las depois de dias é algo que eu adoro fazer.
Mesmo com sono, o cérebro continuava funcionando: O que a NASA queria com minhas experiências? Bactérias e nave para Marte, qual a relação? Será que ainda estavam procurando vida lá? Mas todas as sondas anteriores tinham descartado a hipótese.
Na verdade, desde a descoberta de vida bacteriana em Encélado, Marte tinha deixado de ser o principal atrativo da exploração espacial. A lua de Saturno apresentava grande quantidade de bactérias que se desenvolveram na água líquida de lagos a alguns metros abaixo da superfície. Os lagos eram formados pelo aquecimento gerado pelas atividades de gêiseres.
Pelo menos mais uma sonda tinha voltado a Encélado e confirmado a maior descoberta da NASA em todos os tempos. Na verdade, a confirmação veio de uma sonda projetada pela ESA, agência europeia, que havia lançando muitas dúvidas sobre o grande achado. Apesar da desconfiança a sonda confirmou tudo.
Eu pensei em continuar pesquisando, mas o sono realmente estava me vencendo.
Ajeitei-me no sofá no canto do laboratório e dormi. Teria muito que pensar nos próximos dias.
No fim de semana seguinte preparei-me para a viagem que foi realizada na segunda-feira. Seria minha primeira vez no Velho Mundo. A recomendação era deixar tudo preparado para uma mudança definitiva para os próximos dias.
No fim do dia desembarquei em Paris onde fiz uma refeição e me hospedei. Teria o dia seguinte livre para conhecer a cidade luz. Na terça-feira à meia noite peguei um novo avião para Copenhague. Chegando lá, Dr. Peter Martin estava me esperando já no aeroporto com seus cabelos e bigodes grisalhos e um sorriso largo que sempre leva. Recebeu-me com um
forte aperto de mão e uma conversa rápida sobre minha hospedagem.
Despedimos-nos e eu fui para o hotel. A primeira reunião de trabalho ficou para o dia seguinte. Foi mais uma noite sem conseguir dormir direito. O fuso horário estava me deixando exausto.
Encontramos-nos no Instituto Niels Bohr na Universidade da Dinamarca. Entramos eu e o meu guia em uma pequena saleta. Nela estavam o Dr. Peter e mais dois senhores que levantaram-se assim que chegamos.
-Quer ser o principal responsável por confirmar a existência de vida em Marte, Dr. Schumann? – Peter foi direto ao assunto.
Olhei seus olhos brilhantes e empolgados e entendi imediatamente o que eu estava fazendo ali.
Continua…



e aí?? conte-nos mais..
gostei. muito.
ainda preciso ler o primeiro capítulo.
Então leia. Eu achei o primeiro capítulo melhor.
Muito interessante a história… espero que continue postando os próximos capítulos.
[]’s
Gostei mt do primeiro capítulo,rico,instigante,detalhista.conseguiu prender minha atenção de primeira.O segundo já achei um pouco corrido no final,tive a impressão de que se não lesse correndo a pagina iria se apagar na minha frente…….rsrs
Exagerada né? to brincando…..to gostando mt,mas como vc sabe não ser esse meio tipo de leitura vou dar uns pitacos ok……vou continuar com vc…..bj bj bj
neoqeav
Que coisa boa, uma visita sua aqui!
Obrigado pelos comentários. Beijos para você também.
neoqeav.