Um colega professor está Eu estou começando a escrever um livro de ficção científica. Ele me mostrou Eu escrevi o primeiro capítulo e achei que está ficando muito legal. Ele me pediu para dar a minha humilde opinião e eu sugeri que me permitisse publicá-lo aqui.
Como eu não pretendo torrar a paciência de ninguém, irei publicar aqui a primeira parte do livro e esperar a opinião de vocês. Se obter uma boa resposta, continuamos publicando.
Porém, se não obter opiniões verdadeiras, críticas construtivas ou negativas, e o que for, acredito que ele não pretende eu não pretendo continuar me mandando os novos capítulos. Então pessoal, deixem um comentário ok? (nem que seja para pedir para eu ele parar, se acharem ruim!)

Representação artística da re-entrada da cápsula Apollo 7. (1968) Crédito: Nasa/Johnson Space Center (JSC)
O Momento Chave
Imaginei que neste momento estaria emocionado. Porém o que eu sinto agora é completo pavor.
Vejo, lá fora, o Sol nascendo rápido na borda de Marte, iluminando a escuridão. Terminamos os últimos preparativos para o pouso. Nossa sonda está pronta.
Meus companheiros tem o olhar apreensivo e concentrado de quem entrará para história. Entraremos de qualquer maneira, mesmo que tudo dê errado e exploramos em alguns minutos.
A contagem regressiva está em menos vinte minutos. Em zero, John ativará o retrofoguete que nos tirará de órbita.
Nos separamos da nave principal há doze horas. Deixamos Claire lá, sozinha acompanhando nosso pouso.
Aqui minha posição é privilegiada. Agora sou apenas um passageiro responsável pelas fotos. Um fotógrafo de luxo. Aciono a câmera.
-Todos os sistemas checados… aguardando a janela de entrada. T menos 15 minutos.
Começo a suar frio. Estou realmente com medo.
Por que o medo? Evidente que estudei como foram os outros pousos em Marte. Desde as primeiras sondas Vikings enviadas para lá, o sucesso de pouso é preocupante. Pouco menos de cinquenta por cento dos pousos
foram bem sucedidos. A estatística está contra nós.
Eu não deveria ter pensado sobre aqueles pousos. Só me fez lembrar erros de conversão de polegadas em centímetros. Isso já derrubou uma nave Inglesa. Eu acho.
Sinto um leve tremor que indica a preparação do sistema de ignição. T menos 10 minutos.
Minhas mãos agarram-se ao assento. Meu coração dispara. Sinto a adrenalina percorrendo minhas veias.
O que estou fazendo aqui? – grito em meu cérebro.
Observo com atenção o comandante Palmer que continua fazendo leituras nas várias telas de computador a sua frente. Posso vê-lo de costas a pouca distância. Não vejo seu semblante, porém imagino. Um sorriso maroto no canto dos lábios. Tranquilidade.
-Vamos lá belezinha, falta pouco agora… Vai dar tudo certo pessoal, em 10 minutos estaremos no ninho da Phoenix. John faça tudo direito agora.
O capacete não me permite ver seus cabelos grisalhos. Mas seu tom de voz paternal é reconfortante. Sua confiança é total. Alguém chega a respirar aliviado. Um solavanco. Meus dedos se agarram ainda mais, chegam a doer.
-Fase final de preparação. Tudo certo. Houston, Phoenix, informando procedimento de pouso em quatro minutos.
Palmer diz isso sem esperar resposta. Afinal quando a mensagem chegar à Terra, já teremos pousado, ou então, morrido.
Anna olha rápido para trás e nossos olhos se cruzam. Ensaio um sorriso amarelo, mas ela se vira antes que possa ver. Pude ver um rosto duro, sério, preocupado.
John toma a palavra:
-Comandante, aguardando sua ordem.
O piloto Dr. John Albert acionará os motores e deixará o computador realizar sua tarefa. Gosto do seu jeito seco e sério. Tipo confiável eu diria.
Eu sempre imaginei que um piloto deveria realizar a atividade final de pouso. Como no projeto Apollo, onde Armstrong comandou a nave manualmente até o pouso na Lua. Aliás, quase abortaram a missão. O computador deixou a nave em uma região cheia de grandes pedras. E Armstrong teve que usar mais combustível que o planejado para chegar a
um lugar seguro.
-Um minuto e contando. John, é com você agora. Todos preparados para fazer história?
-Para com esta coisa de “história” Palmer, estamos aqui para fazer nosso trabalho. Quer botar mais pressão ainda?
-Não seja desmancha prazeres, John. Não é porque você vai ser o quarto homem a pisar em outro planeta… Quer dizer o terceiro homem, já que a Anna é uma mulher… -Palmer não podia deixar de fazer piada mesmo nestas horas. Eu chego a esboçar um sorriso.
John faz um sinal e todos silenciam. Um aperto de botão e um grande solavanco faz tudo começa a tremer.
-Motores ligados… começando a descida.
Os tremores aumentam e parece que tudo vai desmontar. Já fazem meses que sentimos algo assim. Durante o contorno da Lua. Foi um susto e tanto aquilo. Todos devem estar acompanhando nosso pouso agora. Imagens estão sendo transmitidas para a Terra, embora somente nossa amiga da nave Marte 13 possa acompanhar em tempo real.
Uma luz diferente começa a aparecer na janela. Luz de laranja para vermelho. O atrito da atmosfera começa a fazer efeito. Sinto um zunido no ouvido. Estamos descendo rápido, muito rápido.
Todas as luzes internas apagam-se. Assusto-me e quase deixo a câmera cair.
-Isso estava esperado? – digo agitado – não me recordo disso no treinamento. John?
-Dá um tempo Carl, eu apaguei para podermos ver melhor as luzes pela janela. Já fotografou?
