Quer ler um livro de um autor novato?
Autor: Prof. Luis Eduardo | Data: 21 agosto 2008 | Por favor, Deixe seu Comentário!Um colega professor está começando a escrever um livro de ficção científica. Ele me mostrou o primeiro capítulo e achei que está ficando muito legal. Ele me pediu para dar a minha humilde opinião e eu sugeri que me permitisse publicá-lo aqui.
Como eu não pretendo torrar a paciência de ninguém, irei publicar aqui a primeira parte do livro e esperar a opinião de vocês. Se obter uma boa resposta, continuamos publicando.
Porém, se não obter opiniões verdadeiras, críticas construtivas ou negativas, e o que for, acredito que ele não pretende continuar me mandando os novos capítulos. Então pessoal, deixem um comentário ok? (nem que seja para pedir para ele parar, se acharem ruim!)
Capítulo I - O momento chave
Sempre imaginei que este momento me deixaria emocionado. Porém, a palavra correta sobre o que eu sinto agora é pavor.
O Sol nasce rápido na borda de Marte, iluminando o ambiente escuro lá fora. Os últimos preparativos para o pouso completaram-se. A sonda Phoenix 3 está pronta.
Meus companheiros mantêm o olhar apreensivo e concentrado, de quem vai entrar para história. Porém são tantas verificações e revisões, tanto para pensar. Tanto para dar errado.
A contagem regressiva para a ativação dos retrofoguetes está em vinte minutos. Os foguetes nos tirarão de órbita para o pouso em Marte. A separação da nave mãe já foi feita a 12 horas.
Minha posição é privilegiada. No momento sou apenas um passageiro. Responsável por tirar fotos. A câmera está a postos. Tiro mais uma.
- Todos os sistemas checados… aguardando a janela de entrada. 10 minutos.
Começo a suar frio. Não imaginava que estaria tão nervoso. Medo.
Desde as primeiras sondas Vikings enviadas para Marte, o sucesso de pouso é preocupante. Pouco menos de cinqüenta por cento dos pousos foram bem sucedidos. A estatística está contra nós.
Não deveria ter pensado sobre aqueles pousos. Um deles, que não me recordo o nome, foi fatal devido ao erro de conversão do sistema inglês para o internacional. Só não foi mais fatal, pois era uma sonda sem tripulantes.
Um leve tremor indica a última preparação do sistema propulsor. 10 minutos.
Me agarro no acento de forma instintiva. Coração dispara. A adrenalina aumenta. Suando frio. O que estou fazendo aqui?
O comandante JP continua fazendo leituras nos vários displays a sua frente e digitando sem parar naquele seu teclado. Posso vê-lo de costas a pouca distância. Não vejo seu semblante, porém imagino. Um sorriso maroto no canto dos lábios. Tranqüilidade. Ele faz isso como quem estaciona um carro em uma vaga fácil.
- Vamos lá belezinha, falta pouco agora… Vai dar tudo certo pessoal, em 10 minutos estaremos na toca da Phoenix. O capacete não permite ver seus cabelos grisalhos. Mas seu tom de voz paternal é reconfortante. Sua confiança é total. Alguém chega a respirar aliviado.
Um solavanco. Volto a me agarrar firme.
- Fase final de preparação. Tudo ok. Houston, informando procedimento de pouso em 4 minutos.
JP diz sem esperar resposta. Afinal quando a mensagem chegar à Terra, já teremos pousado. Ou teremos morrido.
Ana olha rápido para trás e nosso olhos se cruzam. Ensaio um sorriso amarelo, mas ela se vira antes que possa ver. Pude ver um rosto duro, sério, preocupado.
- Comandante, aguardando sua ordem.
O piloto Dr. John Albert está com tudo preparado. Ele acionará os motores e deixará o computador realizar sua tarefa. Eu sempre imaginei que um piloto deveria realizar a atividade final. Tipo o projeto Apollo, onde Armstrong comandou a nave até o pouso. Aliás quase abortaram. O computador deixou a nave em uma região cheia de grandes pedras. E Armstrong teve que usar mais combustível que o planejado para chegar em um lugar seguro.
- Um minuto e contando. Albert, é com você agora. Todos preparados para fazer história?
- Pára com esta coisa de história Jota, estamos aqui para fazer nosso trabalho. Quer botar mais pressão ainda?
- Não seja desmancha prazeres, John. Não é porque você vai ser o quarto homem a pisar em outro planeta… Quer dizer o terceiro homem, já que a Ana é uma mulher… - JB não podia deixar de fazer piada mesmo nestas horas.
Albert faz um sinal e todos silenciam. Um grande solavanco e tudo começa a tremer.
- Motores ligados… começando a descida.
Os tremores aumentam e parece que tudo vai desmontar. Já faz meses que sentimos algo assim. Durante o lançamento na Terra. Foi uma festa aquilo. Acho que o mundo inteiro estava vendo. E todos devem estar acompanhando nosso pouso agora. Embora somente nossos amigos da nave mãe possam acompanhar em tempo real.
