A confirmação da quarta visita do Ônibus Espacial ao telescópio Hubble no ano de 2008 me trouxe a mente a primeira e mais dramática destas visitas.
Fui pesquisar um pouco para encontrar alguns detalhes desta histórica missão.
Logo após o lançamento do Hubble em abril de 1990 foi descoberto um problema extremamente sério com o funcionamento do telescópio. Os cientistas não conseguiram obter nenhuma imagem de qualidade. Todas saiam totalmente desfocadas. Um investimento de mais de 10 Bilhões de dólares e conseguiram um telescópio pior do que meu binóculo.
Espelho do Hubble durante contrução do Telescópio.
Várias análises depois, descobriu-se que o espelho principal do telescópio estava com um problema de aberração esférica. Substituir o espelho em órbita era impraticável, devido ao projeto de construção do telescópio. E os anos seguintes foram de intenso trabalho para determinar uma maneira de corrigir o problema.
A solução encontrada foi construir óculos corretivos. Um conjunto ótico de espelhos e lentes colocados em frente ao espelho principal corrigiriam o problema. Este conjunto foi chamado COSTAR - Corrective Optics Space Telescope Axial Replacement.
Costar, lentes e espelhos corretivos.
Como contingência foi construído também uma nova Camera WFPC - Wide Field Planetary Camera com a correção esférica em si mesma. O Costar iria corrigir a aberração para todos as câmeras e equipamentos já instalados menos para a nova câmera.

Astronautas durante o treinamento da troca da Câmera WFPC.
Assim ou o Câmera ou o Costar iria tornar o telescópio utilizável.
A missão STS-61 da nave Endeavour foi a responsável pela instalação destes equipamentos. Em dezembro de 1993, mais de 3 anos após o lançamento do Hubble, quatro astronautas revezaram nos procedimentos de manutenção.

Tripulação STS-61 que tornou o Hubble totalmente operacional pela primeira vez.
Entre outras coisas, foi trocado giroscópios, magnetômetros e os painéis solares inteiros! E no sexto trocaram a camera antiga pela nova e finalmente no sétimo dia de missão instalaram o Costar.
Coube aos astronautas Kathryn Thornton e Tom Akers realizar esta delicada tarefa. A instalação da Costar foi realizada com o telescópio “a noite”, isso é, com o sol escondido atrás da Terra. O objetivo foi minimizar as mudanças de temperatura que poderiam contaminar a ótica. Foi uma das operações mais complexas já realizadas no espaço até aquele momento.

Kathy e Akers durante a instalação do Costar
Aliás Kathy é mãe de nada menos de 5 filhos, sendo 2 adotivos. Este foi seu terceiro de um total de 4 vôos espaciais, totalizando 975 horas no espaço e 21 horas em atividade extraveicular (EVA). Nada mal para uma doutora e mãe de família: salvar o Hubble!
Mas sobre a missão STS-61, foram um total 35 horas e 28 minutos de muito trabalho fora da Shuttle. Como foi a primeira tentativa de manutenção do Hubble em órbita, o próprio conceito foi testado. Outras tarefas, foram realizadas, tudo com 100% de sucesso.

Seis semanas após o fim da missão, e com o alinhamento da ótica realizado, foi obtido as primeiras fotos de qualidade do telescópio Hubble, demonstrando o perfeito funcionamento dos equipamentos instalados.

a. Telescópio terrestre, b. Hubble com defeito, c. Hubble após Coster
O restante já vimos por aqui na série de imagens que o Hubble produziu nestes mais de 14 anos de funcionamento.
Fontes:
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Tecnoclasta ©2007-2025.
Achei o máximo. Como já disse, o Hubble é demais - por causa do tecnoclasta, até coloquei imagens tiradas por ele como papel de parede.
- ei, você leu A Garota das Laranjas! Curtiu mesmo?
Abraços, professor!
tecnoclasta diz:
Pois li ele todo, quase de uma vez só neste feriado. Muito legal, gostei muito. A menina dos livros eu achei muito triste. Embora a história do Toyota me deixou com um nó na garganta de tanta raiva.
Abraços!
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