-Estou fazendo conforme o protocolo. Não temos tantos cartões de memória assim.
-Devia tirar uma de sua cara agora… relaxa, até parece que não fizemos isso antes.
Um grande solavanco faz todos silenciarem novamente.
-Vocês fizeram… Quer dizer, vocês fizeram na Lua, o que é diferente. Lembre-se que eu não participei disso.
-Fica tranquilo, está tudo conforme o plano – John tenta me acalmar.
Tenho que continuar falando. Isso está aliviando minha tensão. Ainda bem que estou com estas luvas, afinal roer unhas seria constrangedor. John Albert é um dos pilotos mais experientes da Nasa. Já realizou um pouso na Lua. Embora atualmente os computadores façam quase todo o trabalho, ele foi realmente decisivo naquela única vez, no pouso da Ares. O computador falhou na fase final e ele fez o pouso no manual.
O silêncio dura alguns minutos. Tenho que relaxar. Alguns minutos.
Vejo uma mudança na luz colorida que passa pela janela. Um tom rosa toma conta. Como uma luz de Sol cor-de-rosa. Estamos quase lá. Olho para o outro lado e vejo a superfície vermelha de Marte ocupando toda a janela.
-Aproximação final. Won, como estão os instrumentos?
-Tudo certo, Palmer.
Meu amigo Won. Será que está tão nervoso como eu? Pelo menos mais ocupado está. Engenheiro de instrumentos deve estar com mil medidas para verificar.
-John. Confirme posição.
-Estamos no ponto certo. Computador trabalhou direito. Sessenta quilômetros de altitude e descendo. Três minutos para o pouso. Coordenadas exatamente sobre a meta. Erro zero de acordo com a
triangulação dos satélites.
-O rádio voltou. Marte 13, Phoenix falando. Pode me ouvir?
-Marte 13 responde, ouço alto e claro Won. Aqui é Claire. Estou rastreando a trajetória e vocês estão perfeitos.
-Claire, está quase na hora dos paraquedas. Você preparou a câmera para repetir a foto da primeira Phoenix?
-Acha que deixaria isso passar, Won? Além da câmera aqui na nave, temos ainda a Sonda Orbital. Mas eu preferia que a foto nos jornais fosse a minha. Pena que não vai ter como fazer a composição com aquela grande cratera da foto…
Antes que ela termine o paraquedas é aberto. Um novo e mais forte solavanco não deixa dúvidas. O motor já está desligado.
Anna vira-se novamente. Agora com o rosto mais leve. Os olhos brilhantes sob o vidro do capacete. Começa a esboçar um sorriso. Não diz nada, apenas me olha com firmeza e graça.
Falta tão pouco agora. E tudo volta à minha memória. Nossa preparação, as dúvidas, as dificuldades. Difícil não usar um lugar comum, afinal tudo passa como um filme em minha cabeça.
Tudo começou há dez anos. Há dez anos e eu estava lá, sentado em meu laboratório, preparando lâminas e fazendo anotações. O microscópio ali, confirmando meu sucesso. Tudo começou com o telefone tocando.
Deixe sua opinião nos comentários abaixo. Participe, deste livro.


Fiquei com gostinho de ‘quero mais’. Diz pro teu amigo continuar … hihi
Abraço
Eu gostei também. Quero ler mais.
Muito bala… viajei na leitura desse capítulo, certamente ele soube ser descritivo.
Fala pro teu amigo continuar a publicação aqui no Tecnoclasta, ROGER?
Inté Luís!
Achei muito bom esse capitulo.
Quando terei a oportunidade de ler mais?
O segundo capítulo está em processo de revisão. Deve ir ao ar esta semana ainda.
Oi
muito bom. Gostei.
Achei interessante seu estilo.
Acho muito bonito um escritor novato, ainda tateando seu estilo de escrever, suas inspiraçoes.
Seu texto tem um desenvolvimento que nos prende à história e, fazer o leitor se envolver é uma arte.
PARABÉNS!!!
[...] Para ler o livro desde o início comece em: Quer ler um livro de um autor novato? [...]
Muito interessante a história. Sou leitor assíduo de ficção científica (apesar de agora ter qeu contar somente com importaçao, pois nao publicam nada no brasil) e fiquei interessado com trama. Vou ler os capitulos restantes (oba, tem mais 9) e darei minha sincera opinião.
A unica coisa que não gostei muito foram os nomes Phoenix 3 e MRO II… sinceramente, tem anos que Nasa e outras agencias (exceto a russa) nao repetem nomes de sondas. A MRO II por exemplo nao faz qlq sentido, ja que a MRO eh uma sonda de reconhecimento e certamente a segunda versao sera mais de aprofundamento de que reconhecimento propriamente dito!
Desculpa o palpite (eu sei que eh chato) mas foi voce quem pediu!!!
Grande abraço e vou ajudar a divulgar seu livro, tenho varios amigos que curte ficçao!!!!!
Opa. É isso que eu pedi. Obrigado pela sugestão.
Você está correto. A NASA tem utilizado um conjunto de nomes cada vez mais criativos, sem repeti-los.
Mesmo os robôs gêmeos de Marte, Opportunity e Spirit, apesar de idênticos, ganharam nomes diferentes.
Vou analisar com calma, mas sua sugestão poderá ser aceita no livro.
Muito bom, gostei do enredo…
Oi, Professor, que legal! Adorei o primeiro capítulo, vou ler os outros.
Muito interessante, sou apaixonado pelas Obras de Jules Verne e H.G.Wells Você tem futuro, meu chapa. Continua. Usando linguagem futebolística digo: Pedala Robinho. Tenho algumas coisas engavetadas, não tenho muita coragem de publicar meus livros, mas vou ver se faço isso algum dia. Boa sorte.