Uma luz diferente começa a aparecer na janela. Luz laranja. O atrito da atmosfera começa a fazer efeito. Sinto um zunido no ouvido. Estamos descendo rápido, muito rápido. Todas as luzes internas apagam-se. Me assusto e quase deixo a câmera cair.
- Isso estava esperado? - digo agitado - não me recordo disso no treinamento. John?
- Dá um tempo Carl, eu apaguei para podermos ver melhor as luzes. Já fotografou?
- To fazendo conforme o protocolo. Não temos tantos cartões de memória assim.
- Devia tirar uma de sua cara agora… relaxa, parece até que não fizemos isso antes.
Um grande solavanco faz todos silenciarem novamente.
- Vocês fizeram. Quer dizer, fizeram na Lua, o que é diferente. Lembre-se que eu não participei disso.
- Fica tranqüilo, está tudo conforme o protocolo - Albert tenta me acalmar.
Tenho que continuar falando. Isso está aliviando meu nervoso. Ainda bem que estou com estas luvas, afinal roer unhas seria constrangedor.
Albert é o piloto mais experiente da Nasa. Já realizou mais de dez pousos na Lua. Embora atualmente os computadores façam todo o trabalho. Ele foi realmente decisivo apenas uma vez, no pouso da Ares 13. O computador falhou na fase final e ele fez o pouso no manual. Não é irônico a nave de número 13 apresentar problemas duas vezes? Apollo 13, a mais de 40 anos.
Isso me fez lembrar que nossa nave mãe é a Marte 13. Ainda bem que esta cápsula de pouso tem outro nome. E eu não ser nada supersticioso.
O silencio dura alguns minutos. Tenho que relaxar. Alguns minutos.
A luz pela janela muda. Um tom rosa toma conta. Como uma luz de Sol cor-de-rosa. Estamos quase lá. Olho para a janela do outro lado e vejo a superfície vermelha de Marte ocupando toda a janela.
- Aproximação final. Liwei, como estão os instrumentos?
- Ok JB.
- Albert. Confirme posição.
- Estamos no ponto certo. Computador trabalhou direito. 60 km de altitude e descendo. Três minutos para o pouso. Coordenadas exatamente sobre a meta. Erro zero de acordo com a triangulação dos satélites.
- O rádio voltou. Nave mãe, aqui é a Phoenix. Podem me ouvir?
- Muito bem Liwei, aqui é Nave Mãe. Estamos rastreando a trajetória e vocês estão perfeitos.
- Claire, está quase na hora dos pára-quedas. Você preparou a câmera para repetir a foto da primeira Phoenix?
- Acha que deixaria isso passar, Liwei? Além da câmera aqui na nave mãe, temos ainda a Sonda MRO II. Mas eu preferia que a foto nos jornais fosse a minha. Pena que não vai ver aquela grande cratera para fazer a composição.
O pára-quedas é aberto. Um novo e mais forte solavanco não deixa dúvidas. O motor já está desligado.
Ana vira-se novamente. Agora com o rosto mais leve. Os olhos brilhantes sobre o vidro do capacete. Um sorriso começa a se esboçar. Não diz nada, apenas me olha com firmeza e graça.
Falta tão pouco agora. E tudo volta a memória. Nossa preparação. As dúvidas. As dificuldades. Difícil não usar um lugar comum, afinal tudo passa como um filme em minha cabeça.
Tudo começou há dez anos. Dez anos e eu estava lá, sentado em meu laboratório. Preparando lâminas e fazendo anotações. O microscópio ali, confirmando meu sucesso. Quando o telefone tocou.
Deixe sua opinião nos comentários abaixo. Participe, deste livro.
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22 agosto 2008, 4:40 pm
Fiquei com gostinho de ‘quero mais’. Diz pro teu amigo continuar … hihi
Abraço
[Responder]
23 agosto 2008, 8:28 pm
Eu gostei também. Quero ler mais.
[Responder]
25 agosto 2008, 1:49 pm
Muito bala… viajei na leitura desse capítulo, certamente ele soube ser descritivo.
Fala pro teu amigo continuar a publicação aqui no Tecnoclasta, ROGER?
Inté Luís!
[Responder]
25 agosto 2008, 11:04 pm
Achei muito bom esse capitulo.
Quando terei a oportunidade de ler mais?
[Responder]
Prof. Luis Eduardo respondido em agosto 26th, 2008 8:06 pm:
O segundo capítulo está em processo de revisão. Deve ir ao ar esta semana ainda.
[Responder]
27 agosto 2008, 10:06 am
Oi
muito bom. Gostei.
Achei interessante seu estilo.
Acho muito bonito um escritor novato, ainda tateando seu estilo de escrever, suas inspiraçoes.
Seu texto tem um desenvolvimento que nos prende à história e, fazer o leitor se envolver é uma arte.
PARABÉNS!!!
[Responder]
1 setembro 2008, 9:52 pm
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